Sudão do Sul tem pela frente o desafio de formar uma nação | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 15.01.2011
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Mundo

Sudão do Sul tem pela frente o desafio de formar uma nação

Caso o Sudão do Sul venha realmente a se tornar independente, como estima-se após plebiscito na região, o governo precisará constituir um Estado cujos cidadãos sintam-se parte de uma nação e não membros de uma etnia.

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Desafio é constituir uma nação reunindo várias etnias

Jogos de basquete fazem parte do dia-a-dia em Juba, a capital e maior cidade do Sudão do Sul. Os povos nômades da região são considerados os mais altos do mundo e ter dois metros de altura não é uma raridade entre a população local.

O jovem sudanês Bill Dueni, que cresceu nos Estados Unidos e regressou a seu país de origem há poucos meses, conta que o basquete é o esporte nacional mais importante no Sudão do Sul, quase tão cultuado quanto o futebol.

Südsudan Basketball

Basquete é o esporte mais popular

As pessoas adoram jogar e os jovens gastam muitas de suas horas de lazer com o esporte, que adquiriu uma dimensão política. "Jogadores profissionais do Sudão do Sul usaram o basquete, em todo o mundo, como plataforma para chamar a atenção para a situação no país durante a guerra", diz Dueni.

Sessenta e sete etnias

O esporte pode ser um meio importante para unir a população do Sudão do Sul numa só nação, pois esse é um dos maiores desafios a serem enfrentados pelo provável novo país. Mesmo que a maioria dos sudaneses do sul tenha lutado junto na guerra civil contra o norte, que durou 20 anos, ainda assim há conflitos internos entre os diversos grupos étnicos da região.

Ao todo, vivem no Sudão do Sul 67 etnias, com idiomas, culturas e costumes distintos. Não é fácil criar um sentimento nacional comum, diz Jok Madut Jok, professor de História que estudou e lecionou nos EUA e há poucas semanas regressou à sua terra natal.

Ele assumiu o cargo de vice-ministro dos Esportes e Herança Cultural do Sudão do Sul, sendo responsável por fazer sugestões de símbolos nacionais para o país, que serão escolhidos por uma assembleia popular caso a região se torne de fato independente.

"Nações crescem e são formadas, não nascem simplesmente", diz Madut. Por isso, o governo deveria trabalhar para formar essa nação, mas isso, diz ele, é muito difícil, "diante dos conflitos étnicos e da luta por matérias-primas e pelo poder em nosso país".

"Precisamos de símbolos nacionais que as pessoas possam carregar consigo. Para que elas queiram fazer parte desta nação, a cultura, a religião e a identidade delas também têm que estar representadas", conclui.

Lugar na comunidade africana

Referendum Südsudan

Presidente Salva Kiir faz parte da etnia dinka

Isso não é fácil num Estado jovem, cuja elite econômica e no poder é composta sobretudo por membros do grupo étnico dinka, facilmente reconhecível por cicatrizes na testa que se assemelham a estrias.

O presidente Salva Kiir é um dinka, bem como a maioria dos ministros e generais das Forças Armadas. Ou seja, é politicamente importante que uma assembleia popular seja convocada após a declaração de independência, na qual todos os grupos étnicos que vivem no país estejam representados, para que possam então eleger um governo.

Essa assembleia popular terá que escolher os símbolos nacionais, definir os feriados e patrimônios históricos, além de escrever a história do país e alinhavar um novo plano didático para as escolas, bem como uma nova moeda e uma língua oficial. Uma bandeira nacional e um hino o Sudão do Sul já tem. Até mesmo uma música popular foi composta e já toca nas rádios em todo o país.

A integração na região leste da África vai ajudar os sudaneses do sul na busca por uma identidade comum, já que eles se sentem mais próximos da cultura africana que da árabe, dominante no norte dos pontos de vista cultural, religioso e idiomático.

Quase 30% dos sudaneses do sul são cristãos e várias de suas línguas apresentam semelhanças com idiomas falados por outros povos africanos. Por isso, para Deng Alor, ministro da Cooperação Regional do Sudão do Sul, não há dúvidas de que o país tem um lugar a ocupar na comunidade africana.

Südsudan Mann mit Südsudan-Flagge

Constituir uma nação vai além de ter uma bandeira própria

Isso, diz ele, como no caso da União Europeia, contribuirá para a criação de um país pacífico, que priorize as boas relações com os vizinhos em vez de guerras. "É claro que somos parte da África. E queremos com certeza fazer parte da Comunidade da África Oriental. Tão logo nos tornemos independentes e reconhecidos como Estado, vamos requerer nosso lugar como membros da Comunidade da África Oriental, da União Africana e de outras organizações internacionais, como por exemplo da ONU", finaliza Alor.

Conseguir um lugar como Estado independente nos diversos grêmios internacionais e no continente africano será certamente mais fácil do que reunir os diferentes povos numa nova nação unificada. Para isso será necessária uma estrutura social transparente e democrática, que não sirva apenas a uma etnia. A implementação da democracia no Sudão do Sul dependerá, em suma, principalmente da vontade do atual governo de dividir ou não o poder.

Autora: Simone Schlindwein, de Juba (sv)

Revisão: Alexandre Schossler

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