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Mundo

Suu Kyi faz primeira visita à China

A vencedora do Prêmio Nobel da Paz Aung San Suu Kyi viaja à nação vizinha que, por muitos anos, se opôs à sua postura contra o regime militar de seu país, Myanmar. Pequim visa garantir interesses estratégicos na região.

A líder oposicionista de Myanmar Aung San Suu Kyi e membros de sua legenda, o Partido da Liga Nacional pela Democracia (NLD), chegaram à China nesta quarta-feira (10/06) para uma visita de cinco dias. Um porta-voz do NLD afirmou que a líder, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz de 1991, tem reuniões agendadas com o presidente Xi Jinping e com o premiê Li Keqiang.

A visita ocorre apesar de algumas cicatrizes históricas. O governo chinês havia, por muitos anos, condenado a posição de Aung San Suu Kyi contra o regime militar de Myanmar e foi um dos únicos psíses a não apoiar as sanções exigidas pela líder oposicionista ao governo birmanês.

Para o especialista em Myanmar Marco Bünte, da Universidade de Monash, em Kuala Lumpur, o fato de ela ter decidido participar da visita, apesar das divergências do passado, significa claramente que Aung San Suu Kyi optou pelo pragmatismo em vez de considerações ideológicas. "Ela sabe que não pode lidar apenas com o Ocidente", uma vez que não há como evitar a influência do gigantesco país vizinho, explicou.

As sanções impostas ao regime birmanês pelo Ocidente contribuíram para uma maior aproximação da nação do Sudoeste Asiático com Pequim. Ainda assim, o país "não é dependente da China. Myanmar sempre perseguiu uma linha política independente", explicou Christian Becker, do Instituto Alemão de Relações Internacionais e Segurança (SWP).

A libertação de Aung San Suu Kyi em 2011 e as eleições de 2012 no país – que contaram com a participação do NLD – possibilitaram a reaproximação de Myanmar com os Estados Unidos, que, juntamente com o Reino Unido, havia sido um dos críticos mais vorazes do governo militar de Myanmar. O presidente Barack Obama chegou a visitar o país em novembro de 2012.

Interesses chineses

O relacionamento entre os países vizinhos também foi abalado durante meses pelos conflitos étnicos na fronteira, que levaram milhares de pessoas de origem chinesa a deixarem Myanmar rumo à China. Em março deste ano, uma aeronave da Força Aérea birmanesa lançou uma bomba no território do país vizinho, matando cinco chineses. Pequim respondeu com a realização de exercícios militares na fronteira.

Apesar de tudo, a China continua sendo o maior investidor em Myanmar, o que desagrada muitos no país. "Entre a população, há um descontentamento com os investimentos chineses, que muitas vezes acarretam danos ambientais e consequências sociais negativas, como a apropriação de terras", explica Bünte.

Entretanto, para Pequim, os investimentos no país vizinho são fundamentais pelo "acesso a recursos e importância estratégica", analisa o especialista da Universidade de Monash, uma vez que Myanmar possibilita o acesso chinês ao Oceano Índico.

Becker, por sua vez, ressalta a importância de Myanmar para a China como um país de trânsito. Um exemplo seria a rede de oleodutos e gasodutos que ligará o porto birmanês de Sittwe à cidade de Kunming, no sul da China.

Para Pequim, a visita de Suu Kyi não deixa de ser também um investimento no futuro. "A liderança chinesa espera, obviamente, que ela venha a ter mais influência no país, após as eleições de novembro". Até o momento, o NLD conseguiu vencer por ampla maioria todas as eleições livres de que participou.

Myanmar Flüchtlingsboot

A visita ocorre em meio à grave crise dos refugiados no Sudeste Asiático, que muitos atribuem a Myanmar

Tragédia migratória

A visita ocorre em meio à

grave crise dos refugiados no Sudeste Asiático

, pela qual Myanmar é responsabilizado. Nas últimas semanas, milhares de barcos de refugiados foram resgatados ou encalharam junto às costas da Malásia e Indonésia, e estima-se que ainda haja milhares em alto mar.

A maior parte dos refugiados é composta por muçulmanos da etnia rohingya provenientes do Myanmar e por migrantes de Bangladesh. Entretanto,

o governo birmanês se recusou a assumir responsabilidade

pela atual crise migratória na região.

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