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Cultura

"Tesouro de Munique" inclui obras de arte inéditas

Total é de mais de 1.400 peças, de Dürer a Picasso. Imprensa alemã fala da necessidade de reescrever parte da história da arte. Paradeiro do colecionador de 80 anos é desconhecido. Não há mandado de prisão contra ele.

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Obras apresentadas em Augsburg. À esquerda, autorretrato inédito de Otto Dix

Em meio às mais de 1.400 peças de arte recentemente apreendidas numa residência em Munique, encontram-se também obras-primas cuja existência era, até então, desconhecida. A informação partiu da historiadora de arte Meike Hoffmann, nesta terça-feira (05/11) na cidade de Augsburg, onde foram apresentados oficialmente 11 dos quadros.

Da lista consta um autorretrato de Otto Dix (1891-1969), possivelmente datado de 1919, e que sequer consta de seu catálogo de obras. O mesmo se aplica ao guache de uma cena alegórica por Marc Chagall (1887-1985), e ao retrato de uma mulher sentada do francês Henri Matisse (1869-1954). Estima-se que ambos provenham de meados da década de 20. Hoffmann enfatizou que a pintura de Chagall tem "um valor histórico especialmente elevado".

Outros nomes ilustres citados são Pierre-Auguste Renoir, Henri de Toulouse-Lautrec, Max Liebermann, Max Beckmann, Franz Marc e Pablo Picasso. A imprensa alemã adotou a expressão "tesouro de Munique" e já fala em "reescrever partes da história da arte do século 20". O espetacular achado não inclui, porém, apenas arte moderna, classificada como "degenerada" e confiscada pelos nazistas, mas também obras que remontam até ao século 16.

Entre os artistas antigos mais célebres, Meike Hoffmann citou Albrecht Dürer (1471–1528) e o paisagista Antonio Canaletto (1697-1768). Segundo a historiadora berlinense, à primeira vista todas as peças parecem autênticas, não havendo "absolutamente qualquer base" para que se suspeite de falsificações.

Destino das obras é imprevisível

O procurador-geral Reinhard Nemetz, que encabeça as investigações, esclareceu que na residência no bairro muniquense de Schwabing foram encontradas, atrás de uma cortina, 121 peças emolduradas e 1.285 sem moldura, perfazendo, portanto, um total de 1.406 obras – e não 1.500, como inicialmente noticiado. Elas incluem quadros a óleo, gravuras, desenhos e aquarelas.

Também ao contrário do que afirmara a imprensa alemã, o apartamento de Cornelius Gurlitt, em cuja posse as obras se encontravam, foi revistado de 28 de fevereiro a 2 de março de 2012, não no ano anterior. Segundo Nemetz, pesam contra ele acusações de sonegação de impostos e apropriação indébita. No entanto, as investigações são extremamente difíceis.

Augsburg Pressekonferenz zum Münchener Kunst-Schatz

Procurador-geral Nemetz (c) e historiadora Meike Hoffmann (d) durante coletiva de imprensa

Segundo Nemetz, desde a segunda-feira várias pessoas lhe ligam, identificando-se como proprietárias verdadeiras de uma obra ou outra. No entanto, é impossível prever quem ficará com o quê, no fim das contas, devido à complexidade do caso.

Gurlitt recebeu as peças de arte de seu pai, que era marchand durante a época nazista e havia sido encarregado pelos líderes do regime de vender no exterior obras de arte confiscadas. As obras eram confiscadas sob o pretexto de serem "arte degenerada".

O procurador mencionou que o colecionador de 80 anos concordou em colaborar com a lei, sem, no entanto, revelar o teor de suas declarações. Ele acrescentou que, no momento, os investigadores não têm contato com Gurlitt e não sabem de seu paradeiro. Tampouco há um mandado de prisão contra ele.

AV/afp/dpa

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