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América Latina

Sumiço de estudantes coloca México na mira da comunidade internacional

Especialistas defendem que comunidade internacional e sobretudo população mexicana elevem pressão para acabar com a relação entre políticos e crime organizado.

"A pressão sobre o governo mexicano aumentou", afirma o especialista em América Latina Olaf Jacob, da Fundação Konrad Adenauer. Desde os acontecimentos na cidade de Iguala, o México está em constante observação por parte da opinião pública internacional. "Uma cobertura contínua sobre um tema mexicano por um longo período de tempo – isso nunca havia acontecido."

Em Iguala, na madrugada de 26 para 27 de setembro, 43 estudantes universitários teriam sido assassinados. Oficialmente eles são considerados desaparecidos. Diversas valas coletivas com restos de 38 corpos já foram localizadas, mas os testes de DNA já realizados mostraram que eles não são dos estudantes. Até agora, 56 suspeitos foram presos, entre eles policiais e criminosos da cena do tráfico.

Para afastar queixas sobre a morosidade das investigações, o presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, recebeu nesta quarta-feira (29/10) pela primeira vez as famílias das vítimas na residência oficial de Los Pinos. Peña Nieto prometeu mais apoio, como também informações diárias sobre o andamento das investigações. O presidente colocou o esclarecimento do massacre como sua prioridade política.

Entre os familiares, no entanto, prevalece o ceticismo. Assim, eles insistiram em contratar peritos criminais da Argentina para participar das investigações, porque não confiam nas autoridades mexicanas. Isso, por sua vez, levou a novos atrasos. Como a maioria dos corpos encontrados nas valas coletivas estava carbonizada, a análise do DNA está demorando mais do que se esperava.

"Eu não vim para pedir um favor ao presidente, mas para fazer reivindicações legítimas", afirmou o pai de uma das vítimas após a visita. "Pensei que o governo fosse mais eficiente, mas ele só está fazendo dez por cento do que eu havia imaginado", acrescentou o pai, desapontado.

Studentenproteste in Mexiko ARCHIV 07.10.2014

"Iguala - berço de assassinos", diz a faixa estendida numa autoestrada

Violência desenfreada

Para especialistas, o México está passando por uma fase semelhante à vivida pela Colômbia na década de 1990. "Os cartéis no México atuam de forma especialmente violenta, com uma brutalidade que só pode ser descrita como violência desenfreada", afirma o pesquisador Günther Maihold, vice-diretor do Instituto Alemão de Política Internacional e de Segurança (SWP). Atualmente ele pesquisa o tema da criminalidade na Cidade do México.

Segundo Maihold, a razão para essa violência está, principalmente, na fragmentação dos cartéis. "A fragmentação multiplicou o número de atores da violência e intensificou a competição pelas rotas de tráfico e canais de distribuição", afirma.

O especialista em crimes financeiros Edgardo Buscaglia, da Universidade Columbia, em Nova York, diz que a sociedade mexicana não deve assistir a tudo o que está acontecendo de braços cruzados. "A sociedade civil tem de ir às ruas, como aconteceu na Colômbia em 1989, após o assassinato do candidato presidencial Luis Carlos Galán pela máfia do tráfico", defende. Segundo o especialistas, somente grandes manifestações podem forçar uma limpeza do Estado mexicano a longo prazo.

Dever parlamentar

Pena Nieto Präsident Mexiko

Peña Nieto promete esclarecimento

Além disso, Buscaglia defende que o Parlamento mexicano aprove leis para dificultar as relações entre políticos e associações criminosas. "Temos de penalizar o recebimento de propinas e o uso indevido de fundos públicos, a exemplo do que acontece na Alemanha, Japão, França e Canadá." Maihold se mostra cético. "No México, a corrupção e o crime organizado se infiltraram na estrutura do Estado. Não se deve esperar uma mudança repentina", afirma.

Maihold diz que a Colômbia e os EUA já estão apoiando o México na reforma da polícia, mas que há um erro na definição de prioridades. "As melhorias na capacitação dos policiais ocorrem, na maioria das vezes, no nível da polícia federal e em alguns estados." Para ele, o foco deveria ser voltado para as polícias locais, onde é maior a infiltração do crime organizado.

Buscaglia pede que a comunidade internacional assuma a sua responsabilidade. "Devemos fazer mais pressão sobre o México, como a Alemanha fez sobre a Colômbia nas décadas de 1980 e 1990", argumenta o professor da Universidade Columbia, ressaltando que não se deve deixar a sociedade civil mexicana sozinha nesta luta por justiça. "Do contrário, os massacres vão prosseguir."

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