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Mundo

Trégua frustrada reduz chance de solução rápida para conflito na Síria

Após o fracasso do cessar-fogo na Síria, as chances de um fim pacífico para o conflito no país ficam cada vez mais distantes. Especialistas recomendam ouvir sociedade civil enquanto ela ainda existe.

A general view taken from inside a bullet riddled car shows sunset in the battered eastern neighbourhood of Shaar in Syria's northern city of Aleppo on October 28, 2012. Less than 24 hours before a truce negotiated by the United Nations (UN) is set to expire, mortar fire and jet bombing could be heard throughout the day as both sides exchanged small arms fire. AFP PHOTO / JAVIER MANZANO (Photo credit should read Javier Manzano/AFP/Getty Images)

Syrien Kämpfe Aleppo 28.10.2012 Rebell

Mal foi anunciada e a trégua já fracassou. Por vários dias, o enviado especial das Nações Unidas (ONU) para a Síria, Lakhdar Brahimi, vinha mediando o diálogo entre governo e rebeldes, tentando reforçar a confiança mútua. Foi tudo em vão. O cessar-fogo, que ele anunciou na sexta-feira (26/10), durou apenas algumas horas, quebrado primeiro de forma isolada, depois, sistematicamente.

A retomada da violência não causou surpresa. O jornal árabe publicado em Londres Al Hayat já anunciava, antes do cessar-fogo, que o plano servia principalmente para ganhar tempo. De acordo com o colunista do jornal, tempo era necessário por uma série de motivos: para que passe a eleição presidencial nos Estados Unidos, para que se possa sondar outros cenários de uma solução política, para reforçar as operações militares da oposição e para criar zonas de segurança no norte e no sul da Síria, aumentando a pressão sobre o regime em Damasco.

Dinâmica incontrolável

A lista de problemas não resolvidos mostra que era improvável que a trégua fosse funcionar. Já se podia prever que ambos os lados fossem usar o cessar-fogo para organizar seu fornecimento de armas. Mas sobretudo estava claro que o cessar-fogo prejudicaria principalmente o regime, porque os combatentes da oposição no norte e no sul do país vêm ganhando terreno já há algum tempo e ampliando, além disso, suas rotas de abastecimento de armas.

Embora as tropas do governo sejam superiores às dos insurgentes em termos de equipamento, a diferença vem diminuindo. Por isso, o regime enfrenta uma pressão maior que a oposição. "O regime de Assad não tem muita escolha a não ser apostar na vitória militar", afirma o cientista político Werner Ruf. Por isso, ele acredita que o apoio logístico à oposição é uma tática duvidosa do Ocidente. "É uma violação grosseira do direito internacional e do princípio de não interferência. E o conflito ganha, com isso, uma dinâmica que o torna quase impossível de controlar."

Free Syrian Army fighters eat lunch at Marat Al-Numan near Idlib October 26, 2012. Picture taken October 26, 2012. REUTERS/Shaam News Network/Handout (SYRIA - Tags: MILITARY CIVIL UNREST FOOD) FOR EDITORIAL USE ONLY. NOT FOR SALE FOR MARKETING OR ADVERTISING CAMPAIGNS. THIS IMAGE HAS BEEN SUPPLIED BY A THIRD PARTY. IT IS DISTRIBUTED, EXACTLY AS RECEIVED BY REUTERS, AS A SERVICE TO CLIENTS

Soldados oposicionistas almoçam durante a trégua. Cessar-fogo trouxe poucas horas de paz

Lógica do "tudo ou nada"

Não só o Ocidente está ativo na Síria. Os aliados de Assad − liderados por Rússia e Irã − também atuam de perto. Ambos os lados apoiam seus respectivos aliados, inclusive com armas, como sugerem relatos de combatentes de ambos os lados.

Para o jurista Naseef Naeem, da Universidade de Göttingen, é por isso que nenhum dos dois lados pode parar com a luta. "O problema é que ambas as partes não podem mais largar as armas, porque o lado que o fizer será morto pelo outro", frisa, acrescentando que ambos os lados têm, portanto, só uma escolha, que é "o tudo ou nada".

Dissolução do poder do Estado

Esta opção, no entanto, tem uma consequência fatal, pois as duas partes não lutam apenas entre si, elas indiretamente atacam o próprio Estado. Cada dia de guerra na Síria é mais um dia no processo de dissolução das instituições do país. Pode ser que o governo, que se apoderou da maior parte do Estado, seja o primeiro a se ressentir desse problema. Mas ele atinge também a sociedade, pois a infraestrutura é danificada, mais civis morrem, além de funcionários do Estado.

O cientista político Werner Ruf não acredita que o plano de uma vitória militar dê certo. "Em vez disso, a solução armada deixará mais um país em estado caótico, com uma guerra civil em andamento e sem nenhuma autoridade central, como nos casos do Iraque, do Afeganistão e da Líbia", prevê.

Naseef Naeem acredita que a desintegração do Estado, fenômeno que está se tornando comum no Oriente Médio, já está avançada na Síria. "Somos confrontados com forças assimétricas formadas localmente e religiosamente que, em suas respectivas regiões, têm tanto ou mais poder que o governo central."

A motorbike ridden by rebel fighters drives past people queuing for supplies in the northern city of Aleppo on October 27, 2012. Fighting raged across Syria and air raids struck near Damascus and in the north after a ceasefire declared for a Muslim holiday fell apart, with nearly 200 killed since it was due to take effect. AFP PHOTO/PHILIPPE DESMAZES (Photo credit should read PHILIPPE DESMAZES/AFP/Getty Images)

População em Aleppo, durante curto período de trégua

"Esta circunstância deve ser levada em consideração pelos moderadores do conflito", alerta Naeem. Embora acredite que um fim rápido da violência seja improvável, para ele a chave para acabar com o conflito é o diálogo com novos atores. Ele também considera essencial que as próximas negociações de mediação sejam realizadas por um sírio. "De preferência, uma personalidade síria respeitada, que entenda a linguagem do povo. Ela deve ser capaz de falar com as pessoas locais, não só com representantes do governo e da oposição, mas também com os cidadãos", sugere.

Tais discussões precisam ser realizadas o mais rápido possível, pois não só o Estado é danificado a cada dia de guerra. A sociedade civil também continua a ser prejudicada − estrutural, cultural e psicologicamente. Talvez o principal incentivo para o fim da violência venha da sociedade civil síria. Mas alguém tem que falar com ela, enquanto ela ainda existe.

Autora: Kersten Knipp (md)
Revisão: Francis França

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