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Mundo

Tensão se agrava em Jerusalém após morte de jovem palestino

Manifestantes entram em confronto com a polícia depois que corpo de adolescente é encontrado num bosque, esfaqueado e incinerado. Palestinos atribuem crime a ato de vingança por morte dos três jovens israelenses.

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Confrontos entre manifestantes palestinos e polícia israelense em Jerusalém Oriental

A tensão entre árabes e israelenses se agravou nesta quarta-feira (02/07), após a morte do jovem palestino Mohammed Abu Khder, de 16 anos, num aparente ato de vingança pelo recente assassinato de três jovens israelenses.

Embora a conexão entre os dois casos ainda esteja sob investigação, a notícia da morte do jovem palestino gerou protestos e confrontos em Jerusalém Oriental. Manifestantes atacaram estações de metrô de superfície e jogaram pedras na polícia, que respondeu com gás lacrimogêneo e bombas de efeito moral. Ao menos 35 pessoas ficaram feridas.

No meio da tarde, as ruas do bairro árabe de Beit Hanina ficaram desertas e cobertas de pedras e detritos. Para evitar a escalada da violência, a segurança foi intensificada e a circulação dos meios de transporte foi reduzida, disse um porta-voz da polícia israelense à agência de notícias AP. Ele acrescentou que um local sagrado na cidade antiga de Jerusalém também teve que ser fechado para visitações depois de ter sido alvo de apedrejamento.

Em comunicado, o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, culpou Israel pela morte do adolescente, e ordenou a punição dos autores do crime. "Eu exijo que o governo israelense puna os assassinos se quiser a paz entre os palestinos e Israel", afirmou o líder árabe. "Peço a Benjamin Netanyahu que condene o rapto e assassinato de Mohammad Abu Khdeir como nós condenamos o dos três israelenses."

Zusammenstöße in Jerusalem 02.07.2014

Jovens palestinos lançam rojões contra as forças israelenses

Em outra declaração, o porta-voz da presidência, Nabil Abu Rudenia, também atribuiu a culpa ao Estado judeu. "Israel é completamente responsável pelo assassinato do adolescente, e nós exigimos que os agressores sejam encontrados e que respondam pelo crime", afirmou.

O grupo islâmico Hamas ameaçou se vingar pela morte do adolescente. "Queremos enviar a nossa mensagem para a entidade sionista e seus líderes, que são diretamente responsáveis, de que nosso povo não deixará esse crime passar em branco, nem todas as matanças e destruições propagadas pelos seus colonizadores", afirmou a organização palestina. "Vocês pagarão o preço por esses crimes."

Diante do conflito causado após protestos da população, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, também condenou o ato, que chamou de "assassinato desprezível", e pediu que os dois lados não façam justiça com as próprias mãos. "O primeiro-ministro falou com o ministro da Segurança Interna, Yitzhak Aharonovitch, e pediu a abertura de um inquérito para encontrar o mais rapidamente possível os autores deste crime abominável e determinar as suas circunstâncias", afirma comunicado do gabinete de Netanyahu.

Zusammenstöße in Jerusalem 02.07.2014

Confronto no subúrbio de Shuafat, em Jerusalém Oriental

O caso

O corpo da vítima foi encontrado com marcas de facadas e indícios de incineramento num bosque na manhã desta quarta-feira, pouco após testemunhas terem visto um rapaz entrar à força num carro no bairro árabe de Beit Hanina. A vítima foi identificada pela família como sendo Mohammed Abu Khder, adolescente de 16 anos e residente de Shuafat. Ele teria sido raptado horas antes em Jerusalém Oriental.

O homicídio aconteceu poucas horas depois do enterro de três jovens israelenses que estavam desaparecidos desde 12 de junho e cujos corpos foram encontrados nesta segunda-feira. Eles teriam sido sequestrados perto de um assentamento no sul da Cisjordânia. Israel atribui o ato ao movimento islâmico Hamas.

O enterro dos israelenses foi realizado nesta terça num cemitério de Modiin, na região central de Israel. Compareceram ao evento o primeiro-ministro Netanyahu e o presidente Shimon Peres, além de dezenas de milhares de pessoas de outras partes do país.

Após a cerimônia, cerca de 200 israelenses protestaram em Jerusalém contra os sequestros. Relatos apontam que nas manifestações alguns bradavam "morte aos árabes". Dezenas de pessoas foram presas por perturbação da ordem pública, danos à propriedade e desacato à autoridade.

IP/afp/rtr/ap/lusa