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Economia

Termina boicote russo à carne européia

Retaliação russa gerou indignação em Bruxelas. Longa guerra comercial entre UE e Rússia beneficiaria o Brasil.

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Brasil é maior exportador de suínos para a Federação Russa

Os protestos da União Européia contra o boicote imposto pela Rússia às carnes provenientes dos países-membros do bloco econômico surtiram efeito. Depois de um telefonema do presidente da Comissão da UE, Romano Prodi, com o premiê russo, Mikhail Fradkov, na tarde desta sexta-feira (04/06) houve um acerto de que as relações comerciais serão normalizadas a partir da próxima semana.

"A medida contradiz o desejo russo de integrar a Organização Mundial do Comércio (OMC), apoiado pelos europeus. Qualquer interrupção do comércio é inútil e injustificada", dissera o porta-voz da Comissão, Reijo Kemppinen, na quinta-feira. "Não é esse o comportamento que se espera de um potencial membro da OMC", acrescentou.

O Brasil, maior exportador da carne suína para a Rússia, poderia sair ganhando com uma longa guerra comercial. "Sem dúvida que nossas exportações para o mercado russo poderão ser beneficiadas em um curto prazo, face ao fato de que as demandas russas por estes artigos irão continuar. Todavia, há que se destacar que as tendências do crescimento das exportações brasileiras de carnes para a Federação Russa também poderão se dar no médio e longo prazo, face à excelente qualidade dos artigos brasileiros, fator aliado ao baixo custo de produção, sem qualquer tipo de subsídios governamentais, ao contrário do que ocorre na própria União Européia e em diversos outros países do mundo", disse o presidente da Câmara Brasil-Rússia, Gilberto Ramos, ainda na manhã desta sexta-feira (04/06) à DW-WORLD.

Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, as exportações brasileiras para a Rússia somaram 1,5 bilhão de dólares em 2003. O principal produto exportado foi açúcar de cana em bruto (US$ 681 milhões), seguido por carnes no valor de aproximadamente US$ 590 milhões. A maior fatia das carnes (US$ 231 milhões) foi de carcaças e meias carcaças de suínos congelados.

Sem fundamento

As autoridades européias não viam nenhum fundamento legal para o boicote, que atingiria pelo menos onze países da UE, entre eles a Alemanha e Áustria. No total, estavam ameaçadas exportações anuais de carnes no valor de 1,3 bilhões de euros da União Européia para a Rússia. O governo russo introduziu este ano cotas para a importação de carnes, a fim de fortalecer a agropecuária nacional.

A UE – principalmente a Alemanha e a Irlanda – são os maiores parceiros comerciais da Rússia nesse setor, ocupando o segundo lugar (atrás do Brasil) nas exportações da carne suína. Na venda de frangos para o mercado russo, a UE só perde para os Estados Unidos. O boicote causaria um prejuízo anual de 300 milhões de euros para a Alemanha.

Desde o último dia 1º de junho, a Rússia exige que a UE emita um certificado sanitário único para carnes de boi, porco e frango exportadas por seus 25 países-membros. Segundo a Comissão Européia, isto é juridicamente impossível, já que se trata de uma atribuição das autoridades sanitárias nacionais. "Todos os membros da OMC aceitam nossos certificados de exportação", disse Kemppinen.

Inicialmente, o Ministério da Agricultura da Rússia rejeitou qualquer concessão. "Nós explicamos os motivos da medida e não vemos possibilidades de voltar atrás em nossa decisão", dissera um porta-voz do ministério em Moscou, antes do telefonema entre Prodi e Fradkov.

A UE apóia a pretensão russa de fazer parte da OMC, mas não conta com o ingresso antes de 2006, já que a Rússia ainda precisa negociar um acordo com os Estados Unidos e o Japão. Os europeus poderiam desistir do apoio ao plano russo, se persistisse a guerra comercial.

Vingança

A Comissão da UE ressaltou que as exportações européias são seguras. "A Rússia pode enviar seus próprios inspetores para cá", disse Kemppinen. Em Bruxelas suspeita-se que o breve boicote teve motivos políticos. A Rússia estaria querendo atingir a Polônia e os países bálticos, que acabam de ingressar e são bastante dependentes das exportações agrícolas.

Para a União Européia dos Exportadores de Gado e Carne, tratou-se de um problema técnico. O governo russo estaria disposto a aceitar os velhos certificados nacionais europeus, mas isso ainda precisaria ser regulamentado em lei.

O governo alemão não quis se pronunciar sobre o assunto. "É um problema que está sendo tratado exclusivamente pela Comissão Européia, em nome de todos os países-membros, com o governo russo", declarou a assessoria de imprensa do ministério alemão da Agricultura, Alimentação e Proteção ao Consumidor à DW-WORLD.

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