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Economia

Stevia, planta sul-americana na mira dos europeus

De olho no mercado de adoçantes, especialistas pretendem consolidar em solo europeu o cultivo de uma planta sul-americana com um poder adoçante 300 vezes superior ao do açúcar.

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Surge um novo concorrente para o açúcar comum?

Viver sem o prazer que o açúcar proporciona é quase inimaginável nos dias de hoje. De olho no mercado de adoçantes, especialistas pretendem consolidar em solo europeu o cultivo da Stevia rebaudiana, uma planta sul-americana com um poder adoçante 300 vezes superior ao do açúcar, com a vantagem de não ser calórico.

A Stevia rebaudiana é uma planta silvestre da família dos crisântemos que produz um edulcorante – adoçante – natural não calórico. Seu consumo é crescente em todo o mundo justamente porque os glicosídios, ou seja os esteviosídeos concentrados em suas folhas, possuem poder adoçante 300 vezes superior ao da sacarose. De sabor agradável, conta com a vantagem adicional de não causar ao organismo os danos que o açúcar comum provoca, como diversas doenças degenerativas.

No Brasil, as folhas da Stevia e seu extrato são comercializados livremente, bem como em outros países latino-americanos. A planta, que séculos atrás já era utilizada pelos índios guaranis para adoçar bebidas e remédios, hoje é cultivada também em terras longínquas de sua região de origem, como Japão, China, México e Estados Unidos.

Propriedades medicinais

O interesse do mercado internacional é justificável. O adoçante extraído da Stevia é indicado para diabéticos e dietas com restrição de açúcar. Além disso, existem estudos sobre seu uso como medicamento contra doenças de pele e na prevenção de cáries, conforme explicou o engenheiro agrônomo alemão Ralf Pude, da Universidade de Bonn. Ele lembrou também que na Ásia este edulcorante é utilizado já há 20 anos em escala industrial como aditivo para adoçar refrigerantes do tipo light e também em diversas gomas de mascar.

Para se ter uma idéia da força do poder adoçante da Stevia, Pude fez uma interessante comparação: um alemão consome em média cerca de 130 gramas de açúcar diariamente. Se esta quantidade fosse substituída pelo esteviosídio, o consumo diário cairia para menos de meia grama, seis vezes menor que o peso de um torrão de açúcar.

Ingresso no mercado europeu

Consolidada em outros países, chegou a hora de a Stevia rebaudiana também ingressar com força no mercado europeu. Ralf Pude, por exemplo, coordena um projeto para o cultivo em larga escala da planta sul-americana na Europa. O estudo é bastante ambicioso e exige muita dedicação, afinal uma planta tropical não se adapta facilmente ao clima frio.

Para transpor este obstáculo, o engenheiro agrônomo está testando a resistência da Stevia para que ela não morra com temperaturas abaixo de zero.

Estudo e pesquisa

A técnica empregada serve-se de pequenas estufas que controlam a refrigeração. A resistência da Stevia ao frio é assim testada. As mudas que ficam lá dentro são monitoradas, incluíndo até o sabor do adoçante extraído de suas folhas. A idéia é introduzir na Alemanha a produção de mudas de Stevia por estaquia dividida em diversas etapas com o uso de estufas.

Até que o plantio da Stevia ganhe espaço na Europa, deve transcorrer um bom tempo. Isto porque a Organização Mundial da Saúde ainda precisa aprovar o uso do esteviosídeo. A previsão é de que até 2007 esteja concluído o estudo toxicológico sobre os efeitos deste adoçante no organismo humano. Apesar de não ser considerado oficialmente tóxico nem causar os mesmos danos que o açúcar comum, suas propriedades ainda não foram totalmente pesquisadas.

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