Surpresas e ″colapsos coletivos″ marcaram Bundesliga 2006/2007 | Siga a cobertura dos principais eventos esportivos mundiais | DW | 21.05.2007
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Esporte

Surpresas e "colapsos coletivos" marcaram Bundesliga 2006/2007

A 44ª edição do Campeonato Alemão da Primeira Divisão, que terminou neste final de semana com a conquista do título pelo Stuttgart, foi uma das mais disputadas e curiosas desde 1963.

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Jogadores do Stuttgart comemoram o título

O gol histórico de Diego, a desmistificação do Bayern de Munique, a luta de mais da metade dos 18 times da Primeira Divisão contra o rebaixamento, a revelação de jovens goleiros e a surpreendente ascensão do Stuttgart foram alguns dos fatos que marcaram a temporada 2006/2007 da Bundesliga. Confira um balanço, com números fornecidos pela agência alemã de notícias DPA.

Jovem campeão e " eterno vice "

Pela quinta vez, depois de 1950, 1952, 1984 e 1992, o Stuttgart sagrou-se campeão, desta vez com a equipe mais jovem da Bundesliga – seus jogadores têm em média 25 anos de idade. Mais de 250 mil pessoas festejaram o título na noite de sábado (19/05), na capital do Estado de Baden-Württemberg.

Der VfB feiert die Meisterschaft

Brasileiro Cacau, artilheiro do Stuttgart

O time dos brasileiros Cacau e Antônio da Silva empatou em títulos com o Borussia Mönchengladbach e realizou um feito inédito na história do Campeonato Alemão: começar o certame em último lugar na tabela e se sagrar campeão.

O ranking dos clubes que mais vezes conquistaram o título alemão é liderado pelo Bayern de Munique (20), seguido pelo Nürnberg (9) e Schalke (7), que pela quinta vez se tornou vice-campeão alemão. Desde 1958, o Schalke não vence um campeonato da Primeira Divisão.

Gols , artilheiros e destaques

O futebol ofensivo introduzido por Jürgen Klinsmann na seleção alemã que disputou a Copa 2006 ainda não contagiou de todo a Bundesliga. Um total de 837 gols (2,73 por jogo) foram marcados nesta temporada, 24 a menos do que na anterior. É terceira vez consecutiva que este número cai na Bundesliga, numa clara tendência ao futebol retrancado. Em termos de chances de gol, o Werder Bremen foi o time mais ofensivo do certame, seguido pelo campeão Stuttgart.

Fussball Bundesliga VfL Bochum Hertha BSC Berlin

Theofanis Gekas (ao centro)

Com 20 gols na temporada, Theofanis Gekas é o primeiro grego a se tornar artilheiro da Bundesliga. O atacante do Bochum, que na próxima temporada disputará a Copa da Uefa pelo Bayer Leverkusen, superou Roy Makaay (Bayern de Munique) e Alexander Frei (Borussia Dortmund), ambos com 16 gols. Gekas, no entanto, marcou apenas a metade dos 40 gols assinalados por Gerd Müller, na temporada 1971/1972 pelo Bayern de Munique.

O principal destaque da temporada foi o brasileiro Diego, que encantou com dribles e passes geniais e 13 gols assinalados para o Bremen, um deles, de 62 metros de distância, considerado o “gol do ano”. O “jogador mais valioso”, na opinião de alguns analistas esportivos, porém foi Cacau, autor de 13 dos 61 gols que garantiram o título ao Stuttgart.

Entre os goleiros, as duas principais reveleções da Bundesliga 2006/2007 foram os jovens Manuel Neuer (que desbancou Frank Rost no Schalke) e René Adler, que tirou a vaga de titular de Jörg Butt no Bayer Leverkusen, clube que teve em Bernd Schneider, o “brasileiro branco” – como é chamado pela imprensa alemã – outro destaque da temporada.

Colapso coletivo , troca de técnicos

Um dos fatores que tornaram a Bundesliga 2006/2007 tão imprevisível até a última rodada foi a desintegração de várias equipes ao longo da competição. Esse fenômeno, que o jornal Tagesspiegel comparou à desordem de colapso de colônias (CCD), uma doença que ataca enxames de abelhas, atingiu o Hannover, Hamburgo, Borussia Mönchengladbach, Mainz, Borussia Dortmund, Hertha Berlim, Bayern de Munique, Alemannia Aachen e, na reta final, também o Bremen (campeão do primeiro turno) e o Schalke, vice-campeão.

Diante do colapso coletivo de seus times, 12 técnicos foram demitidos ou renunciaram durante a temporada, dois deles após o apito final da última rodada: Klaus Augenthaler, do Wolfsburg, e Michael Frontzeck, do Alemannia Aachen, equipe rebaixada para a Segunda Divisão, ao lado do Mainz e do Borussia Mönchengladbach.

O Bayern de Munique, sete vezes campeão nos últimos dez anos, teve uma das piores temporadas de sua história. A equipe de Lúcio sentiu a falta do capitão da seleção alemã, Michael Ballack (Chelsea) e o fraco desempenho de outros heróis da Copa, como Podolski, Schweinsteiger e Lahm.

A recontratação do técnico Ottmar Hitzfeld, que ganhou oito títulos em seis anos no Bayern, foi a primeira medida de uma completa reestruturação da equipe. Na lista dos prováveis reforços está Miroslav Klose, artilheiro da Copa, que teve uma temporada fraca no Bremen.

Público e xenofobia

Segundo dados inoficiais, mais de 11,8 milhões de espectadores cruzaram os portões dos estádios nesta temporada da Bundesliga. Isso corresponde a uma média de 38.847 torcedores por jogo. Como este número ainda será corrigido para baixo, assim que a Federação Alemã de Futebol dispor dos dados finais sobre ingressos vendidos, é improvável que ele supere o recorde de 11,68 milhões registrado na temporada passada.

O que os torcedores viram no gramado nem sempre foi futebol de alto nível. A falta de espírito esportivo de alguns jogadores resultou num saldo de 35 cartões vermelhos e 28 expulsões após advertências por cartão amarelo seguido de vermelho, quatro a mais do que no ano passado.

Alemannia Aachen

Alemannia Aachen levou multa de 50 mil euros por causa de manifestações racistas

Um outro fato negativo na temporada foi a volta aos estádios – ainda que em casos raros – de manifestações racistas e xenófobas por parte de torcedores. Uma das vítimas foi o brasileiro Kahê, do Borussia Mönchengladbach, que foi xingado pela torcida do Alemannia Aachen.

Decepcionante foi também mais uma vez o desempenho dos clubes alemães nos campeonatos europeus. Bayern de Munique, Werder Bremen e Hamburgo fracassaram na Liga dos Campeões; Schalke, Leverkusen, Hertha Berlim e Frankfurt, na Copa da Uefa. A equipe que foi mais longe foi o Bremen, que perdeu a semifinal da Copa da Uefa, depois de ser eliminado da Liga dos Campeões.

Apesar de não ter o melhor futebol do mundo, a Bundesliga é um paraíso para os torcedores, como destaca o jornal britânico Observer. Em nenhum outro país da Europa existe uma preocupação tão grande em reduzir os desníveis entre as equipes que disputam o campeonato nacional e em fomentar a participação dos torcedores na vida dos clubes como na Alemanha, escreve o diário. Neste sentido, a Bundesliga talvez seja a melhor liga do mundo, avalia a revista Der Spiegel. (gh)

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