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Economia

Trabalhadores exigem participação no crescimento econômico

Com apoio do SPD, líderes sindicais defendem que os bons resultados da economia alemã se reflitam nos salários dos empregados. Grande coalizão retoma discussões sobre lei que define modelo de participação nos lucros.

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Crescimento da economia alemã não está se refletindo nos ganhos dos empregados

Depois de representantes do Partido Social Democrata (SPD) terem defendido publicamente um aumento salarial para os trabalhadores alemães que seja condizente com o atual crescimento da economia do país, sindicatos e economistas também se manifestaram favoráveis à elevação nos ganhos dos trabalhadores.

Na segunda-feira (05/12), o presidente do SPD, Kurt Beck, havia defendido uma elevação nos vencimentos dos trabalhadores proporcional ao crescimento da economia alemã. Ele foi acompanhado, nesta terça-feira, pelo ministro do Trabalho, Franz Müntefering: "Precisamos de novo de bons salários".

Também o secretário-geral do partido, Hubertus Heil, disse que o descompasso entre as elevações dos ganhos dos empresários e dos salários dos empregados deveria deixar de existir, numa referência à queda no poder de compra dos salários em relação ao início da década de 90.

Estudo divulgado na semana passada pelo Departamento Federal de Estatísticas mostra que os vencimentos dos trabalhadores alemães, se corrigidos pela inflação, tiveram ligeira queda nos últimos 15 anos. Dependendo dos cálculos, essa queda pode ficar entre 0,5% e 2%.

A favor

Haushaltsdebatte Bundestag Peer Steinbrück und Franz Müntefering

Steinbrück e Müntefering: a favor de aumento salarial

Após as declarações do meio político, nota divulgada nesta terça-feira pelo sindicato metalúrgico IG-Metall, que representa a mais forte categoria do país, diz que a situação da economia alemã permite aumentos entre 5% e 7% nos vencimentos dos empregados no setor.

Vários economistas também se declaram a favor da proposta do SPD. O professor Peter Bofinger afirmou ao jornal Bild que "apesar da boa conjuntura e das mudanças no mercado de trabalho, o consumo interno está fraco. Por isso, precisamos de aumentos salariais entre 2,5% e 3% para reaquecer o consumo e fortalecer o crescimento econômico".

De forma surpreendente, até mesmo o presidente do sindicato patronal da indústria metalúrgica e eletroeletrônica (Gesamtmetall), Martin Kannegiesser, deixou de lado o tradicional discurso dos "tempos difíceis para a economia" – habitual no início das rodadas de discussão sobre aumentos salariais – e disse ser favorável a que os trabalhadores tenham aumentos salariais compatíveis com o bom momento econômico.

O ministro das Finanças, Peer Steinbrück, foi na mesma linha e lembrou que os bons resultados da economia alemã se devem, em parte, ao ganho de competitividade que as empresas alemãs tiveram no mercado internacional graças à queda no valor real dos salários.

Outro lado

Mas representantes dos partidos conservadores rechaçaram a proposta de aumento nos salários dos trabalhadores. Para o vice-presidente da bancada da CDU/CSU no Bundestag (câmara baixa do Parlamento alemão), Michael Meister, a correção nos salários dos trabalhadores acabaria prejudicando tanto quem está empregado como quem procura um emprego.

Segundo ele, a remuneração salarial abaixo da inflação nos últimos anos ajudou a criar o cenário atual, no qual as empresas estão produzindo mais e o número de desempregados caiu.

Investivlohn

Kurt Beck, Vorsitzender der SPD

Kurt Beck: projeto até o início do próximo ano

Entre as soluções que estão sendo discutidas para melhorar a renda dos trabalhadores está a participação nos lucros por meio do chamado salário capitalizado ( Investivlohn). Dirigentes dos partidos que compõem a grande coalizão já anunciaram que pretendem apresentar no início do próximo ano projetos concretos para essa proposta, cuja discussão é retomada de tempos em tempos na Alemanha.

O presidente do SPD, Kurt Beck, afirmou que um grupo de trabalho formado por especialistas do partido apresentará uma proposta detalhada e viável do ponto de vista jurídico. O presidente da CSU, Edmund Stoiber, também disse que seu partido apresentará uma sugestão de modelo à grande coalizão.

"É chegada a hora de implementar uma maior participação dos trabalhadores nos ganhos e no capital das empresas", afirmou Stoiber. O presidente da Confederação Alemã de Empregadores (BDA), Dieter Hundt, disse ser favorável à participação dos empregados nos lucros, mas desde que seja decidida entre as partes e não por meio de leis.

Participação nos lucros

No modelo de salário capitalizado, uma parte dos ganhos do trabalhador é investida na empresa. Em troca, o empregado recebe uma participação nos lucros, mas só pode fazer uso desse dinheiro transcorrido um período predeterminado de tempo.

A intenção da grande coalizão é fortalecer as empresas e ao mesmo tempo elevar o patrimônio do trabalhador, além de contribuir para a formação de recursos destinados à aposentadoria dos empregados.

Mas especialistas alertam que o projeto pode acabar causando prejuízos para o trabalhador em caso de falência da empresa, além de torná-lo ainda mais dependente do empregador. Para diminuir os riscos de falência, o SPD propõe e criação de um fundo de proteção às empresas.

Já o sindicatos temem que, na prática, o investimento de parte dos salários na empresa acabe resultando numa diminuição dos vencimentos dos empregados.

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