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Economia

Trabalhando pela oferta

Em leilões pela internet, no banco online ou na compra de ingressos: quem quiser desconto tem que trabalhar duro. Este fenômeno é tema de um livro escrito recentemente por dois pesquisadores.

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Clientes compram online

Já se sabe há dezenas de anos que, quem quer economizar, compra móveis que ele mesmo monta. O desenvolvimento desta idéia nos últimos anos foi que, em vez de pagar os móveis com dinheiro, utiliza-se o cartão do banco ou paga-se diretamente através do banco online.

O comprador poderia aproveitar a oportunidade e, antes de encomendar os móveis que deseja, ver todos os disponíveis nas lojas virtuais da internet. Isto lhe pouparia a ida à loja e, a longo prazo, as lojas economizariam os investimentos em novos show-rooms e pessoal de venda.

Da mesma forma que o trabalho do banco é facilitado se é o próprio cliente quem digita sua transferência de dinheiro em vez de entregar o formulário ao caixa.

"O cliente trabalhador" é como Günther Voss e Kerstin Rieder chamam este fenômeno. O professor de Sociologia da Universidade Técnica de Chemnitz e a psicóloga suíça lançaram um livro homônimo. Nesta obra, eles se confrontam com a contemporânea interatividade entre o consumo e o trabalho indireto.

A ida às compras exige cada vez mais do cliente

"Conceitos gerenciais aconselham abertamente que o trabalho deva ser transferido ao cliente", comenta Voss, que não observa este fenômeno com bons olhos. Para realizar uma simples compra, são necessários, além de tempo e competência, o acesso a uma técnica adequada, como por exemplo um computador com conexão de internet.

Esta crítica também é compartilhada por Carel Mohn, porta-voz da Associação Nacional dos Consumidores: "Participar do consumo está cada vez mais exigente", advertindo ainda que grupos menos privilegiados também devem ser levados em consideração.

Uma das principais críticas das associações de consumidores é que as vantagens da automatização são praticamente aproveitadas só para as empresas enquanto as desvantagens são transferidas para os clientes. "Os bancos introduziram o sistema de cartões e o banco online porque assim sai mais barato para eles. Não pode ser que o cliente tenha que arcar com o risco de suas senhas serem descobertas, este risco deve ser coberto pelo banco!"

Economia de custos e empregados

Achim Strauss, porta-voz da Deutsche Bahn, companhia ferroviária alemã, afirma que "os clientes também têm vantagens quando trabalham. Através de ofertas especiais, a nossa economia de custo é transferida ao passageiro quando ele utiliza a internet". Ele não quis, entretanto, citar a quantia economizada pela empresa através da participação laboriosa do comprador através de serviços que ele mesmo realiza.

O que a empresa confirma é a evasão de empregos através da inovação. De mil postos de venda de passagens nas estações ferroviárias, quase 400 já foram fechados desde que a automatização da venda de bilhetes se afirmou no mercado. A mesma tendência é encontrada em bancos, empresas aéreas, setores de vendas do atacado e do varejo. "A dimensão é considerável", salienta Voss.

Os sindicatos observam esta tendência de uma forma um pouco resignada. "A consciência crítica dos consumidores ainda é pouca no que tange à modalidade de pagamento", lamenta Hans Joachim Schulz. Ele analisa o desenvolvimento da política de inovação e tecnologia para o Sindicato Alemão do Setor de Prestação de Serviços (Verdi): "O empresário escolhe somente o caminho que o cliente segue ou até mesmo determina".

Consumidor e setor econômico: quem manda em quem?

Através da participação efetiva do seu trabalho, o comprador, para economizar, opta muitas vezes de forma consciente contra uma melhor qualidade. A longo prazo, Günther Voss prevê conseqüências de caráter global na sociedade: "O setor econômico invade a intimidade dos nossos lares, tendo nós que lhe prestar serviços preliminares. Se eu tiver que baixar, por exemplo, toda a terça-feira os novos updates da internet, qualquer dia eu me torno parte da Microsoft".

Com estruturas que, à primeira vista, levam a economizar, o setor econômico também corre riscos: "Se uma firma utiliza seus clientes como força de trabalho, ela não pode descontentá-los. A perda de clientes poderia causar custos e problemas para uma empresa".

Voss comenta que o fenômeno do "cliente trabalhador" não se restringe à Alemanha, mas espalha-se, cada vez mais, para todos os outros países industrializados: "Nos Estados Unidos ainda se encontram empacotadores nos caixas porque os salários são baixos – mas a internet é utilizada em todos os países".

Nos países do Terceiro Mundo, por outro lado, sempre existiu uma tradição do trabalho participativo – por exemplo, quando o parente de um familiar doente leva lençóis novos ao hospital.

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