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Cultura

Travesti e conflito na Ucrânia marcam final de festival europeu de música

Destaque da decisão do Grande Prêmio da Canção Eurovisão, Conchita Wurst provoca manifestações de homofobia. Noite de encerramento do concurso pode ser ofuscada por disputa entre ucranianos e russos.

Mais uma vez, na noite deste sábado (10/05), milhares de europeus vão ligar os televisores para assistir à final do Festival Eurovisão da Canção e torcer pelos candidatos dos 37 países participantes. Neste ano, o ponto alto da competição musical considerada a mais conhecida (e talvez mais brega) do continente tem dupla participação alemã.

Mas tanto o trio Elaiza, representante do país, como a contribuição de San Marino, criada pelo alemão Ralph Siegel, são tidas como azarões. Neste ano, os destaques são um travesti barbado que provocou reações de homofobia, além da tensão em torno dos representantes de Ucrânia e Rússia.

Com longos cabelos castanhos, vestido cintilante e barba de três dias, Conchita Wurst polariza o público. A diva barbuda é um personagem criado pelo cantor austríaco Tom Neuwirth. Entoando uma canção digna de abertura de filme de 007, Neuwirth é considerado um dos favoritos na final deste sábado, realizada em Copenhague.

Aplausos calorosos

Na apresentação perfeitamente encenada de Conchita durante a semifinal disputada na quinta-feira passada, ela e sua música, Rise Like a Phoenix, atraíram aplausos calorosos e grande simpatia. Mas as reações ao travesti nas vésperas da competição foram muitas vezes muito menos amigáveis.

Conchita Wurst

Conchita Wurst: com personagem, cantor quis, chamar atenção para homofobia

"Se as pessoas não sabem se ele é homem ou mulher, então o lugar dele é na psicoterapia, não num festival da canção", alfinetou o músico e comediante austríaco Alf Poier. Já o presidente da legenda de extrema direita austríaca Partido da Liberdade Austríaca (FPÖ), Heinz-Christian Strache, chamou a apresentação de "ridícula". Uma página no Facebook de protesto contra a participação da transformista no concurso europeu já conta com mais de 38.500 seguidores.

Em Ucrânia, Belarus e Rússia foram lançadas petições exigindo a saída de Wurst do Grande Prêmio da Canção Europeia. O deputado russo Vitaly Milonov, famoso por suas declarações homofóbicas, pediu ao comitê de seleção da Rússia que não enviasse um candidato a Copenhague, alegando que o evento estaria "fazendo promoção da homossexualidade".

Neuwirth afirma que criou Conchita Wurst como uma demonstração da liberdade que cada indivíduo pode ter para ser o que é. "Criei esta lady barbada para mostrar ao mundo que você pode fazer o que quiser", diz o cantor de 25 anos. "Enquanto você não machucar ninguém, você pode fazer o que quiser da sua vida. Afinal de contas, só temos uma", argumenta.

Elaiza Eurovision Song Contest 2014

Elaiza: trio está entre os menos cotados para vencer

Disputa na Ucrânia chega ao palco

O conflito da Ucrânia é outro tema que ameaça ofuscar a final de sábado, tradicionalmente um evento tão apolítico como uma festa de aniversário infantil. Numa das semifinais, realizada na quinta-feira, as Tomalchevy Sisters, representantes russas, foram vaiadas impiedosamente quando os apresentadores anunciaram a classificação das irmãs para a próxima fase.

As gêmeas de 17 anos continuaram rindo para as câmeras, mas teriam chorado mais tarde nos bastidores, embora os gritos aparentemente tivessem como alvo o presidente russo, Vladimir Putin. "Achamos uma pena, porque as meninas não têm nada a ver com isso", lamentaram as concorrentes do trio alemão Elaiza.

Tradicionalmente, público e crítica prestam bastante atenção no comportamento dos votantes do Eurovisão em relação aos países. O vencedor do concurso é definido por um sistema composto por votos de um júri profissional e por eleição popular telefônica, em que os telespectadores não podem votar em seus próprios países. Neste ano, a pontuação deve ser observada ainda com maior atenção, sobretudo na distribuição de votos entre as plateias de Rússia e Ucrânia.

ESC Russland Performanz 2014

Tomalchevy Sisters: gêmeas russas foram vaiadas na semifinal

Alemães têm poucas chances

Correndo por fora na luta pela melhor canção estão as alemãs do grupo Elaiza, que só entraram na final do Eurovisão graças à contribuição financeira da Alemanha para a competição. O trio de moças com sua música Is It Right estão entre as lanterninhas nos rankings das casas de apostas.

Já o outro alemão presente no concurso, o músico Ralph Siegel, compositor da música levada pelo microestado San Marino, é tido por especialistas como dono de chances ainda menores que suas conterrâneas do Elaiza.

O veterano de 68 anos acompanha como pianista a cantora Valentina Monetta, que entoa a canção Maybe. "San Marino é minha missão. A nação inteira tem esperanças no sábado. Mas, claro, desejo também muita sorte ao meu país, Alemanha. Já que os alemães não podem votar no próprio país, ficaria contente se eles votarem em San Marino", afirmou Siegel ao se classificar para a final.

MD/afp/dpa

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