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Mundo

Trégua dura apenas algumas horas e confrontos recomeçam em Kiev

Mesmo com o anúncio de uma trégua acordada pelo presidente e líderes oposicionistas, confrontos recomeçam no centro da capital da Ucrânia. UE e EUA ameaçam com sanções.

Apesar da trégua acordada na noite desta quarta-feira (19/02) entre presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovytch, e líderes oposicionistas, violentos confrontos entre policiais e manifestantes voltaram a acontecer no centro de Kiev nesta quinta-feira.

Um repórter fotográfico da agência Reuters afirmou ter visto 21 corpos em roupas civis em três locais da Praça da Independência. Já fontes da agência Associated Press falam em 19 mortos. A AFP fala em 25 mortos apenas esta manhã.

A presidência afirmou através de um comunicado que dezenas de policiais teriam sido mortos ou feridos. Ações de manifestantes conseguiram afastar os policiais, que haviam tomado uma das esquinas da Praça da Independência (Maidan).

Em comunicado no website da presidência, Yanukovytch havia declarado na noite de quarta-feira que as duas partes "anunciaram uma trégua e o início das negociações que visam acabar com o derramamento de sangue e estabilizar a situação do país, em benefício da paz civil".

Milhares de manifestantes permaneceram na Maidan ao longo da madrugada. As forças de segurança haviam conseguido derrubar algumas barricadas, mas os manifestantes preservaram seus domínios durante à noite e ergueram novas barricadas ateando fogo a pneus, móveis e destroços.

Alguns atiraram coquetéis molotov contra os policiais, que responderam com bombas de gás lacrimogêneo, desencadeando uma nova onda de violência na manhã desta quinta-feira.

Kiew Proteste 20.02.2014 Opfer

Dezenas morreram nos confrontos desta quinta-feira

Radicalização

A violência após a declaração de trégua pode ser uma indicação de que alguns dos elementos mais radicais entre os ativistas não concordam com os termos das negociações.

Os líderes da oposição se encontraram com Yanukovytch na noite de quarta-feira para discutir a trégua. Vitaly Klitschko, uma das principais lideranças entre os manifestantes, disse que o presidente havia assegurado que a polícia não invadiria o acampamento dos ativistas na Maidan.

A breve declaração publicada no website da presidência não ofereceu detalhes dos termos da trégua ou de como ela seria implementada. Também não informou sobre como as negociações seriam conduzidas.

Na quinta-feira, o ministério da Saúde da Ucrânia havia informado inicialmente que o número de mortos havia aumentado para 28, enquanto a quantidade de internações nos hospitais havia chegado a 287 nos dois dias de violência. Já os manifestantes, que montaram um centro médico na catedral de Kiev, afirmam que o número é significativamente maior do que o anunciado pelo governo.

Antes do anúncio da trégua, Yanukovytch havia culpado os manifestantes pela violência e disse que os líderes da oposição haviam "passado dos limites ao convocar a população para pegar em armas".

"Convoco novamente os líderes da oposição [...] a estabelecer limites entre si e as forças radicais, que provocam o derramamento de sangue e os confrontos", afirmou o presidente em nota. "Se eles não quiserem sair [dos locais dos protestos], devem reconhecer que estão apoiando os radicais", afirmou.

Kiew Proteste 20.02.2014 Polizei

A polícia conseguir avançar, mas os manifestantes ergueram novas barricadas

Possíveis sanções internacionais

Nesta quinta-feira, três ministros europeus do Exterior – da Alemanha, França e Polônia – se encaminharam a Kiev para conversar com representantes dos dois lados do conflito.

A viagem dos ministros antecede uma reunião de emergência da União Europeia (UE) em Bruxelas que poderá resultar no estabelecimento de sanções ao governo ucraniano, em resposta à recente escalada da violência no país.

As possíveis sanções poderão incluir proibições de viagem e o congelamento de bens de ucranianos no exterior, o que seria um duro golpe para os oligarcas ucranianos que apoiam Yanukovytch.

O primeiro-ministro do Exterior da França, Laurent Fabius, afirmou que ele e seus colegas irão encontrar "um caminho para o diálogo".

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, também condenou a violência e ameaçou que "haverá conseqüências" para a Ucrânia se não houver mudanças na situação. Os EUA também consideram a possibilidade de sanções.

Obama declarou que os militares ucranianos devem se excluir de situações que precisam ser resolvidas pelos civis e acrescentou que os EUA consideram o governo do país responsável pela negociação com os manifestantes.

Por outro lado, o Ministério do Exterior da Rússia descreveu a violência como uma tentativa de golpe de Estado e declarou que o governo da Rússia irá usar "toda a sua influência para restaurar a paz e a calma"

Moscou havia suspendido temporariamente o envio da próxima parcela de sua ajuda financeira a Kiev, em razão das incertezas sobre o futuro do país.

RC/lusa/ap/rtr/afp/dpa

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