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Cultura

Tabori: mais idoso homem de teatro do mundo

O diretor nascido em Budapeste é um dos principais dramaturgos contemporâneos da língua alemã. De origem judaica, seu pai morreu em Auschwitz. Mas o teatro de Tabori ajuda a elaborar o passado nazista.

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George Tabori: 90 anos e ainda na ativa

Entre incrédulo e divertido, George Tabori comenta: "Sou o homem de teatro há mais tempo na ativa". O cidadão inglês de origem húngaro-judaica, que vive desde 1968 na Alemanha, completou 90 anos de idade em 24 de maio de 2004. Ele é um dos grandes nomes do teatro germanófono, autor de mais de 50 peças, além de quatro romances, inúmeros contos e peças radiofônicas.

Tabori não vê nem ouve mais tão bem, e a energia para escrever já não é a mesma de antes. Mas as idéias para novas peças continuam pipocando. O Berliner Ensemble – atualmente encabeçado por Claus Peymann – estreará em breve uma obra sua, Die Hinrichtung (A execução), sobre a vida perigosa dos políticos. A direção é de Tabori, naturalmente.

Ele rejeita a denominação " Regisseur" (diretor), pois lembra demais regieren (governar): "Sou um fazedor de jogos ( Spielmacher)", rebate. E lamenta o estado do teatro alemão, "que eu considerava o melhor de todos". Como o Berliner Ensemble original, sob a direção de Bertolt Brecht: "Lá vi o melhor teatro de minha vida".

Mas esses tempos passaram definitivamente, e Tabori vê com ceticismo o futuro dos palcos nacionais: "O teatro alemão não será tão destacado como antes. Não há como separar os problemas financeiros dos artísticos". Especialmente problemático é o fato de tantos atores trabalharem também para o cinema e a televisão, o que antes seria impensável: "É preciso ter uma trupe fixa com que se atue".

Mexendo no passado nazista

O pai de Tabori morreu num campo de concentração. Contudo – ou justamente por isso –, há décadas, o artista impõe-se a tarefa de ajudar os alemães a superarem seu passado nazista. Com ele, o termo "holocausto" deixou de ser tabu em cena. A seu ver o riso e o choro estão sempre muito próximos.

Sua ascendência judaica lhe permite até fazer piadas sobre o extermínio de seis milhões de judeus, durante o regime nacional-socialista. Adolf Hitler em pessoa é o protagonista da comédia de humor negro Mein Kampf (Minha luta), de 1987. Nela o miserável pintor Hitler fica conhecendo, numa república masculina de Viena, o vendedor de Bíblias Schlomo Herzl.

Atrás de cada piada, porém, se esconde uma catástrofe, o luto. Consta que o pai de Tabori, jornalista, haveria dito, a caminho da câmara de gás de Auschwitz: "Após o senhor, Herr Mandelbaum!". A mãe do dramaturgo escapou de forma desconcertante do mesmo destino. Já na fila para o trem que a levaria para o campo de extermínio, ela dirigiu-se ao comandante nazista, comunicando-lhe simplesmente que tinha a fazer em casa e queria ir embora. O oficial a deixou ir.

A peça de George Tabori Mutters Courage ( A coragem da mãe, alusão à Mãe Coragem de Brecht) trata desse episódio. Encenada pelo Münchner Kammerspiele em 1979, com Hanna Schygulla no papel principal, ela foi levada à tela 16 anos mais tarde, por Michael Verhoeven.

No fim, o Rei Lear

George Tabori afirma haver vivido em 17 países e considerar-se um estrangeiro em todo o lugar. Nascido em Budapeste, ele foi aos 18 anos para a Alemanha, onde foi boy de hotel. Em 1936, seguiu para Londres, trabalhando como jornalista e para o serviço secreto inglês.

Naturalizou-se cidadão britânico em 1945, e partiu, dois anos mais tarde, para Hollywood, onde escreveu roteiros para Alfred Hitchcock, entre outros, e traduziu Brecht para o inglês. Retornou em 1968 para Berlim, lançando-se com grande sucesso com Die Kannibalen (Os canibais).

Após dirigir em Bremen, Munique, Colônia e Bochum, Tabori fundou em 1987, em Viena, sua companhia independente, Der Kreis. Desde 1999 é um dos diretores do Berliner Ensemble. Seu último sonho, no momento: montar o Rei Lear de Shakespeare, com o ator alemão Hilmar Thate no papel-título.

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