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Economia

Telefonia móvel 3G: a revolução foi adiada

O padrão UMTS de telefonia móvel da terceira geração (3G), adotado em 2000 pelas operadoras européias, foi considerado uma revolução tecnológica.

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Celular Motorola A820 UMTS, com tela colorida, MP3-player e capaz de receber áudio e vídeo

As operadoras européias gastaram mais de € 100 bilhões para obter as licenças 3G. Só na Alemanha, as seis licenças leiloadas pelo governo em 2002 custaram mais de € 50 milhões. Na Grã-Bretanha, as licenças saíram por mais € 35 bilhões.

Considerado uma revolução em matéria de telefonia móvel, o sistema UMTS (Universal Mobile Telecommunications System) permite a transmissão de dados - voz, áudio, texto e imagens - a uma velocidade 160 vezes maior que o atual padrão GSM e 14 vezes mais rápido que o protocolo GPRS, que é atualmente a tecnologia de celulares mais avançada.

Só há um problema: na Alemanha, a rede UMTS não entrará em operação comercial a partir do início de 2003, como havia estipulado o governo. A revolução 3G foi adiada.

O sonho adiado - A operadora britânica Vodafone havia prometido que a sua rede 3G se tornaria realidade no segundo semestre de 2002. Seria a primeira. Mas, no início de agosto, Jürgen von Kuczkowski, diretor da Vodafone na Alemanha, anunciou que o início da operação foi adiado para meados de 2003. Ele alegou que os telefones celulares UMTS, fornecidos pela Nokia e Motorola, não preenchiam o padrão de qualidade exigido.

Antes da Vodafone, todas as demais operadoras alemãs que adquiriam licenças 3G, inclusive a T-Mobile, subsidiária da gigante Deutsche Telekom, haviam igualmente adiado a entrada de operação de suas redes.

Adiamento por motivos financeiros - Mas, de acordo com o Instituto Idate da França, que acompanha o desenvolvimento do mercado internacional de telecomunicações, a causa do adiamento é outra. A construção das redes UMTS exige vultosos investimentos e as operadoras estão endividadas e sem dinheiro para bancar os investimentos necessários.

Na Suécia, por exemplo, a operadora francesa Orange pediu ao governo para adiar por três anos o lançamento da 3G: de 2003 para 2006. Além da carência de telefones celulares, a Orange alegou que não há praticamente nenhuma demanda de uma rede móvel para transmissão de dados.

As operadoras, ao que tudo indica, não levaram em consideração a opinião pública. Em 2000, uma sondagem realizada pelo instituto alemão EMNID, revelava que 71% dos alemães "provavelmente" ou "quase com certeza" não comprariam no futuro um telefone 3G.

UMTS mais caro do que se imaginava - Na mesma época, a empresa de consultoria Cluster previa que as operadoras precisariam ganhar mensalmente cerca de € 50 por cliente 3G a fim de rentabilizar seus investimentos.

Na Alemanha, os preços exorbitantes que as operadoras pagaram pelas licenças UMTS provocaram uma queda vertiginosa de suas ações.

Entre março de 2000 e março de 2001, os títulos da Deutsche Telekom, a maior operadora alemã, perderam 75% do valor. Esta queda levou finalmente à renúncia do presidente da empresa, Ron Sommer, em julho de 2002. Os exagerados investimentos na rede 3G foram considerados um dos seus erros capitais.

Segundo o jornal alemão Die Welt, o projeto da rede 3G é um "gigantesco canteiro de obras" que não renderá lucros nos próximos anos. E, sendo assim, tudo indica que os consumidores não desfrutarão tão cedo dos serviços de telefonia móvel 3G.

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