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Mundo

Terrorista de Hamburgo confessa contato com Al Qaeda

Iniciado em Hamburgo o primeiro julgamento contra um suspeito de envolvimento no 11 de setembro. O marroquino Mounir El Motassadeq (28) confessa participação em treinamento da Al Qaeda de Osama Bin Laden, no Afeganistão.

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Mounir al Motassadeq, sob julgamento em Hamburgo

Mounir El Motassadeq, suspeito de cooperar com a organização dos atentados contra o World Trade Center, em Nova York, e contra o Pentágono, em Washington, no dia 11 de setembro de 2001, confessou ter feito um treinamento militar em um acampamento afegão da Al Qaeda. Em seu primeiro depoimento ao Tribunal Estadual de Hamburgo, o marroquino de 28 anos negou todas as acusações que pesam contra ele. A promotoria o acusa de envolvimento com o grupo terrorista em torno de Mohammed Atta e de conivência com o assassinato de mais de 3000 pessoas, mortas nos atentados de 11 de setembro.

Dinheiro a Atta – Motassadeq também confessou ao tribunal ter mantido estreito contato com Atta e o segundo piloto responsável pela destruição do World Trade Center, Al Shehhi. Apesar de admitir que costumavam conversar sobre política e religião, o réu negou ter conhecimento dos atentados: "Atta nunca se referiu a nenhum ataque", disse. Ele afirmou saber apenas que Atta teria viajado à Chechênia, para lutar com os rebeldes. A promotoria acusa Motassadeq de ter enviado uma remessa de dinheiro para os pilotos terroristas nos EUA e ter acobertado sua ausência em Hamburgo.

Kalashnikov no Afeganistão – O réu fez um relato detalhado sobre sua estada de várias semanas no Afeganistão, para onde viajou com nome falso em 2000. Em depoimentos anteriores, Motassadeq havia negado qualquer permanência no Afeganistão. Num campo de treinamento em Kandahar, ele afirma ter obtido "uma formação militar básica" e aprendido a lidar com metralhadoras Kalashnikov. "No Islã, aprender a atirar é sempre bem visto", justificou o estudante. Segundo ele, sua família e sua esposa russa não chegaram a saber de sua viagem, sobre a qual ele teria silenciado por medo de ser preso.

Pivô em Hamburgo – Segundo a sinopse da acusação de 90 páginas, lida na abertura do julgamento, Motassadeq constituiu – com outros seis estudantes muçulmanos, em meados de 1999 – um grupo terrorista que viria a se juntar posteriormente a Mohammed Atta. Foi a partir desta estrutura organizada em Hamburgo que os terroristas planejaram os atentados de 11 de setembro.

Espera absolvição – Além disso, Motassadeq teria recebido do terrorista Al Shehhi uma procuração que lhe permitiu enviar dinheiro a seus cúmplices nos EUA. Motossadeq é acusado de saber desde o início dos planos dos atentados e de ter atuado como pivô da organização em Hamburgo. A promotoria espera pena de prisão perpétua e os advogados de defesa, Hartmut Jacobi e Hans Leistritz, pediram absolvição.

Há dez anos na Alemanha – O marroquino Motassadeq migrou para a Alemanha em 1993, tendo aprendido o idioma em Münster e mudado posteriormente para Hamburgo, onde estudou Engenharia Eletrônica na Universidade Técnica de Harburg. Foi lá que ele conheceu Mohammed Atta, em 1996, com o qual teria se encontrado pela última vez em maio de 2000. Motassadeq foi preso em 28 de novembro, em Wuppertal, e transferido em meados de outubro para um presídio em Hamburgo. O julgamento, que deverá durar até o próximo ano, incluirá o depoimento de mais de 160 testemunhas.