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Mundo

Sucesso do Syriza pode embalar esquerda na Espanha

Desempenho de novo governo em Atenas pode ajudar esquerdistas do Podemos a chegar ao poder em Madri. Especialistas alertam, porém, que legenda espanhola tende a ser mais moderada do que a grega na confrontação com a UE.

Na última quinta-feira (22/01), durante o ato de encerramento da campanha eleitoral, o agora primeiro-ministro Alexis Tsipras disse, diante de milhares de gregos, que o Syriza vai protagonizar uma "onda de mudança na Europa". Ao seu lado, estava Pablo Iglesias, líder do partido esquerdista espanhol Podemos.

O Syriza, partido de Tsipras, terá oportunidade de demonstrar durante seu governo até que ponto isso é verdade. O Podemos, por sua vez, ainda tem vários meses pela frente até as eleições gerais na Espanha. Por agora, terá avaliado seu poder de convocação na Marcha pela Mudança, a ser realizada em 31 de janeiro, em Madri. Nela, espera atrair milhares de pessoas para expressar o desejo de que as coisas sejam feitas de outra forma.

O historiador Walther Bernecker, especialista em Espanha na Universidade de Erlangen-Nurembergue, diz que a vitória do Syriza pode influenciar as eleições espanholas, mas isso dependerá do quão bem-sucedido o novo governo grego será.

"Falta muito até sejam realizadas eleições na Espanha. Se as coisas foram mal na Grécia com o Syriza, o Podemos pode sair prejudicado", avalia Bernecker. "Além disso, o eleitor espanhol tem uma ideia nacional sobre sua situação. Observa a Grécia, observa a Itália. Mas são países diferentes, com problemas diferentes."

Entusiasmo do eleitorado

A popularidade do Podemos se tornou expressiva em pouco tempo. "É o fenômeno político mais fascinante da política europeia em décadas. Não me lembro de qualquer outro partido que, um ano após sua fundação, tenha tido aspirações tão sérias para governar um país", diz o jornalista Martin Dahms, correspondente em Madri desde 1994 dos jornais alemães Berliner Zeitung e Frankfurter Rundschau.

Segundo ele, o Podemos incorpora uma insatisfação que não vai desaparecer em breve e a convicção de que uma outra política é possível.

"Ele emergiu da grave crise econômica e da corrupção desenfreada e conseguiu se conectar com os movimentos sociais que surgiram ou se tornaram mais fortes depois do 15-M", ressalta, se referindo aos protestos ocorridos em 2011 na Espanha.

O próprio processo eleitoral ganhou novo interesse quando um terceiro partido com chances de vitórias entrou no jogo.

"Alguns correspondentes se perguntaram durante muito tempo como era possível que os espanhóis continuassem votando nos mesmos partidos de sempre. Até que, finalmente, começamos a ouvir falar no Podemos, um partido que nasceu como uma necessidade. Em outras palavras: seria preocupante que ele não houvesse surgido", diz Dahms.

Jogando com a incerteza

Pablo Iglesias repete quase obsessivamente que "2015 será o ano da mudança". O líder poderia estar também fazendo alusão ao slogan da campanha com a qual Felipe González ganhou de forma arrasadora as eleições de outubro de 1982 ("Pela mudança").

Para Walther Bernecker, o paralelo com o PSOE de 1982, só pode ser feito em relação às expectativas que o Podemos desperta no eleitorado. Além disso, diz, o PSOE era um partido estabelecido, com as estruturas, um programa e uma liderança clara, com a intenção de desenvolver o sistema político existente na Espanha.

"Ao Podemos, falta tudo isso: não tem tradição, não tem estruturas sólidas, não tem um programa concreto e, acima de tudo, diz que vai contra o estabelecido", explica.

Bernecker, por sua vez, diz ser possível que o entusiasmo dos eleitores caia, deixando fora de combate o partido de Iglesias.

"Neste momento de auge, vive de sua oposição ao sistema e se mantém graças à indefinição de seu programa e de suas estruturas. Quando chegar a hora de se consolidar, surgirão problemas internos e de organização. Uma única pessoa, não importa o quão carismático seja, como Pablo Iglesias, não ganha eleições ", afirma.

Pablo Iglesias PODEMOS 15.11.2014 Madrid

Pablo Iglesias, líder do partido Podemos

Vínculos com Venezuela

O processo de consolidação do Podemos não será o único obstáculo. Seus principais líderes também enfrentam um passado vinculado, em maior ou menor escala, a países como Bolívia e Venezuela. Embora nos últimos tempos evite o tema, Pablo Iglesias já considerou publicamente o modelo venezuelano como "uma referência para os países do sul da Europa".

Juan Carlos Monedero, número dois do partido, foi assessor do governo de Chávez e participou de trabalhos para os governos de Bolívia, Nicarágua, Venezuela e Equador com fins de implantar uma moeda comum e desenvolver a unidade financeira da América Latina. Vários meios de comunicação lançam dúvidas sobre o que eke ganhou por estas colaborações de forma transparente.

Possível caminho rumo à social-democracia

Fazendo um exercício de "ficção política", Martin Dahms aponta como cenário provável após a eleição geral de 2015 na Espanha a formação de uma coalizão entre Podemos e PSOE.

"Será um governo de menos ruptura do que o núcleo duro dos seguidores do Podemos imagina. Terá mais consciência social do que o atual e, quem sabe, boas ideias de como financiar a sua política pós-austeridade. Vejo o partido se movendo em direção a uma social-democracia clássica, longe de suas raízes anticapitalistas", explica.

Segundo Bernecker, o Podemos está se reorientado para as democracias sociais do norte da Europa. Fala, especialmente na Dinamarca, e em tomar o lugar que há alguns anos é ocupado pelo PSOE. O historiador não acredita que, uma vez no poder, o Podemos deixará de pagar a dívida ou avançará com medidas que sejam contra as políticas internacionais.

"A Espanha é um país avançado e muito integrado na Europa, ninguém quer deixar a Europa, nem mesmo na crise foi cogitada essa possibilidade."

Ele acredita que, se chegar ao poder, o Podemos vai lutar para melhorar a situação e não se curvar às políticas de Bruxelas e Berlim.

"Mas suas medidas estarão dentro das margens estabelecidas pelo direito internacional. Haverá uma mudança, mas vai ser reformista, não revolucionária", conclui.

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