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Mundo

Suspeitos confessam massacre de grupo de estudantes no México

Desaparecidos há mais de um mês, 43 jovens podem ter sido mortos por trio que diz ter recebido ordens da polícia. Segundo procurador-geral, corpos teriam sido queimados e restos jogados num rio.

Os depoimentos de três detidos no México por envolvimento no desaparecimento de 43 estudantes no estado de Guerrero indicam que os jovens foram massacrados e queimados, disse o procurador-geral do México, Jesús Murillo Karam, nesta sexta-feira (07/11). A incineração, que durou 14 horas, teria ocorrido perto de um depósito de lixo municipal, e os restos teriam sido jogados num rio.

Nas declarações mais abrangentes até o momento sobre o caso e sua investigação, Karam mostrou a confissão dos três suspeitos gravadas em vídeo. Os detidos confessaram, na semana passada, ter assassinado um grupo de pessoas, que podem ser os 43 estudantes.

Os suspeitos pertencem ao grupo de crime organizado Guerreros Unidos e disseram ter sido encarregados pelas polícias municipais de Iguala e Cocula de levar dezenas de pessoas, algumas das quais morreram asfixiadas. Em seguida, eles relataram ter arranjado os corpos num depósito de lixo e feito uma grande fogueira com pneus, madeira e gasolina para queimá-los.

"Eu sei da enorme dor que as informações que obtivemos causam aos familiares, uma dor que todos compartilhamos", disse Karam em coletiva de imprensa. "Os depoimentos e a informação que recebemos infelizmente apontam para o assassinato de um grande número de pessoas no município de Cocula."

Mexiko Generalstaatsanwalt Jesus Murillo Karam

Karam: "Os depoimentos e a informação que recebemos infelizmente apontam para o assassinato de um grande número de pessoas no município de Cocula"

Karam disse que os jovens continuarão sendo considerados desaparecidos até que as investigações sejam concluídas.

Restos carbonizados

Karam também exibiu um vídeo que mostrava centenas de fragmentos de ossos carbonizados e dentes coletados no rio San Juan e em suas margens em Cocula, no sul do estado de Guerrero. Mais cedo nesta sexta-feira, as autoridades já haviam informado os parentes dos estudantes desaparecidos que seis sacos de restos humanos não identificados haviam sido encontrados nas margens do rio.

O procurador disse que será muito difícil extrair amostras de DNA dos restos para confirmar a identidade das vítimas, mas que a descoberta abriu um novo caminho de investigação. Testes serão realizados por especialistas na Áustria.

O procurador também confirmou que os restos humanos encontrados em valas clandestinas descobertas pouco depois do sumiço dos estudantes não são de nenhum dos 43 jovens. Os corpos eram de homens e mulheres que se acredita que tenham sido mortos em agosto.

Investigação continua

A desaparição dos alunos de magistério ocorreu em 26 de setembro em Iguala, localidade de 140 mil habitantes, situada 200 quilômetros ao sul da Cidade do México. Os estudantes foram presos e levados pela polícia após terem se apoderado de vários ônibus durante protesto. Seis jovens foram mortos e 43 desapareceram após o confronto.

Até o momento, 74 pessoas foram detidas acusadas de envolvimento no caso, incluindo o ex-prefeito de Iguala, José Luis abarca, e sua esposa. Karam disse que as autoridades estão buscando mais suspeitos.

Desde o desaparecimento dos jovens, familiares de muitos deles estão acampados em frente à escola onde estudavam, exigindo o esclarecimento do caso. "A reunião com o procurador-geral [nesta sexta-feira] foi tensa, porque não acreditamos mais neles [nas autoridades]", disse Manuel Martinez, porta-voz das famílias.

Ainda nesta sexta-feira, o presidente do México, Enrique Peña Nieto, prometeu perseguir todos os suspeitos. "Prenderemos todos os que participaram desse crime horrível", disse. "Aos pais dos jovens desaparecidos e à sociedade como um todo, asseguro que não iremos parar até que a Justiça seja feita."

LPF/ap/rtr/dpa/afp

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