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Mundo

Terroristas explodem Oásis da Paz

Berlim condena atentados a duas sinagogas, que deixaram rastro de destruição e morte em Istambul. Primeiro-ministro turco diz que intenção dos terroristas é desestabilizar a paz no país, tido como tolerante com judeus.

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Cenário de guerra na capital turca

"Que o alvo destes atentados bárbaros tenha sido sinagogas, nas quais fiéis estavam reunidos para rezar no dia de sabá, nos enche de especial horror e indignação", reagiu o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Joschka Fischer, ao ataque aos centros judaicos na capital turca. Para os judeus, o sábado é dia de sabá, dedicado ao descanso e a Deus.

Os alvos e a destruição

Os dois atentados ocorreram quase simultaneamente, matando pelo menos 20 pessoas e ferindo mais de 300. Embora testemunhas tenham falado que um carro-bomba foi pelos ares ao passar, sem parar, diante do templo Neve Shalom (Oásis da Paz), imagens do sistema de segurança mostram um carro vermelho estacionar diante da sinagoga e depois explodir.

De acordo com o grão-rabino de Istambul, Silvio Ovadio, naquele momento havia cerca de 300 fiéis no templo, no qual se celebrava o bar mitzvah, em que adolescentes judeus de 13 anos assumem suas responsabilidades civil e religiosa.

Anschlag vor der Neve Shalom Synagoge in Istanbul

Bomba abriu buraco de dois metros de profundidade no asfalto

A fachada da Neve Shalom ficou destruída. Na rua, acumularam-se destroços do centro judaico, assim como de vários prédios vizinhos. A detonação abriu uma cratera de dois metros de profundidade no asfalto e atingiu passantes a até 30 metros de distância. Entre as vítimas fatais estariam três policiais que faziam a segurança do prédio.

Construída em 1951, a sinagoga é a maior, mais esplendorosa e movimentada de Istambul e já havia sido alvo de dois atentados. Em 1986, dois terroristas palestinos entraram de assalto no templo num sabá e mataram 22 pessoas. Em 1992, uma granada feriu uma pessoa. Caso a comunidade judaica não tivesse reforçado o prédio, a sinagoga possivelmente não teria resistido ao ataque deste dia 15.

O segundo alvo foi a sinagoga Beit-Israel, a cinco quilômetros da outra. Parte do templo desabou e o grão-rabino Isak Haleva ficou levemente ferido. As conseqüências não foram maiores porque o carro-bomba explodiu numa rua lateral, provavelmente antes da hora. O Ministério do Interior da Turquia informou que estes foram os mais graves atentados da história do país.

Autoria questionada

Desta vez, a autoria do duplo atentado foi assumida pela Frente Islâmica dos Guerreiros do Grande Oriente. Em contato com a agência de notícias Anadolu, a IBDA-C justificou seu ato como contra a opressão aos muçulmanos e prometeu novas ações. O governo turco reagiu cauteloso, pois não acredita que a organização, tida como pequena, tenha condições de promover um ataque destas proporções. O Ministério do Interior da Turquia supõe que o grupo terrorista Al Qaeda, de Osama bin Laden, possa estar por trás dos atentados.

O preço pela tolerância e colaboracionismo?

Para o primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan, os terroristas visaram a estabilidade e a paz na Turquia. O país costuma orgulhar-se de ser considerado tolerante com os judeus, apesar de sua população predominantemente islâmica. A tradição remonta a quase meio milênio, quando os turcos convidaram judeus espanhóis a refugiar-se no Império Otomano, escapando da Santa Inquisição. Também durante o regime nazista na Alemanha, a Turquia abriu suas portas para abrigar refugiados judeus alemães, como Ernst Reuter, que mais tarde tornou-se prefeito de Berlim.

Hoje cerca de 20 mil pessoas judeus freqüentam 18 sinagogas em Istambul. Entretanto, a comunidade judaica na Turquia vem diminuindo nas últimas décadas. Não por anti-semitismo, ou seja, discriminação religiosa ou étnica, mas por razões políticas. Istambul tem boas relações com Tel-Aviv, inclusive militares, mas a população turca simpatiza-se com a causa palestina no conflito contra Israel. Além da tolerância com os judeus e das boas relações com Israel, radicais islâmicos como os da Al Qaeda teriam também outros motivos para atacar a Turquia. O país euro-asiático ofereceu recentemente tropas aos EUA para colaborar no Iraque, além de ter igualmente enviado soldados para o Afeganistão, que durante o regime talibã hospedava o comando do grupo terrorista de Bin Laden.

O ministro israelense do Exterior, Silvan Shalom, apontou "a tendência antiisraelense na Europa" como causa indireta dos atentados em Istambul. A forma como os meios de comunicação europeus apresentam Israel seria "terrorismo verbal" que leva ao "terrorismo verbal".

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