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Economia

Três anos de green card

Introduzido a 1º de agosto de 2000, após debates polêmicos, o green card não atraiu tantos interessados quanto o governo esperava. Mas a coalizão social-democrata e verde continua apostando em especialistas estrangeiros.

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Concessão do documento é restrita a especialistas em TI

Atendendo a reivindicações da indústria alemã de TI, que exigia facilidades para a contratação de especialistas no exterior, o governo alemão introduziu, a 1º de agosto de 2000, o chamado green card. Apesar das reminiscências que evoca, o regulamento na verdade difere muito de seu homônimo norte-americano.

Quem possui um green card nos Estados Unidos tem a permissão de viver e trabalhar permanentemente no país. Na Alemanha, o documento concede a permissão de trabalhar por cinco anos no setor da tecnologia da informação e das comunicações, desde que a pessoa tenha um contrato de trabalho que lhe garanta vencimentos de pelo menos cinco mil euros ao mês. Quem perde o emprego e não consegue ser realocado num determinado espaço de tempo, precisa deixar o país.

Dificuldades e receios bloqueiam interesse

Precedida de debates polêmicos, a introdução do green card — que foi utilizada como tema eleitoral pelos partidos da oposição conservadora — acabou sendo aprovada pelo parlamento federal, com vigência prevista de três anos. A meta era atrair à Alemanha 20 mil especialistas em TI do exterior. O prazo terminou nesta quinta-feira (31/07) sem que a cota fosse atingida. Há três semanas, o governo decidiu prorrogá-lo por mais um ano.

Que a ressonância não correspondeu à expectativa, é um fato inconteste. Esperava-se principalmente que a embaixada da Alemanha na Índia iria registrar uma enorme procura, o que não aconteceu. O professor Subrata Kumar Mittra, que dirige o Instituto Sul-Asiático da Universidade de Heidelberg, atribui a relativa falta de interesse por parte dos indianos às dificuldades com o idioma e às tradições que os unem mais fortemente à Inglaterra e aos Estados Unidos.

O que o professor, diplomaticamente, deixa de mencionar é que muitos indianos deixaram de optar pela Alemanha por terem ouvido falar de atitudes hostis dos alemães perante estrangeiros e das dificuldades impostas pela burocracia.

Reflexos da má conjuntura

Mas o que mais entravou o sucesso do green card na Alemanha foi com certeza a crise em que o setor de TI entrou após um curto boom e a acentuada fraqueza da conjuntura em geral. Contra as dificuldades no mercado de trabalho, nem o green card ajuda.

Segundo uma pesquisa realizada por um instituto de Nurembergue na área de Munique, onde existe grande concentração de empresas do setor, 7% dos especialistas estrangeiros ajudam a compor a legião de desempregados na região. Na média geral do país, um em cada cinco dos contratados no exterior perderam o emprego já no primeiro ano de estada na Alemanha.

É com base em dados como esses que a oposição critica o programa do green card como um fracasso. Mas Berlim continua apostando nele e defendendo sua prorrogação. Bela Anda, porta-voz do governo federal, ressalta a importância abrangente do setor de TI para a economia. E lembra que cada especialista estrangeiro que vem para a Alemanha resulta na criação de pelo menos dois novos postos de trabalho.

Falta em outros setores

Uma realidade do mercado de trabalho alemão é que, ao lado da alta taxa de desemprego, existem inúmeras vagas que não conseguem ser preenchidas por falta de mão-de-obra especializada. Setores afetados são, principalmente, a indústria do turismo e de alimentos, bem como a área de saúde e de assistência à velhice. Sua reivindicação de serem incluídos no regulamento do green card não foi atendida pelo governo. O setor da TI continua sendo na Alemanha o único aberto a estrangeiros não provenientes de países da União Européia.

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