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Cultura

Teoria da conspiração vende bem

Os acontecimentos políticos lançam sombras sobre o mercado livreiro. Sobretudo o que acontece em Washington interessa ao público leitor.

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Livro de Andreas von Bülow: 'A CIA e o 11 de Setembro'

A Feira Internacional do Livro de Frankfurt, que se encerrou na segunda-feira (13/10), confirmou a tendência no setor de não-ficção, com uma avalanche de lançamentos sobre o poder de Washington e seu envolvimento na luta contra os países que a Casa Branca considera "vilãos".

Flor de um dia

Um dos temas prediletos dos autores são os supostos interesses secretos da superpotência e seus verdadeiros motivos. Vendem especialmente bem os livros que expõem teorias sobre uma presumível conspiração relacionada com os golpes terroristas de 11 de setembro de 2001. Na opinião de Holger Heimann, redator da publicação Börsenblatt, da Associação do Comércio Livreiro Alemão, "essas teorias conspirativas — que pintam os Estados Unidos como instigador dos ataques — denotam uma profunda desconfiança frente aos EUA e sua política, e tentam explicar o que talvez seja inexplicável, quando se considera esse ato monstruoso".

No entanto, esses livros têm uma validade limitada de tempo. Heimann afirma que as obras que reagem a acontecimentos da atualidade, como a guerra no Iraque ou os atentados do 11 de setembro, desaparecem logo das prateleiras das livrarias. Mas não há como negar o sucesso dessas publicações. A maioria das editoras contam até com novas edições de suas obras.

Autores alemães

Três autores alemães participam também do atual boom desses livros : Andreas von Bülow, Mathias Bröckers e Gerhard Wisnewski. Todos publicaram teses polêmicas, segundo as quais os próprios serviços secretos americanos estavam envolvidos nos devastadores ataques ao World Trade Center e ao Pentágono.

Andreas von Bülow, ex-ministro da Pesquisa, supõe em seu livro A CIA e o 11 de Setembro que, com os ditos atentados, se pretendia despertar na população afãs de vingança, de forma que o governo tivesse carta branca para agir segundo seus planos bélicos previamente concebidos. Gerhard Wisnewski, por sua vez, manifesta em Operação 9/11 a suspeita de que as torres gêmeas foram destruídas por explosivos. O título do livro de Mathias Bröckers fala por si: Conspirações, Teorias Conspirativas e os Segredos do 11 de Setembro.

Argumentos fracos

Teorias semelhantes podem ser encontradas também entre as publicações de editoras internacionais. Mas quem afirma tais barbaridades precisa ter bons argumentos. E justamente esse é o ponto fraco desses livros, que se reportam, em parte, a fontes duvidosas. Não surpreende, portanto, que tenha irrompido um forte debate em torno de sua credibilidade.

O assunto é polêmico também no interior das editoras. Mas, para não naufragar na maré de cerca de 90 mil obras novas que se publicam todos os anos, é preciso ser rápido e recorrer, de preferência, a títulos chamativos. Heimann admite que a pressão crescente pelo êxito "talvez tenha levado a que agora apareçam livros que há cinco ou seis anos não teriam sido lançados assim, ou pelo menos não tão rapidamente".

Mas também é certo que esses êxitos de venda — como, neste caso, as passageiras teorias conspirativas, ou as autobiografias recheadas de escândalos dos famosos — contribuem para financiar livros mais sérios, porém menos populares.

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