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Mundo

Tenet: um bode expiatório para o fiasco no Iraque

A renúncia do diretor da CIA não surpreende, mas sim que aconteça meses depois de descobertas as falhas do serviço secreto e pouco antes das eleições presidenciais nos EUA – observa a imprensa alemã.

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Tenet, ao depor perante Comissão do 11 de setembro

Os jornais alemães interpretam a renúncia do diretor da CIA, George Tenet, como reação à pressão que pesava sobre a Casa Branca, após o fiasco no Iraque. Bush precisava de um bode expiatório.

Berliner Zeitung: "Com George Tenet, o chefe da CIA, não rolou de forma alguma a cabeça da pessoa errada. Afinal, partiram do serviço secreto todos os contos fantásticos, mentiras e exageros sobre as armas de extermínio em massa que supostamente Saddam Hussein teria armazenado. Entre muitas outras coisas, os agentes de Tenet inventaram os laboratórios químicos móveis, que o secretário de Estado Powell elevou à categoria de fato atemorizante perante o Conselho de Segurança da ONU, para um ano depois admitir, abatido, que fora enganado por sua própria gente... Tenet não merece compaixão. Mas, neste momento, não se deve esquecer que esse homem apenas cumpriu sua obrigação: cabia a ele fornecer a justificativa para uma guerra que a Casa Branca há muito havia decidido travar."

Leipziger Volkszeitung: "Se há algo que surpreenda na renúncia de Tenet é sobretudo o fato de que o diretor do serviço secreto tenha conseguido se manter tanto tempo no cargo. Ele, que teria de saber de tudo na sua função, várias vezes admitiu desconhecer as advertências e os antecedentes que levaram ao mais terrível ataque terrorista contra os EUA. Se, apesar disso, Bush o manteve no cargo, não foi pela qualidade do seu trabalho, mas sim para não ceder um milímetro frente a seus adversários políticos e aos que duvidavam da crediblidade do seu governo. Nesse sentido, manteve sua mão protetora sobre o chefe da CIA até quando a Comissão do 11 de setembro confirmou as falhas gritantes do serviço secreto."

Thüringer Allgemeine: "Era preciso um bode expiatório. Depois dos maus-tratos de prisioneiros iraquianos, qualquer um apostaria, inicialmente, que o candidato a deixar o cargo seria o secretário da Defesa, Donald Rumsfeld. A renúncia de George Tenet, contudo, surpreende. Oficialmente, o presidente americano lamenta a decisão do chefe dos agentes secretos. Mas, no fundo, com essa jogada política, Bush espera sair da linha de fogo dos que o fuzilam com críticas. O que deixa o observador desconfiado é o fato de terem passado semanas entre as acusações contra a CIA e a renúncia de Tenet. As razões pessoais alegadas por esse alto funcionário que Bush herdou do governo anterior lembram o estilo dos politburos comunistas."

Süddeutsche Zeitung: "Quando se viaja num balão e ele começa a perder altura, recomenda-se jogar fora um pouco da carga. A surpreendente renúncia de George Tenet, o chefe supremo dos serviços secretos americanos, tem a mesma função: através dela, o presidente George Bush procura dar impulso ao seu balão que está em baixa. [...] Até o dia da eleição, em novembro, veremos se ele conseguiu ganhar impulso e subir. Os democratas e seu candidato, John Kerry, vão exigir, mais alto ainda, que outros colaboradores sejam jogados para fora. O pior para Bush é a grande inimizade que reina em sua própria equipe. Assim sendo, um desastre com o balão ainda é possível."

Deutsche Welle: "Em época de guerra, informações confiáveis dos serviços secretos são uma questão de sobrevivência. Tenet muitas vezes não conseguiu obtê-las e por isso sua renúncia é conseqüente. O presidente Bush até agora resistiu à tentação de culpar a CIA pelos erros de sua política para o Iraque. Isso pode mudar com a renúncia. O secretário de Estado Colin Powel há meses trava uma guerrinha contra a CIA, que lhe forneceu as informações falsas que ele divulgou em sua espetacular apresentação na ONU, pouco antes da invasão do Iraque. Seu prestígio sofreu com isso. Mas os EUA como um todo perderam credibilidade junto ao mundo, e o chefe do serviço secreto era um dos responsáveis por isso. Mas ele próprio estava sob a pressão da Casa Branca, de fornecer a justificativa para a guerra contra Saddam Hussein. Como a CIA trabalha e a que pressões está sujeita – tudo isso certamente será tratado quando o Congresso interrogar o sucessor de Tenet. Bush, porém, não quer saber de uma análise crítica dos serviços secretos antes das eleições. Por isso, o sucessor de George Tenet dirigirá a CIA de forma interina" – escreve o correspondente da DW em Washington, Daniel Scheschkewitz.

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