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Mundo

Tensão entre Espanha e Marrocos por causa de ilhota

Agravou-se o conflito entre a Espanha e o Marrocos por causa de Perejil. Madri aumentou a pressão para Rabat retirar seus 10 ou 12 soldados que ocupam há quatro dias a ilhota desabitada no Estreito de Gibraltar.

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Rochedo do Macaco em Gibraltar

O primeiro-ministro José Maria Aznar avisou que não aceita fatos consumados. Seu secretário de Estado para questões de segurança, Pedro Morenés, ameaçou: "Se for necessário, não abriremos mão de nenhum meio legal". O ministro marroquino de Relações Exteriores, Mohammed Benaissa, rejeitou a exigência e considerou exagerado o envio de navios de guerra espanhóis armados com mísseis e canhões.

A Espanha reforçou, enquanto isso, a sua presença militar em volta da ilhota chamada pelos espanhóis de Perejil e Leila pelos marroquinos. Depois da fragata Navarra equipada com mísseis terra e ar, chegou ao porto do enclave espanhol Ceuta o navio de guerra do mesmo tipo de nome Numancia. Além disso, foi enviada mais uma fragata para o Estreito de Gibraltar, a fim de aumentar a pressão sobre o Marrocos.

Somando as duas corvetas enviadas para manobras no seu enclave Melilla, a Espanha já tem na região cinco navios de guerra e um contingente de 800 soldados. Além disso, helicópteros do tipo Cougar sobrevoam o Estreito de Gibraltar. Este é o ponto mais estreito entre a África e a Europa e onde morrem afogados muitos africanos na tentativa desesperada de entrar ilegalmente num rico país da União Européia, em busca de uma vida melhor.

Não está definido a quem pertence a ilha de 150 quilômetros quadrados situada a 200 metros da costa do Marrocos, mas os espanhóis já decidiram que são os donos. Segundo uma pesquisa de opinião pública, três quartos dos espanhóis querem que os marroquinos sejam expulsos de Perejil com uso da violência, caso não desocupem o rochedo voluntariamente.

Briga antiga

O litígio pela posse da ilha que os marroquinos chamam de Leila remonta a pelo menos 50 anos, quando a Espanha e a França desistiram de seus protetorados no norte da África. Madri reclama sua posse com base num acordo de 1956 sobre os enclaves Ceuta e Melilla. O Marrocos nega o direito espanhol sobre várias ilhas. Perejil ou Leila situa-se no enclave espanhol Ceuta. O nome da ilha nem consta no tratado entre a Espanha e a França em 1912, quando o Marrocos passou ao protetorado francês.

O envio de navios, helicópteros e tropa, após a ocupação por uma dezena de soldados marroquinos, foi para reforçar a confiança dos habitantes dos 130 mil habitantes de Ceuta em sua segurança própria e mostrar que o poder e o povo espanhol estão do lado deles, como disse o comandante do navio de guerra Navarra, Gonzalo Rodriguez. E ele garante que não está para se divertir. "Temos a bordo canhões com 14 quilômetros de alcance, defesa antiárea e alguns mísseis terra e ar", informou o comandante.

Naturalmente que ninguém acredita que o arsenal seja empregado por causa de um rochedo no mar Mediterrâneo. A nova ministra espanhola de Relações Exteriores, Ana de Palacio, telefonou para o seu colega marroquino e disse a seguir que a conversa vai ajudar a encontrar uma solução política. A ocupação da ilhota teria sido um ato hostil mas não uma invasão. O seu colega da Defesa, Frederico Trillo, por sua vez, aguarda uma resposta do Marrocos, com impaciência.

A propósito, o vice-primeiro-ministro, Mariano Rajoi, advertiu que a Espanha é o segundo parceiro comercial mais importante do Marrocos, paga muito dinheiro para a ajuda ao desenvolvimento e, além do mais, 200 mil marroquinos vivem na Espanha.