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Mundo

"Tailândia tem um sistema feudal", diz especialista

Em entrevista à DW, diretor do escritório tailandês da Fundação Friedrich Ebert diz que país asiático é dominado por dinastias familiares e atribui onda de protestos a disputas políticas pelo poder.

À medida que os protestos contra o governo na Tailândia se acirram, testemunhas relatam que em alguns lugares de Bangkok a situação se parece com uma guerra civil. Milhares de manifestantes tentam ocupar a sede do governo, da polícia, o Parlamento e as empresas de mídia. O líder da oposição, Suthep Thaugsuban, lançou um ultimato à primeira-ministra Yingluck Shinawatra. Mas ela rejeita a renúncia.

O diretor do escritório da Fundação Friedrich Ebert na Tailândia diz que a segunda maior economia do Sudeste Asiático é dominada por dinastias familiares, apesar da fachada democrática. Segundo ele, nem todas as atuais reivindicações da oposição podem ser levadas a sério, por esconderem "manobras políticas" visando à conquista do poder.

DW: Qual a razão para os novos protestos na Tailândia?

Marc Saxer:O estopim imediato foi uma lei de anistia aprovada pelo Parlamento há cinco semanas. Ela possibilitaria o retorno do ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra (que governou de 2001 a 2006), atualmente no exílio, após ter sido condenado por corrupção. Além disso, o governo tem tentado democratizar a Constituição promulgada por uma junta militar, permitindo que a câmara alta do Parlamento seja eleita livremente no futuro. Os manifestantes haviam exigido que essas propostas não sejam implementadas. E o governo retirou ambas, devido à resistência.

Qual é agora o objetivo dos manifestantes, já que as duas reivindicações foram atendidas?

Temos que fazer uma distinção, já que os manifestantes não são um grupo homogêneo. Até domingo passado, a classe média de Bangkok protestava principalmente contra a corrupção e o nepotismo no governo. Desde segunda-feira da semana passada, os líderes do protesto têm pedido o "extermínio do regime de Thaksin", ou seja, o fim da influência do ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra e a remoção da democracia parlamentar como uma forma de governo. Eles querem a instituição de uma "verdadeira monarquia" ou de um "governo vindo diretamente do povo". São reivindicações que não podem ser muito levadas a sério, porque, por trás dela, estão escondidas manobras de poder político.

Thailand Proteste 02.12.2013

Analista afirma que na Tailândia protestos costumam seguir cronograma que culmina com golpe militar

A primeira-ministra Yingluck Shinawatra é irmã mais nova do chefe de governo Thaksin Shinawatra, derrubado por um golpe militar em 2006. Os protestos também são por uma abolição de uma dinastia familiar da política local?

Certamente alguns dos manifestantes veem a coisa desse modo. Mas duvido que aí esteja realmente a origem e a motivação dos líderes do protesto. Até porque a Tailândia, apesar de sua fachada democrática, ainda tem um sistema feudal, onde dinastias familiares predominam. É como, na maioria dos países, um jogo político de poder e influência.

Quem são exatamente os vermelhos e os amarelos?

Primeiros, foram formados os chamados camisas amarelas. Era uma ampla aliança social que se uniu contra o então primeiro-ministro Thaksin. Naquela época, era um agrupamento muito amplo, que reunia as velhas elites aristocráticas, burocratas, militares, o Partido Democrata, a classe média de Bangkok e a maioria da população da parte sul do país. Isso levou, em 2006, a um golpe e a um governo de uma junta militar. E os seguidores de Thaksin criaram os camisas vermelhas, contra essa influência antidemocrática. Este também é um grupo muito heterogêneo, formado, por um lado, por empresários e elites e, por outro, pela maioria da população do norte e nordeste do país. Os camisas amarelas pedem agora a abolição das eleições, porque os camisas vermelhas há anos vencem toda votação com grande vantagem.

Qual o papel do rei Bhumibol em toda essa situação? Ele pode ou pretende intervir?

Ele já fez isso no passado. É difícil avaliar agora se esse será o caso. O importante é que o rei faz aniversário na próxima quinta-feira e, tradicionalmente, profere um discurso na véspera. Ele está sendo aguardado com muita ansiedade.

Qual o papel dos militares nos atuais acontecimentos?

No passado, o cronograma era protestar e fazer barulho até que a polícia reagisse com violência, provocando mortos e feridos. Essa era sempre desculpa suficiente para os militares intervirem, visando a restaurar a paz e a ordem. Há controvérsias sobre se desta vez esse vai ser o caso. Provavelmente, o líder do protesto, Suthep Thaugsuban, espera que os militares intervenham. Alguns observadores acreditam que os militares e o governo já entraram num acordo. Outros acreditam que o que estamos vendo atualmente é, na verdade, um golpe militar que usa uma "revolta popular" como fachada.

Porträt - Marc Saxer

O alemão Marc Saxer é diretor da Fundação Friedrich Ebert na Tailândia


Os manifestantes deram um ultimato à primeira-ministra até terça-feira (03/12). Eles exigem a renúncia dela. Até que ponto a ameaça é seria?

Até certo ponto, o ultimato é esquizofrênico, porque, por um lado, a oposição cobra a renúncia do governo e, por outro, afirma que mesmo a renúncia do governo e a dissolução do Parlamento não são suficientes. A cobrança de renúncia do governo é bastante séria. A maioria dos observadores espera que isso aconteça em algum momento. A questão é sob que condições e quando isso ocorrerá. Mas podemos duvidar que as outras reivindicações além dessa realmente sejam refletidas. Com certeza, a meta é conseguir assumir o controle do Executivo − que é o objetivo dos democratas, que não conseguem vencer eleições democráticas.

Há uma solução pacífica à vista para esse conflito?

A longo prazo, estou muito otimista em relação à Tailândia. A curto prazo, é, penso eu, muito difícil fechar essa lacuna. Não há apenas uma luta de interesses, mas também de conceitos morais totalmente adversos. A discussão é em torno de questões sobre "o que é um governo legítimo", se "um governo da maioria é ou não legítimo" e sobre o "que é uma nação". E há muito pouco consenso sobre essas questões.

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