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Cultura

"Telhados verdes": pequenos pulmões para grandes cidades

Especialistas falam à DW-WORLD sobre as vantagens da "naturação": a criação dos chamados "telhados verdes" em espaços urbanos densamente habitados.

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Telhado naturado, dois anos após criação

"De fato, as áreas verdes do município do Rio de Janeiro somam 27,51% do total da área da cidade. Considerando que o índice de área verde ideal para cada ser humano é de 12m2/habitante, o Rio estaria muitíssimo bem, com nada menos que 57,4m2/habitante. No entanto, observa-se a presença de ‘ilhas de calor’ em determinados pontos da cidade, provocadas pela falta de vegetação. Por mais que se tenha uma área verde dentro de um município, sua concentração em determinadas regiões só é benéfica para quem mora próximo", explica a arquiteta Sylvia Rola, que desenvolve na Universidade Federal do Rio de Janeiro um projeto de pesquisa sobre sistemas de naturação.

Naturação sob condições tropicais

Um procedimento amplamente disseminado em países escandinavos, os "telhados verdes" têm uma longa história também na Alemanha. E vão, aos poucos, conquistando adeptos na América Latina. O México, por exemplo, é um país onde a implantação de jardins nos telhados das edificações das grandes cidades desperta enorme interesse e aceitação.

"No momento, o governo mexicano estuda a criação de leis que regulamentam a naturação em grande escala", conta Christel Kappis, especialista do Instituto de Ciências Agrárias e Projetos em Ecologia Urbana da Universidade Humboldt de Berlim.

Além do México, os telhados verdes começam a surgir também na Bolívia (em La Paz, os primeiros projetos estão em andamento) e em Cuba, onde pesquisadores buscam soluções específicas para a naturação sob condições tropicais.

Materiais nacionais

Sylvia Rolla Dachbegrünung

Sylvia Rola: 'Naturação no Brasil ainda é tímida'

No caso brasileiro, conta Rola, a naturação ainda "é tímida, pois várias são as incógnitas a respeito de sua adaptação à realidade biotecnológica brasileira. O principal ponto de estudo é a possibilidade de se montar um sistema usando materiais e plantas tipicamente brasileiros. Isso porque, se o impermeabilizante for importado, já inviabiliza economicamente sua aplicação em grande escala".

Visando fomentar o intercâmbio científico em relação aos "telhados verdes", foi criada pela Universidade Humboldt de Berlim, com financiamento da União Européia, uma rede de cooperação entre instituições acadêmicas dos dois continentes. No projeto estiveram envolvidos pesquisadores de universidades da Alemanha, Brasil, Espanha, Grécia, Bolívia, Cuba, México e Equador.

Grupos internacionais e plataforma na internet

Através de experimentos práticos (learning by doing), foram criados grupos de trabalho voltados para a pesquisa sobre o melhor tipo de vegetação a ser utilizado em cada "telhado verde nacional". Desde então, conta Kappis, existe um intercâmbio informal entre especialistas de todas essas universidades.

Com apoio técnico da Universidade Humboldt, por exemplo, foi formada a Rednatur (Red Latinoamericana de Naturación). A idéia é criar ainda uma plataforma na internet, na qual poderão ser publicados os resultados das pesquisas relacionadas à naturação nos dois continentes.

Criação de corredores verdes

Experiment Dachbegrünung Rio de Janeiro

Experimento em naturação na UFRJ

As vantagens dos "telhados verdes" para o espaço urbano são diversas, diz Rola: "O sistema de naturação vem como uma alternativa real para sanar não só problemas como as ilhas de calor, mas também de poluição atmosférica, redução do calor transmitido para o interior das edificações. A naturação urbana trata de transformar em biótopos os edifícios e espaços urbanos, a fim de que, unidos através de corredores verdes, eles facilitem a circulação atmosférica e melhorem o microclima da cidade".

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