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Copa do Mundo

Tecnologia da linha do gol quer evitar polêmicas como na Copa de 1966

Pela primeira vez num Mundial, Fifa libera sistema que auxilia juízes na decisão de marcar um gol ou não. Tecnologia alemã vai capturar a localização da bola com 14 câmeras instaladas no estádio.

Até hoje, a decisão do bandeirinha soviético Tofik Bakhramov é tema de discussões calorosas. Na final da Copa do Mundo de 1966, ele foi, em parte, responsável pelo primeiro título da Inglaterra e a segunda colocação da Alemanha Ocidental no torneio.

Na final mais contestada da história das Copas, Bakhramov validou um gol na primeira etapa da prorrogação no estádio Wembley. Um chute do inglês Geoff Hurst acertou o travessão, e a bola encostou na linha do gol. Logo depois, o zagueiro alemão Wolfgang Weber limpou o lance e isolou a bola.

O juiz suíço Gottfried Dienst, que estava a apenas alguns metros de distância, ficou indeciso se fora de fato gol. Mas o bandeirinha soviético, a 40 metros do lance, teria visto a bola ultrapassar a linha e validou o polêmico gol inglês. Nascia ali uma das maiores polêmicas da história do futebol.

“Ainda hoje eu não saberia dizer se a bola entrou. E mesmo que daqui a cem anos me desenterrassem e retornasse ao mundo, eu ainda não saberia dizer”, disse Dienst, 30 anos depois do gol que levou a Inglaterra ao seu primeiro título no Mundial.

Mais justiça no futebol

Discussões como essas estão com os dias contados. Para a Copa do Mundo no Brasil, o presidente da Fifa, Joseph Blatter, resolveu lançar mão da tecnologia alemã de linha de gol GoalControl 4D.

“O sistema surgiu por um ideal. Nós pensamos que deveria existir mais justiça no futebol. Esse foi, digamos, o motor para o desenvolvimento da tecnologia da linha do gol”, diz Dirk Broichhausen, responsável pelo sistema, usado pela primeira vez na Copa das Confederações do ano passado.

Sete câmeras de alta tecnologia filmam a grande área em cada um dos lados do campo, e a posição da bola é capturada de forma contínua e automática assim que ela estiver próxima da linha do gol. Se a bola atravessar totalmente a linha de 7,32 metros de comprimento entre as duas traves, o sistema encaminha um sinal ao relógio receptor usado pelo juiz da partida. Se a bola não ultrapassar totalmente a linha do gol, nenhum sinal é enviado.

“Bem antes de ser usado pela primeira vez, o sistema foi testado por um instituto independente e acreditado pela Fifa”, afirmou Broichhausen. “O sistema é seguro e confiável”, garante.

Fußball WM England 1966 Das Wembley Tor

Geoff Hurst chuta para marcar o polêmico gol inglês na final do Mundial de 1966, contra a Alemanha

Gol ou não?

Mesmo com a invenção, muitos torcedores, porém, veem o novo sistema como um perigo: o argumento é de que a tecnologia da linha do gol seria somente o começo de mudanças que fariam com que o juiz da partida se tornasse supérfluo. O criador do sistema rechaça a preocupação: os juízes vão ser apenas auxiliados pelo sistema para tomarem decisões mais acertadas.

“Dessa forma, aumenta de forma definitiva a qualidade da decisão do juiz”, acredita Broichhausen. “A Copa do Mundo vai despertar muitas emoções e tudo vai continuar a acontecer como antes. Os jogos serão apenas mais justos."

De forma clara, o futebol ganhou mais velocidade nos últimos anos. Com jogadores cada vez mais atléticos, muitos lances são difíceis de serem vistos e corretamente avaliados a olho nu. Em torneios importantes como a Copa, o sistema é uma consequência lógica da necessidade de recorrer ao uso de ferramentas técnicas.

O Mundial não será mudado pelo sistema GoalControl: os jogos vão continuar os mesmos, somente os juízes poderão tomar suas decisões com maior segurança.

“As emoções fazem parte do futebol e são também positivas. Mas os juízes não precisam ser os responsáveis por dar essa emoção”, opina o árbitro amador Darius Kudela. Ele acredita que muitos colegas apoiam esse tipo de auxílio técnico no futebol.

Discussões, porém, não vão deixar de existir por causa da nova tecnologia – os torcedores mais conservadores podem ficar tranquilos. O gol foi de mão? O jogador estava impedido? O técnico deveria ter armado o time de outra forma? A esperança que fica é que dúvidas saudáveis como essas vão continuar a existir, independentemente da tecnologia.

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