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Mundo

"Tesoureiro do 11 de setembro" acusado pela Justiça alemã

Procuradoria Geral da Alemanha acusa o marroquino Mounir El Motassadeq de ter planejado e organizado, com os pilotos suicidas, o atentado ao World Trade Center.

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Kay Nehm, procurador-geral alemão

A célula do terror dos pilotos kamikases tinha, na Alemanha, além de Mohammed Atta e Marwan Al Sehhi, um operador de logística: o marroquino Mounir El Motassadeq. Segundo informou nesta quinta-feira (29) o procurador-geral do país, Kay Nehm, Motassadeq está sendo acusado formalmente pela participação na morte de 3116 pessoas.

O estudante marroquino era uma espécie de tesoureiro da célula do terror montada em torno de Atta, tendo exercido um papel essencial na organização dos atentados. Além disso, Motassadeq administrava a agenda dos outros membros do grupo, de forma que suas longas ausências - provavelmente nos campos de treinamento da Al Qaeda - não fossem registradas.

Segundo as investigações, os pilotos suicidas já haviam anunciado, em meados de 2000, os atentados ao World Trade Center. Informações fornecidas por uma testemunha citam as palavras de Al Sehhi de abril ou maio de 2000: "vai haver muitos mortos" e "vocês ainda vão se lembrar de mim".

"Meninão" - Motassadeq, natural de Marrakech, imigrou em 1993 para a Alemanha, aos 19 anos. Aprendeu o idioma em Münster, jogava futebol em uma associação esportiva local e trabalhava como ajudante na cozinha de um restaurante, cujos donos perderam um filho no atentado ao WTC. O treinador do time em que jogava, Manfred Matzel, afirmou ao semanário Der Spiegel ter na memória um Motassadeq "dependente, imaturo e inseguro. Um meninão".

Em 1995, o marroquino mudou-se para Hamburgo, no norte do país, onde se matriculou na Universidade Técnica para o curso de Engenharia Elétrica. Motassadeq vivia em um alojamento de estudantes, quando, segundo o serviço secreto alemão, "começou seu processo de radicalização".

Testemunha - Acredita-se que Motassadeq conheceu Atta no mais tardar em 1996, quando assinou como testemunha o testamento deixado pelo piloto suicida. O documento foi exposto em uma mesquita local, o que leva a crer que "Atta já pensava em sua morte como mártir da causa islâmica", segundo o procurador Nehm.

Mais tarde, Motassadeq viria a conhecer Al Shehhi e Jarrah, com os quais orava com freqüência em uma mesquita de Hamburgo. O grupo de sete membros fundou na Universidade Técnica a organização Islã S.A. e promovia encontros regulares em um apartamento na cidade.

Anti-americanos e anti-semitas A partir de 1998, idéias radicais passaram a fazer parte das reuniões do grupo, que se caracterizava pelo ódio aos judeus e aos EUA. Motassadeq elogiava o Holocausto do Terceiro Reich e pregava a conversão de pessoas de outros credos ao islamismo. Segundo Nehm, o grupo caracterizava-se por "uma postura cada vez mais agressiva, radical, anti-americana e anti-semita".

No mais tardar em 1999, o grupo fundou a célula terrorista ao redor de Mohammed Atta. Enquanto este e outros membros do grupo voaram com destino ao Afeganistão, Paquistão e, por fim, aos EUA, Motassadeq manteve-se discretamente em casa, de onde cuidava da logística do projeto de terror. Motassadeq, que nega sua participação na organização, afirma que esteve apenas no Paquistão, para onde voou "com o objetivo de conhecer outras mesquitas".

Finanças - Entre outros, o estudante marroquino cuidava da conta bancária de Al Shehhis em uma agência do Dresdner Bank de Hamburgo, a partir da qual foram pagas as aulas de pilotagem dos terroristas kamikases na Flórida, de maio a agosto de 2000. Apenas três dias após os atentados em Nova York e Washington, o serviço secreto alemão levantou pistas que levaram ao nome de Motassadeq, em função das transações bancárias desta conta.

Motassadeq foi detido a 28 de novembro de 2001, quando tentava embarcar para o Marrocos. As autoridades alemãs decretaram ainda o mandado de prisão contra outros membros da célula do terror Ramzi Binalshibh, Said Bahaji e Zakariya Essabar, que estão foragidos. "Os atentados de 11 de setembro nos pegaram de surpresa e denunciaram nossa enorme deficiência de informação sobre o terrorismo islâmico", afirma um funcionário do serviço de inteligência alemão, sem querer ser identificado.

Aulas de islamismo - Após a tragédia, as autoridades deram início a uma série infindável de investigações no país. Funcionários do serviço secreto absolveram aulas e aulas sobre o islamismo, tendo travado contato, nas mais diversas universidades, com cientistas capazes de avaliar o material recolhido.

O Departamento Federal de Polícia tem, no momento, um total de 450 funcionários em ação antiterror, segundo o seu presidente Ulrich Kersten. A função primordial do Departamento é rastrear os chamados sleepers - ativistas islâmicos reservas, que vivem discretamente até serem chamados por seus comparsas a participarem de atos de terror.