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Mundo

Supertufão deixa Filipinas em estado de alerta máximo, relata ativista humanitário

O supertufão Haiyan tem ventos de até 275 quilômetros por hora e é o mais forte do mundo este ano, podendo afetar até 12 milhões de pessoas. Augustus Cerdena, da Fundação Friedrich Ebert em Manila, relata a situação.

As Filipinas estão sendo atingidas pelo furacão Haiyan, considerado um dos mais perigosos das últimas décadas. Com ventos recordes de até 275 quilômetros por hora, o supertufão já provocou a morte de ao menos três pessoas. Mais sete teriam ficado feridas. Ondas de cinco a seis metros de alturas atingiram as ilhas de Leyte e Samar.

Centenas de milhares de pessoas já deixaram suas casas nas regiões costeiras e outras regiões ameaçadas. De acordo com as autoridades filipinas, até 12 milhões de pessoas poderão ser afetadas pela tempestade.

Augustus Cerdena é coordenador do programa da Fundação Friedrich Ebert em Manila, capital do arquipélago. Em entrevista à Deutsche Welle, ele falou sobre a situação no país e como as pessoas estão se preparando para enfrentar a tempestade.

Segundo Cerdena, o que mais preocupa os filipinos são as massas de água que acompanham o furacão, que poderão provocar deslizamentos em regiões ameaçadas.

DW: Como está a situação em Manila?

Augustus Cerdena: Quando as pessoas escutam as notícias, elas ficam muito apreensivas. Mas quando saem de casa, elas ainda não percebem nada da tempestade. Como é o caso aqui no escritório da Fundação Friedrich Ebert, todos estão em alerta. Estamos prontos para fechar o escritório, caso a situação venha a piorar. Hoje à noite ou no mais tardar amanhã pela manhã, nós saberemos mais detalhes.

As pessoas estão bem informadas nas Filipinas?

Naturalmente, é difícil dizer se todos estão informados, mas nos últimos dois dias muito foi noticiado sobre a tempestade tanto na televisão quanto nos jornais. Há muita mobilização em redes sociais como Facebook e Twitter. Ou seja, todos que têm acesso a essas mídias estão bem informados.

O que está sendo noticiado no Facebook e no Twitter?

As pessoas relatam sobre como estão se preparando, como guardam alimentos, acumulam estoques e deixam as zonas de perigo.

Que notícias ou imagens chegam até você das ilhas mais ameaçadas no sul e no centro das Filipinas?

Embora eu não tenha visto fotos, vi imagens de satélite da tempestade que se aproxima. Ela é impressionante! Escutei de amigos que vivem nas ilhas Cebu e Mindanau que lá já está chovendo. A maioria deles já enviou alertas.

Esses alertas chegam a tempo?

Sempre há a possibilidade de que algumas pessoas não sejam informadas a tempo ou de que não tenham nenhuma conexão com as cidades, onde é mais fácil se pedir ajudar. Mindanau, por exemplo, é uma ilha bastante grande. Todas as regiões afetadas devem cooperar estreitamente com os serviços de emergência. Os governos locais estão preparados.

Há muitas possibilidades de chamar a atenção das pessoas para a tempestade que se aproxima. Fora de Manila, normalmente, usa-se o rádio para se chegar até os lugares mais remotos. Portanto, há um grande esforço por parte das autoridades para alertar todas as pessoas a tempo, para que elas possam empacotar seus pertences e preparar suas casas para uma possível retirada. Isso está acontecendo atualmente no sul do país.

Que medidas foram tomadas pelo governo?

O alerta máximo foi acionado. Todos os serviços de emergência foram instados a se preparar para o "pior" cenário. O objetivo anunciado é evitar vítimas! Os centros de evacuação foram identificados e preparados, os planos de retirada foram elaborados e equipes de monitoramento foram enviadas para regiões bastante ameaçadas, como próximas a rios ou em regiões de deslizamento. Atualmente, todos estão trabalhando nas regiões mais afetadas, como mostram os relatos e reportagens que reunimos por aqui.

Quais são as preocupações das pessoas? Elas sentem que estão preparadas o melhor possível?

É difícil julgar isso a partir de Manila. Não é a mesma coisa como se estivesse realmente lá. Através das redes sociais, escuto dos amigos que eles estão realmente preocupados. Não porque não tenham se preparado, mas porque não conhecem a dimensão da tempestade.

O que mais preocupa as pessoas é a pergunta de quanta água o furacão vai trazer consigo. Se é verdade que, como as estações meteorológicas estão anunciando, não haverá chuvas fortes, então será mais fácil enfrentar a tempestade.

As massas de água são o maior perigo. Se chove muito nas montanhas, isso pode provocar deslizamentos de terra. A verdadeira preocupação atualmente é a incerteza. Uma coisa é ler os relatos, outra coisa completamente diferente é vivenciar, de fato, a tempestade.

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