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Cultura

Tocotronic: "a harmonia é uma estratégia"

Estável como nunca, a banda lança seu oitavo álbum, com letras pessimistas e abstratas, mas uma sonoridade emocionada e empolgante. Por mais que a banda colecione sucessos, o novo álbum se chama "Kapitulation".

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Verdadeira rebeldia é capitular

A posição que o Tocotronic ocupa na cena alemã é um tanto peculiar. Desde que foi criada por Jan Müller (baixo), Arne Zank (bateria) e Dirk von Lowtzow (guitarra e vocal) em 1993, a banda é envolta por uma aura de estabilidade: a certeza de que os meninos estão na ativa e de que o próximo álbum será mais um marco em uma longa carreira.

Mas essa é só uma das várias impressões da banda. Outra é a de boas intenções: o público pode apostar que as letras serão críticas e conscientes e os temas, bem escolhidos, e que a banda continuará recusando prêmios concedidos por canais de música na TV para defender seu caráter alternativo e independente.

Cover des Albums Kapitulation von Tocotronic

Capa de 'Kapitulation'

Bem poderia ser que, por mais que a banda desfrute do apoio e do carinho do público, ninguém se preocupasse em comprar seus discos como forma de incentivo, com a certeza de que, se eu não comprar, alguém vai comprar. O que não é o caso: desde sempre os shows da banda lotam e várias semanas na parada já não são mais novidade.

Capitular para vencer

Apesar de tudo isso, o oitavo disco da banda que começou tendo que convencer seu público em pequenos bares em Hamburgo se chama Kapitulation (capitulação). Nos primeiros anos, eles se tornaram uma espécie de mito, que dependia da oralidade da cena alternativa para assegurar seu lugar ao sol.

O primeiro fã-clube da banda, Megatronic, foi criado antes mesmo que eles tivessem algum registro em disco. O primeiro single virou um pequeno fenômeno: seu título "Ich möchte Teil einer Jugendbewegung sein" (eu quero ser parte de um movimento juvenil) virou a pichação predileta de fachadas.

Tocotronic - Kapitulation Bild 3

'Minha ruína é minha meta, meu melhor papel' (de 'Mein Ruin')

Mesmo assim, o primeiro álbum só veio em 1995 e a identificação com os sons pós-grunge acabou determinando a imagem da banda (e do público) para os próximos anos: calças de veludo, jaquetas esportivas coloridas de segunda-mão e camisetas com propagandas.

A caminho do próprio amadurecimento, a banda estabeleceu por vezes longas pausas e foi se tornando cada vez mais abstrata, até mesmo rebuscada. Em 2002, o álbum Tocotronic marcou o início de uma nova fase, na qual a banda abandonava cada vez mais o punk para abraçar uma espécie progressiva de pop.

Em 2003, no décimo aniversário da banda, o americano Rick MacPhail, que já acompanhava o Tocotronic ao vivo na guitarra e no teclado, passou a ser um membro fixo do grupo e acabou concretizando ainda mais a virada sonora com novas influências. O resultado foi positivo: o disco Pure Vernunft darf niemals siegen (a pura razão nunca deve vencer) chegou à terceira posição da parada alemã, onde ficou por nove semanas.

Elogio uníssono

Pouco antes do lançamento, uma grande expectativa envolvia o oitavo álbum do grupo, tanto por parte de público quanto de crítica. Forçada pela falência do selo L'age D'or, com quem trabalhava desde o princípio, a banda assinou contrato com a gravadora Universal, o que trouxe consigo um certo suspense, uma certa suspeita. Mas a imprensa, pelo contrário, emitiu um elogio uníssono.

Tocotronic - Kapitulation Bild 1

Tocotronic: 14 anos de carreira

"A falência nunca foi cantada em alemão com tanto ritmo e, paradoxalmente, o álbum soa tão alegre, divertido e empolgante que já deveria constar entre os melhores discos de pop do ano", escreveu o jornal Tagesspiegel de Berlim.

Para a revista Spex, "não está exagerando quem diz que este é o melhor disco dos 14 anos de carreira da banda". A revista, completamente reformulada após a mudança de Colônia para Berlim, reconhece em faixas como "Harmonie ist eine Strategie" (a harmonia é uma estratégia), "Mein Ruin" (minha ruína) ou "Verschwör Dich Gegen Dich" (Conspire contra você mesmo) o emprego de um vocabulário de luta – guerra, estratégia, capitulação – para entoar melodias sentimentais, insistindo numa "dialética entre a resignação e o gozo do inalterável".

A temática das letras repetem insistentemente um gesto de negação radical, mas não uma negação ativa como é típica do rock e, sim uma negação passiva, como se hoje não houvesse nada mais intoleravelmente rebelde do que se dar por satisfeito consigo mesmo e deixar o insuportável resto passar, sem a esperança de que um dia as coisas melhorem.

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