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Mundo

Suíços votam restrição à imigração por razões ambientais

Os eleitores suíços vão às urnas, no domingo, decidir sobre uma medida controversa que restringiria a imigração por razões ambientais. A proposta, se aprovada, pode anunciar o fim dos laços entre a Suíça e a UE.

A iniciativa "Impeça a superpopulação – proteja o ambiente natural", apresentada pela Associação Ecopop, defende que na Suíça a imigração líquida anual (total de imigrantes menos os que deixam o país) seja limitada a 0,2% da população. Isso significaria um limite de cerca de 16 mil pessoas por ano, sendo a atual média de aproximadamente 80 mil.

O movimento, cujas propostas serão submetidas a referendo neste domingo (30/11), também reivindica que 10% da ajuda suíça ao desenvolvimento seja empregada em medidas de planejamento familiar nos países pobres.

A organização ambientalista Ecopop foi fundada no início dos anos 1970 com o fim de sensibilizar a população a respeito do impacto do crescimento populacional sobre os recursos limitados do planeta. Os ativistas da campanha afirmam que a Suíça é um dos países mais densamente povoados da Europa e que a atual taxa de imigração é insustentável.

Pequeno país, grande população

"Não estamos dizendo quem deveria vir, só que deveriam ser menos", argumenta Sabine Wirth, vice-presidente da Ecopop, descartando as acusações de xenofobia e racismo. A população da Suíça é de cerca de 8,14 milhões e vem aumentando mais de 1% ao ano, principalmente devido à imigração.

Enquanto o Departamento Federal de Estatísticas calcula que em 2035 a população nacional será de 8,84 milhões, a Ecopop afirma que, se nada for feito para conter a imigração, haverá mais de 10 milhões de habitantes na Suíça em 2025, chegando a 13,8 milhões até 2050.

O governo e os principais partidos políticos se pronunciaram contra a iniciativa, argumentando que ela não resolve os problemas ambientais e que seria prejudicial à economia. Segundo a ministra da Justiça e Polícia, Simonetta Sommaruga, a medida teria um impacto adverso sobre empresas suíças que precisam recrutar funcionários no exterior, quando não conseguem encontrar mão de obra qualificada no país.

"A economia suíça perderia a flexibilidade que tem no momento", disse Sommaruga à emissora nacional RTS. "A medida da Ecopop estabelece limites rígidos que não permitiriam que os empregadores suíços atendessem às suas necessidades em períodos em que a economia está com pleno impulso."

A Swiss Business Federation é da mesma opinião, advertindo que um limite de 16 mil imigrantes por ano iria estrangular o desenvolvimento econômico da Suíça. "O país precisa de mão de obra estrangeira qualificada para compensar o envelhecimento da população", defende o economista-chefe Rudolf Minsch.

Idas e vindas

A Ecopop responde às críticas apontando que a redução a uma imigração líquida de 16 mil significa que 91 mil pessoas ainda poderiam imigrar anualmente, já que cerca de 75 mil deixam a Suíça a cada ano.

"Claro que se pode crescer ilimitadamente, e isso ganha uma dinâmica própria," argumenta Sabine Wirth. "Com uma população mais ou menos estabilizada seria possível ter uma boa economia e sustentável".

A segunda parte da iniciativa visa reduzir o crescimento demográfico em nível internacional, ao requerer que 10% da ajuda ao desenvolvimento seja usada para o planejamento familiar, especialmente em países pobres. Ativistas da campanha apontam que planejamento familiar voluntário é um direito humano básico declarado pelas Nações Unidas em 1968.

Instituições de caridade se manifestaram contra esta proposta, alegando que ela beira o neocolonialismo e que seria mais útil a Ecopop questionar os padrões de consumo nos países ocidentais. "Nos países pobres, não há falta de contracepção, mas sim, de serviços de saúde, de educação e renda", lembra Peter Niggli, diretor da Alliance Sud, a Aliança Suíça de Organizações para o Desenvolvimento.

O modo suíço

Enquetes realizadas pelo instituto de pesquisa e sondagem GfS Bern indicam ser provável que a iniciativa da Associação Ecopop seja rejeitada no domingo. A maioria dos entrevistados (56%) se manifestou contra a proposta. Contudo o cientista político Claude Longchamp, que dirige o instituto, ressalva que não se pode descartar uma virada, caso os eleitores queiram constranger o governo, como protesto.

Em geral, o apoio à iniciativa é mais alto entre os críticos do governo e os baixo-assalariados. Tal como as demais grandes facções do país, o direitista Partido Popular Suíço (SVP) é oficialmente contra a medida. Apesar disso, cerca de 60% de seus correligionários sejam a favor de uma maior rigidez na imigração.

Num referendo em fevereiro, o eleitorado aprovou, por pequena maioria, uma iniciativa do SVP para que se instituam cotas de imigração, não especificadas. A proposta evocou a preocupação de que haveria gente demais se mudando da União Europeia para a Suíça.

O governo ainda não implementou as cotas de imigração sancionadas em referendo, e tem mais de dois anos para fazê-lo. Entretanto, qualquer ação nesse sentido ameaça colocar a Suíça em rota de colisão com a UE no tocante ao acordo de livre circulação.

Grande parte dos políticos e líderes empresariais suíços concorda que, se a atual proposta for aprovada, ela marcaria o fim das relações bilaterais com a UE.

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