Subsídios europeus destroem mercado do leite africano | Notícias e análises sobre a economia brasileira e mundial | DW | 19.10.2009
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Economia

Subsídios europeus destroem mercado do leite africano

Produtores de leite europeus deverão receber ajuda de 280 milhões de euros para superar a crise. Para produtores rurais europeus, tais subvenções são uma ajuda, para os africanos, no entanto, elas são uma catástrofe.

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Produtores europeus derramam leite em protesto

Derramando leite sobre as ruas ou espalhando-o sobre os campos, há semanas que produtores rurais europeus protestam, com meios drásticos, contra os baixos preços pagos por seus produtos. Também nesta segunda-feira (19/10), milhares de produtores de leite protestaram contra a política agrícola da União Europeia (UE).

Os protestos, no entanto, deram resultado. Reunidos em Luxemburgo, os ministros da Agricultura da UE discutiram novamente sobre a ajuda aos produtores de leite do bloco. A Comissão Europeia propôs a criação de um fundo especial de 280 milhões de euros. Somente os produtores rurais alemães deverão receber 50 milhões de euros.

No contexto do encontro, a comissária europeia da Agricultura, Mariann Fischer Boel, explicou que o subsídio ainda tem de ser aprovado pelos ministros europeus das Finanças e pelo Parlamento Europeu.

Leite é pó dissolvido em água

Atualmente, o preço pago ao produtor rural por um litro de leite é de 28 centavos de euro. A longo prazo, a UE pretende submeter o comércio do leite às leis de mercado. Isso provocou, nas últimas semanas, maciços protestos de produtores, principalmente em países com intensa concentração de pequenas fazendas familiares. Eles temem não poder mais concorrer, futuramente, com as assim chamadas fábricas de leite, que trabalham de forma industrial.

22.07.2009 DW-TV Journal Wirtschaft Minireportage Milchsee

Africanos não podem concorrer com produtividade da indústria europeia de alta tecnologia

Se para os produtores europeus, os subsídios da UE são uma ajuda, para os africanos, tais subvenções são uma catástrofe. Pois o excedente da produção de leite da UE é transformado em leite em pó, que é vendido então na África a preços de dumping. Contra essa concorrência, a indústria do leite do Senegal, por exemplo, não tem a menor chance.

Para a maioria dos senegaleses, leite é pó dissolvido em água. É algo branco que remonta de alguma forma a leite, é barato e, por isso, popular. Em um pequeno supermercado da capital Dacar, as prateleiras estão abarrotadas do produto. Dez diferentes marcas, a maioria da Holanda e da França.

Mercado sem chances

A maioria dos senegaleses não tem outra escolha a não ser comprar leite em pó. O que muito irrita produtores como Awa Dialò. Ela própria possui algumas vacas e dirige uma pequena empresa de leite em um subúrbio de Dacar. Ela processa o produto para obter iogurte e manteiga. Quando as vacas dão pouco leite, ela também usa leite em pó.

Awa tem inveja de seus colegas europeus, porque, diferentemente deles, ela não recebe um centavo de ajuda estatal. E não pode entender por que a Europa, por um lado, presta ajuda ao desenvolvimento a pequenos agricultores africanos, mas, por outro, priva o mercado local de qualquer chance.

Segundo Awa, "no Senegal, como na África, os produtores de leite não recebem nenhum subsídio. Por esse motivo, seus custos são muito altos. Os produtores têm de manter o gado em bom estado, de outra forma não vão obter a quantidade de leite que precisam. Têm de comprar razão, vacinar os animais... Tudo isso encarece o leite, por isso, o leite em pó é uma grande concorrência para nós."

Leite fresco

Bagurie Battilie é outro produtor que aposta em laticínios, especialmente coalhada e iogurte. Há três anos, ele abriu a Laiterie du Bergé, a única leiteria do Senegal que trabalha exclusivamente com leite fresco. Cerca de 800 produtores de leite do norte do país fornecem diariamente por volta de 5 mil litros à sua leiteria. Os negócios de Battilie correm relativamente bem.

Diese Langhorn-Zebus geben zwar nicht viel Milch, doch sie sind hervorragend an Futter und Klima in Uganda angepasst.

Zebus produzem pouco leite, mas estão perfeitamente adaptados a ração e clima africanos

Para ele e seus empregados, é difícil concorrer com as empresas locais capazes de produzir iogurte bem mais barato, porque trabalham com leite em pó europeu. O Senegal importa, anualmente, cerca de 40 mil toneladas do produto.

"O litro de leite feito a base de leite em pó custa em torno de 180 a 190 francos. Mas nós pagamos a nossos produtores 200 francos pelo litro de leite fresco. Acrescentem-se os custos do transporte e dos empregados. Quando o litro do leite chega à nossa firma, ele já custa 270 francos", calcula Battilie.

Sabor desconhecido

Leite da Europa é mais barato do que o produzido na África à porta de casa – mesmo que venha de uma vaca alimentada a alto custo em uma empresa de tecnologia de ponta, localizada a milhares de quilômetros do Senegal.

A razão do alto preço do leite local, no entanto, está no fato de os produtores africanos poderem fornecer somente uma pequena quantidade do produto. Uma vaca senegalesa produz bem menos leite do que sua colega bem alimentada na Europa. Essa situação se agrava nos períodos de seca, quando elas fornecem apenas a metade do leite produzido nos períodos de chuva.

Os produtores do leite do Senegal ainda estão bem distantes de uma produção em escala industrial. Também não se pode ter certeza se um dia eles vão chegar lá. Pois, enquanto o mercado local continuar inundado com leite em pó barato da Europa, os produtores locais não disporão dos recursos necessários para se tornarem competitivos. E o gosto do leite fresco continuará desconhecido para a maioria dos africanos.

Autor: Marc Dugge / Eleonore Uhlich (ca)
Revisão: Augusto Valente

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