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Energia poluente

10 de maio de 2007

Estudo inclui dez termelétricas da Alemanha entre as 30 mais prejudiciais ao clima na UE, arranhando a imagem do país que lidera redução das emissões de CO2 no bloco. Bruxelas critica planos para usinas a carvão fóssil.

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Termelétrica Jaenschwalde em BrandemburgoFoto: AP

De acordo com um estudo do Instituto de Ecologia Aplicada (Öko-Institut) de Freiburg, encomendado pela ONG ambientalista WWF e divulgado nesta quinta-feira (10/05) em Berlim, dez termelétricas alemãs estão entre as 30 mais poluentes da União Européia.

Seis dessas usinas estão localizadas no estados da Renânia do Norte-Vestfália, de Brandemburgo e da Saxônia. A líder alemã neste ranking negativo é a termelétrica de Niederraussen, na Renânia, que em 2006 teria emitido 27,6 toneladas de CO2 (veja a lista abaixo em PDF).

A termelétrica mais poluidora da UE, de acordo com o estudo, é a de Ágios Dimitrios, na Grécia, que despeja 1,35 kg de CO2 na atmosfera por quilowatt/hora gerado.

Segundo o WWF, a análise baseou-se em dados levantados em 2006, no âmbito do comércio de emissões. O estudo mostrou que, no ano passado, as "trinta termelétricas mais sujas" foram responsáveis pela emissão de 393 milhões de toneladas de CO2, o que corresponde a 10% das emissões européias.

Críticas a novos projetos

O WWF conclamou o governo em Berlim a finalmente cortar os subsídios e privilégios concedidos à "geração de energia prejudicial ao clima" à base de linhita [um tipo de carvão fóssil de cor acastanhada e com alto teor de carbono].

Essa política, acrescenta a organização ecológica, contradiz o discurso da chanceler federal alemã, Angela Merkel, que faz uma campanha mundial pela redução das emissões dos gases do efeito estufa e pelo uso de métodos alternativos de geração de energia.

Os planos da Alemanha, de construir pelo menos mais 26 novas termelétricas a carvão fóssil, vem sendo criticados pela Comissão Européia. O comissário de Meio Ambiente da UE, Stavros Dimas, lembrou que, sob a presidência alemã, o bloco decidiu reduzir em 20% as emissões de C02 até 2020.

A UE terá nos próximos 20 anos uma demanda adicional de 100 mil megawatts de energia. Por isso, vários países tentam aumentar a eficiência de suas termelétricas. Em média, termelétricas a carvão produzem duas vezes o volume de CO2 emitido por termelétricas a gás e até 70 vezes mais do que as hidrelétricas.

Arranhando a imagem do país

As termelétricas a linhita não só poluem o ar como também arranham a imagem da Alemanha como o país que, segundo a Agência Européia de Meio Ambiente, é líder europeu na proteção ao clima.

"Em 2005, a Alemanha foi o país que mais contribuiu com a redução do efeito estufa na UE, à frente da Finlândia e da Holanda", revelou um perito da agência na quarta-feira (09/05) em Copenhague, referindo-se a um relatório a ser divulgado em junho próximo.

De acordo com dados fornecidos por Berlim a Bruxelas, a Alemanha reduziu em 2,5% as emissões de CO2 e outros gases prejudiciais ao clima, enquanto a média européia em 2005 foi de apenas 0,8%. O país é responsável por cerca de 25% das emissões dos 15 "antigos" membros da UE. (gh)