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Brasil

Tendência de queda do dólar vai se manter?

Para analistas, fatores internos, como saída ou permanência de Dilma e recuperação da credibilidade do governo perante o mercado financeiro, vão ditar o curso do câmbio.

Os últimos desdobramentos da Operação Lava Jato têm dado uma injeção de ânimo no mercado financeiro. Após a condução coercitiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o vazamento da suposta delação premiada do senador Delcídio do Amaral (PT-MS), o dólar vem apresentando queda frente à moeda brasileira.

Somente na quinta e sexta-feira passadas, o dólar caiu mais de 4%, para 3,73 reais, com as notícias de que Delcídio teria citado Lula e acusado a presidente Dilma Rousseff de interferir nas investigações da Lava Jato e a condução coercitiva do ex-presidente. Na semana passada, a queda foi de mais de 6%.

De acordo com analistas ouvidos pela DW Brasil, o mercado vem reagindo positivamente às notícias que fortalecem as chances de Dilma não concluir seu mandato, apostando em alterações no governo que poderiam abrir espaço para mudanças na política econômica, trazer confiança e ajudar na recuperação econômica do país.

Assistir ao vídeo 02:42

Que valor tem a moeda virtual?

"O mercado reage bem a qualquer situação que indique uma maior probabilidade de mudança de governo", afirma o economista Silvio Campos, da Tendências Consultoria. "Isso porque se cria a expectativa de uma alteração no modelo econômico escolhido nos últimos anos, cujos resultados foram desastrosos, gerando uma profunda crise econômica. E isso vai para o preço dos ativos na forma de desvalorização da moeda, ações de empresas etc."

Ele afirma, ainda, que os fatores políticos internos – caso não surjam novos fatores externos – vão definir o tempo em que o dólar deverá ficar na casa dos 3,70 reais. "Se Dilma ganhar força e ficar claro que não vai haver mudança de governo, certamente o dólar voltará a subir, e muito. Em contrapartida, se houver a consolidação de uma saída, há espaço para a moeda cair um pouquinho mais", diz.

A economista Cecília Melo Fernandes afirma que o mercado está à mercê do desenrolar da situação política. "O governo não tem mais quase nenhuma credibilidade e, para muitos agentes financeiros, é essencial que haja perspectiva de crescimento econômico, controle fiscal e da inflação, para que se viabilizem investimentos com alguma previsibilidade de retorno", afirma.

Montanha russa da crise e do dólar

Há algum tempo que a cotação da moeda americana vem sofrendo grandes variações na esteira da crise política e econômica. Como exemplos, o dólar chegou a custar 2,92 reais (27/04), 3,42 reais (31/07), 4,14 reais (23/09), 3,69 reais (19/11), 4,16 reais (20/01/2016), 3,98 reais (01/02) e 4,07 reais (15/02). Nesta segunda-feira (07/03), fechou com leve alta, cotado a 3,79 reais.

Entre os motivos internos dessa grande oscilação estão anúncios da deterioração das contas públicas, corte de notas de crédito e retirada do selo de bom pagador por agências de classificação de risco, resultados do Produto Interno Bruto (PIB) e, ainda, a decisão do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), de autorizar o pedido de abertura do processo de impeachment de Dilma.

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E se o dinheiro vivo deixasse de existir?

Porém, a leve queda do dólar já antes da possível delação de Delcídio e da condução coercitiva de Lula se deveu, basicamente, a dois fatores internacionais. Uma percepção geral de que o Fed (o Banco Central americano) seria mais cauteloso no ajuste da taxa de juros levou o mercado a reavaliar a perspectiva da política monetária do banco. Como resultado, o dólar parou de subir no mundo todo, e o mercado brasileiro também acompanhou a tendência.

Outro fator é a consequente recuperação dos preços de algumas commodities que estavam fragilizadas nos últimos meses – por uma dinâmica de mercado, quando o dólar sobe, as commodities caem, e vice-versa. Quando a moeda americana parou de subir, esses produtos conseguiram também um "respiro" e, consequentemente, a moeda brasileira foi favorecida.

"Ao mesmo tempo, a situação interna começou a caminhar na direção de maiores dificuldades para o governo federal, reacendendo a possibilidade de mudança prematura de governo", opina Campos, da Tendências Consultoria. "A prisão do marqueteiro [de Lula e Dilma] João Santana foi o primeiro grande choque contra o governo e reacendeu no mercado a possibilidade de que pode haver mudança de comando no país."

O dólar mais baixo beneficia não só o turista que vai viajar para fora do Brasil, mas também as importações – por exemplo, um maior investimento em máquinas e equipamentos pela indústria e um arrefecimento da inflação. Por outro lado, o real mais forte dificulta as exportações em um momento já muito desfavorável para a indústria brasileira.

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