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Mundo

Tomada de Palmira pelo "Estado Islâmico" desperta preocupação internacional

Organizações alertam para riscos à segurança da população e à preservação de ruínas milenares que formam importante patrimônio histórico. Triunfo jihadista também aumenta pressão sobre governo Sírio e aliados ocidentais.

A tomada da cidade síria de Palmira

por militantes do "Estado Islâmico" (EI)

despertou preocupação internacional. Além da ameaça à segurança da população local, organizações alertaram nesta quinta-feira (21/05) para o risco que a presença dos jihadistas representa à preservação de ruínas milenares, um importante patrimônio cultural localizado a poucas centenas de metros da cidade.

A diretora-geral da Unesco, Irina Bokova, disse que os combates em Palmira colocam "um dos locais mais significativos do Oriente Médio e sua população civil em perigo". Já a chefe da diplomacia da União Europeia, Federica Mogherini, destacou que "assassinatos em massa e destruição deliberada de patrimônio arqueológico e cultural na Síria e no Iraque equivalem a crimes de guerra".

A vitória dos jihadistas sobre as tropas sírias consolida um momento triunfante para o grupo terrorista, que agora ocupa mais da metade do território sírio. A conquista de Palmira aumenta a pressão não apenas sobre o governo em Damasco, mas também sobre os Estados Unidos e aliados, cuja estratégia de combate aos terroristas aposta basicamente em ataques aéreos. Há poucos dias, o EI tomara a cidade iraquiana de Ramadi.

Nesta quinta-feira, a Casa Branca admitiu que as tomadas de Palmira e de Ramadi são um revés para as forças da coalizão que lutam contra o EI. No entanto, segundo o porta-voz Josh Earnest, o presidente Barack Obama continua contrário ao envio de militares para lutar contra os jihadistas em solo.

Palmira fica situada na região central da Síria, próxima a campos de petróleo e importantes rodovias do país, que ligam a cidade de Homs a Damasco. Palmira foi a primeira cidade síria tomada pelos jihadistas diretamente das mãos da Forças Armadas sírias e seus aliados.

População deixa a cidade

Cerca de um terço dos 200 mil habitantes de Palmira deixaram a cidade nos últimos dias, em meio a combates entre soldados leais ao presidente Bashar al-Assad e insurgentes do EI. Segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, os jihadistas já ocupam

metade do território sírio

– mas boa parte dele é formada por desertos e não é habitada.

Segundo essa ONG baseada em Londres, estima-se que 462 pessoas morreram nos conflitos que antecederam à retirada das tropas sírias da região. Destas, 241 eram militares sírios e 150, combatentes do EI. Os demais eram civis.

Em Palmira, os jihadistas assumiram o controle de modernas instalações militares e de um presídio, onde já libertaram vários presos. Um vídeo amador divulgado na internet mostra militantes do EI, supostamente no presídio de Palmira, queimando uma foto gigante do presidente sírio, Bashar al-Assad.

A porta-voz da agência de Direitos Humanos da ONU, Ravina Shamdasani, disse que, segundo informações do governo sírio, o EI estaria batendo "de porta em porta" em Palmira em busca de pessoas ligadas ao governo. Ao menos 17 civis teriam sido executados nesta semana pelos jihadistas. Muitos foram decapitados.

"Queda de uma civilização"

Segundo o criador do Observatório Sírio dos Direitos Humanos, Rami Abdulrahman, os combatentes do "Estado Islâmico" teriam chegado ao sítio arqueológico da antiga cidade de Palmira nesta quinta-feira, cedo da manhã, mas não há informações sobre atos de destruição no local.

Organizações internacionais temem que o local, famoso por suas colunas romanas erguidas há 2 mil anos, tenha o mesmo destino de cidades históricas destruídas pelos terroristas no Iraque.

As ruínas foram declaradas Patrimônio da Humanidade pela Unesco. A agência das Nações Unidas descreve o local como um cruzamento entre o Império Romano, a Índia, a China e a Pérsia antiga e um testemunho da diversidade da herança cultural da humanidade.

O responsável pelo patrimônio histórico da Síria, Mamoun Abdulkarim, disse ter perdido as esperanças após a conquista dos terroristas. "Essa é a queda de uma civilização. A sociedade civilizada perdeu a batalha contra a barbárie", declarou.

MSB/rtr/dpa/ap

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