Suíça liberta Roman Polanski após dez meses de prisão domiciliar | Cultura europeia, dos clássicos da arte a novas tendências | DW | 12.07.2010
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Cultura

Suíça liberta Roman Polanski após dez meses de prisão domiciliar

Vencedor de um Oscar, o diretor não será extraditado para os Estados Unidos, onde é acusado de ter mantido relações sexuais com uma menina de 13 anos em 1977.

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Diretor teve as tornozeleiras elétricas desligadas

A ministra suíça da Justiça, Eveline Widmer-Schlumpf, disse hoje à imprensa da capital Berna que todas as medidas que restringem o deslocamento do cineasta estão suspensas e ele pode movimentar-se livremente. "Polanski é um homem livre desde as 11h30 de hoje", destacou a ministra em coletiva de imprensa, reiterando ainda que a tornozeleira que o diretor vinha usando para controlar seus movimentos foi desligada.

Segundo o Ministério, os Estados Unidos se recusam a disponibilizar um protocolo com as declarações do antigo promotor, Roger Gunson, que nos anos 70 representou a queixa contra Polanski. As autoridades suíças pretendiam esclarecer se o diretor já não teria cumprido sua pena nos estados Unidos em 1977.

Os advogados do cineasta teriam feito, na ocasião, acordo com os promotores pelos quais ele passou. Mas como temia que o processo contra ele fosse reaberto, fugiu para a França.

Na época do crime, ocorrido em 1977, Polanski confessou ter mantido relações sexuais com a jovem Samantha Geimer, de 13 anos, e passou 42 dias preso. Desde então viveu na Europa, seguindo com sua carreira no cinema fora de Hollywood.

Governo francês saúda decisão

Ganhador de um Oscar pelo filme O Pianista, o cineasta de 76 anos foi detido em setembro de 2009 em Zurique, na sequência do pedido de extradição por parte dos Estados Unidos. Ele cumpriu prisão domiciliar desde 4 de dezembro em sua casa em Gstaad, após o pagamento de uma caução de 3 milhões de euros.

"Desde que comprou sua casa em Gstaad, em 2006, Roman Polanski visitou regularmente a Suíça. Contudo, as autoridades americanas ficaram anos sem apresentar nenhuma solicitação formal de extradição", explicou a juíza, afirmando ainda que o cineasta "não teria ido ao festival de Zurique em 2009, quando foi detido, se não estivesse confiante de que a viagem não implicaria em nenhuma desvantagem legal para ele", concluiu ao rejeitar o pedido dos Estados Unidos.

O novo filme do cineasta, O Escritor Fantasma, lhe rendeu o prêmio de melhor diretor no Festival de Cinema de Berlim, em fevereiro. Na ocasião, o cineasta estava impedido de receber a homenagem pessoalmente, por cumprir prisão domiciliar na Suíça. A partir de um romance de Robert Harris, o longa metragem conta a história de um "escritor fantasma" (Ewan McGregor) contratado para escrever as memórias de um antigo primeiro-ministro britânico (Pierce Brosnan).

O ministro da Cultura francês, Frederic Mitterrand, emitiu hoje um comunicado saudando a decisão da Justiça suíça. Ele foi uma das primeiras figuras públicas a criticar a prisão de Polanski. O cineasta recebeu ainda o apoio do presidente francês, Nicolas Sarkozy, assim como de inúmeras personalidades francesas.

RBC/dpa/ml/raq/mt/ck/Reuters
Revisão: Simone Lopes

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