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Alemanha

Tradicionalistas ameaçam boicotar desfile na Oktoberfest

O governador da Baviera, Edmund Stoiber, reduz subvenção a associações promotoras do desfile de abertura da maior festa da cerveja. E elas protestam.

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Bávaros desfilam com trajes típicos na abertura da Oktoberfest, em Munique

Agricultores, guardas florestais e até professores estão revoltados com o corte de gastos imposto pelo governador Edmund Stoiber, da CSU (União Social Cristã). Isso embora sejam fiéis, há décadas, ao partido que só existe na Baviera, onde mantém firmes as rédeas da política estadual.

E agora receberam reforço dos Trachtler, pessoas que usam calça curta de couro e os trajes típicos da Baviera, que muitos estrangeiros acham, erroneamente, que é o traje típico de todo alemão. Eles ameaçam boicotar o desfile da Oktoberfest, a maior festa da cerveja, realizada anualmente em Munique, entre 21 de setembro e cinco de outubro. O motivo é a redução da subvenção a associações que promovem os desfiles em trajes típicos ( Trachten) durante a festa.

Meio milhão de euros para roupas típicas

Há 40 anos o governo estadual concede subvenções à federação, que recebeu 500 mil euros no ano passado, para o custeio dos trajes típicos utilizados no desfile. Na Baviera há 300 mil associados, em cerca de mil associações beneficiadas pelo auxílio. Enquanto os homens usam as típicas calças de couro e o jaquetão, as mulheres vestem vestidos com avental.

Por associado, que desfila no domingo de abertura da festa, a injeção financeira representa uma média de 13,2% do custo do traje típico. Segundo o presidente da federação, Otto Dufter, em 2003 foram gastos 3,7 milhões de euros para o custeio dos trajes. "A subvenção do governo não chega a cobrir nem o imposto de circulação de mercadorias que pagamos", reclama Dufter.

Edmund Stoiber mit Fau Karin, Zweidrittel Mehrheit für die CSU nach der Landtagswahl in Bayern mit Thumbnail

O governador da Baviera, Edmund Stoiber e sua esposa Karin em desfile na abertura da Oktoberfest, em setembro de 2003

A idéia de boicote surgiu em reunião com 24 representantes das associações. Cerca de 4 mil Trachtler participam do desfile de abertura da festa, transmitido pela televisão. O governador também desfila em uma das carruagens.

Desfile sem graça ou sem roupa nova

E sem os tradicionalistas - é óbvio - o desfile não tem graça nenhuma. Em sua resolução, eles cobram uma promessa feita por Stoiber em 2003: "Nós apoiamos museus privados, associações de trajes típicos, escolas de música e grupos leigos de teatro".

O governo estadual não parece muito preocupado com a ameaça. Economizar é a ordem do dia, e nenhuma área deve escapar à regra, inclusive o cultivo das tradições populares.

No entanto, o governo afirma que não cortou nada que afetasse a organização da cultura regional. A secretaria da Cultura acha razoável a decisão de cortar por um ano o auxílio à compra das roupas típicas.

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