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Mundo

Suspeita de assassinato pode levar à exumação do corpo de Arafat

Oito anos após a morte do líder palestino, há novas evidências de um possível envenenamento: com polônio radioativo. As autoridades palestinas estão dispostas a executar a exumação do corpo reivindicada pela viúva.

Atualmente, o mausoléu de Yasser Arafat está sendo restaurado em Ramallah. Mas, agora, quase oito anos após a morte do primeiro presidente palestino, seu descanso eterno pode vir a ser perturbado, pois a viúva Suha Arafat exige que os restos mortais de seu marido sejam exumados.

O motivo para tal está nos resultados das investigações da emissora de TV Al Jazeera, em colaboração com cientistas da Suíça. Al Jazeera encomendou ao Instituto de Radiofísica em Lausanne uma investigação das roupas de Arafat. Agora, os especialistas descobriram que ele poderia ter sido envenenado com polônio-210.

Uma evidência definitiva ainda não foi encontrada: somente uma autópsia poderá levar a um esclarecimento. Segundo dados da polícia britânica, em 2006, o ex-agente secreto russo Alexander Litvinenko foi envenenado com uma substância radioativa num restaurante de sushi. Só então surgiu a suspeita de que a morte de Arafat poderia estar relacionada ao polônio.

Não há mais DNA disponível

Al Jazeera pesquisou durante nove meses. Os especialistas suíços receberam uma bolsa com pertences pessoais de Arafat. Entre eles estavam um gorro de inverno, sua camisola hospitalar, uma escova de dente e também roupa de baixo. No documentário, os pesquisadores explicaram que tanto o cabelo quanto fluídos corporais com níveis surpreendentemente elevados de polônio-210 eram realmente de Arafat.

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TV Al-Jazeera encomendou investigação na Suíça

Não houve amostras de sangue ou urina que pudessem ser usadas para estudos comparativos, pois as de Arafat já haviam sido destruídas há alguns anos em Paris, disseram os cientistas. Em relação à equipe de médicos da Tunísia e do Egito, a emissora se deparou, no entanto, com um muro de silêncio. Nenhum dos médicos quis comentar os acontecimentos da época.

Logo após a morte de Arafat, foram levantadas as primeiras acusações de que Israel estaria por trás de sua misteriosa doença fatal. As especulações foram alimentadas por nunca ter havido uma causa de morte clara e oficial, e por Arafat ter adoecido subitamente. Num curto espaço de tempo, sua condição se deteriorou tão drasticamente, que ele teve de ser transferido de avião para a França através da Jordânia. Num hospital militar ao sul de Paris, morreu em 11 de novembro de 2004, aos 75 anos.

Especulações sobre a morte

Já naquela época, Uri Avnery, ativista israelense da paz e amigo do líder palestino desconfiava que ele fora envenenado – opinião compartilhada por grande parte da população palestina. Em conversa com a Deutsche Welle, Avnery disse achar possível que Israel tivesse algo a ver com a morte de Arafat.

Nos anos que antecederam sua morte, o líder da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) caiu em desgraça junto ao governo israelense. A partir de 2001 Israel o submeteu por várias vezes a prisão domiciliar. Em 2002, o Exército israelense destruiu grande parte de seu quartel-general, a Mukata, em Ramallah. Durante anos Arafat viveu em dois cômodos pequenos e pouco ventilados, de onde não podia sair.

As lideranças israelenses o acusaram de ter instigado a revolta violenta contra Israel e de ser responsável pelos numerosos atentados suicidas palestinos em Israel. Um ano antes da morte de Arafat, o então ministro israelense do Comércio, Ehud Olmert, declarou que seu assassinato seria uma "opção legítima". O gabinete israelense formulou até mesmo a resolução formal de "remover" Arafat, como foi chamado na ocasião.

Comissão internacional de inquérito

Mas não somente Israel esteve sob suspeita. Suha Arafat acusou a liderança palestina da época de armar "um complô" contra Arafat, para assumir o posto de seu marido. No documentário da Al Jazeera, a viúva não levantou mais essa suspeita. Em vez disso, explicou que polônio é uma substância que existe apenas em países muito avançados.

Chief Palestinian negotiator Saeb Erekat speaks during a news conference in the West Bank city of Ramallah January 2, 2012. Israeli and Palestinian negotiators will meet this week after more than a year of deadlock in peacemaking, officials said on Sunday, but both sides played down prospects of any imminent resumption of talks. REUTERS/Mohamad Torokman (WEST BANK - Tags: POLITICS)

negociador-chefe Saeb Erekat exige novas investigações

Isso é confirmado pelos pesquisadores suíços: o polônio altamente tóxico só poderia ser produzido em reatores nucleares. Isso significa que deve vir de um país onde há reatores nucleares. "Eu não preciso lembrar quem os possui", disse a Sra. Arafat.

As lideranças palestinas pretendem satisfazer os desejos da viúva e providenciar a exumação do cadáver de Arafat. No entanto, o negociador-chefe palestino, Saeb Erekat, exigiu uma comissão internacional de inquérito para o caso.

Investigações continuam

Já há dois anos funcionários da Autoridade Palestina coletam material sobre a morte de Arafat. No entanto, embaixador da missão diplomática palestina em Berlim, as possibilidades técnicas e medicinais são muito limitadas, afirma Salah Abel Shafi. Além disso, o caso Arafat nunca havia sido encerrado, declarou em entrevista à Deutsche Welle.

O pesquisador do Instituto em Lausanne François Bochud concordou em realizar a exumação de Arafat, mas somente se outros institutos fossem envolvidos, garantindo que a ação seria cientificamente confiável. Ele advertiu, no entanto, que qualquer polônio eventualmente existente já teria se degradado em grande parte. Como o corpo de Arafat repousa num mausoléu, é possível que ele esteja ainda em boas condições, disse o pesquisador.

O ativista Avnery, no entanto, é pessimista: "Se Arafat foi realmente envenenado, nós nunca saberemos quem esteve por trás", concluiu.

Autora: Diana Hodali (ca)
Revisão: Augusto Valente

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