Tchernobil e Fukushima provocam reações globais contra energia nuclear | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 20.04.2011
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Mundo

Tchernobil e Fukushima provocam reações globais contra energia nuclear

Após a catástrofe de Fukushima, vários governos revisam suas políticas de energia nuclear e a resistência ao emprego de usinas cresce em alguns países.

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Acidente em Fukushima acirrou críticas à energia nuclear

As 437 centrais nucleares existentes no mundo são responsáveis por 13% da energia produzida no planeta. Após as catástrofes nucleares de Tchernobil e Fukushima, o número de usinas atômicas pode ficar estabilizado ou mesmo diminuir.

Enquanto nos Estados Unidos e na Inglaterra o acidente no Japão não provocou debates sobre o uso de energia nuclear, na França ativistas iniciaram uma greve de fome rotativa, pedindo o fechamento da central nuclear de Fessenheim, no nordeste do país. O grupo argumenta que, além de ser a central nuclear mais antiga da França, ela foi construída em área de risco de terremoto e inundações.

País com o maior número de reatores na Europa (58), a França não pretende desistir desta forma de energia. O presidente Nicolas Sarkozy argumenta inclusive que os reatores franceses são dez vezes mais seguros do que os de outros países e que este tipo de energia é um importante instrumento de proteção do clima.

Situação na Índia

Em uma posição oficial emitida logo após o acidente em Fukushima, o governo da Índia interpretou os acontecimentos no Japão como uma mera reação química e não como incidente nuclear. Além disso, o plano de emergência estaria funcionando muito bem, assinalou a nota.

Esta posição não surpreende o ativista ambiental Praful Bidwai, já que a Índia planeja a construção de mais seis usinas nucleares, além das 20 já existentes no país. Hoje, a energia nuclear corresponde a menos de 3% da energia produzida na Índia, mas depois que as seis novas centrais entrarem em funcionamento, esta cota será de 6%. Bidwai lembra que algumas usinas serão construídas em regiões consideradas "sensíveis" sob o ponto de vista ambiental.

Atomkraftwerk in China

Usina nuclear de Fuqing na China

A resistência à energia nuclear na Índia era pequena, porém, segundo Bidwai, isso mudou. "Agora, ativistas de todo o país estão se mobilizando e fundando comitês para pressionar o governo a desistir dos planos".

"De 100 mil a 600 mil comunidades na Índia não têm energia. Elas também não vão ter fornecimento de energia nos próximos dez anos. Não há motivo para não investir em energia solar, quando quase a metade do país vive sem energia", protesta.

Cresce a discussão na China

O desastre em Fukushima também provocou debates na China, onde 2% da energia produzida têm origem nuclear. O governo está agora supervisionando todas as centrais já existentes e acirrou as exigências na segurança das 27 usinas nucleares em construção.

Conforme o diretor da organização Amigos da Natureza, Li Bo, a questão nunca foi discutida de forma tão ampla seu país. "Finalmente a opinião pública chinesa acordou. Nós ainda não sabemos exatamente qual será a lição aprendida com Fukushima", explica o integrante de uma das mais fortes ONGs chinesas em número de membros.

Na ONU, reações institucionais tímidas não acompanham o tom oposicionista dos militantes contra a energia nuclear. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, se manifestou sobre o desastre de Fukushima e os 25 anos do acidente em Tchernobil, pedindo aprimoramento nos padrões de segurança das centrais no mundo.

Demonstration gegen Atomkraft Deutschland Berlin

Manifestação em Berlim pede fim da energia nuclear

Itália desiste de programa nuclear

O governo italiano suspendeu seus planos de implementar usinas desta matriz no país, argumentando ser necessário continuar as pesquisas sobre a segurança da energia nuclear. Outros países iniciaram discussões profundas nas legislações referentes ao tema.

Na Alemanha, também a ala governista no parlamento pressiona por alterações na regulamentação do aproveitamento da energia nuclear. A chanceler federal alemã, Angela Merkel, defende uma mudança "moderada" na política energética.

Autores: Nina Werkhäuser / Marcio Pessôa
Revisão: Roselaine Wandscheer

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