Steinmeier: UE deve considerar acolher detentos de Guantánamo | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 25.01.2009
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Mundo

Steinmeier: UE deve considerar acolher detentos de Guantánamo

Ministro alemão das Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier, lembra que os europeus defenderam o fechamento de Guantánamo e diz que a UE deve estar preparada para acolher prisioneiros oriundos do campo de detenção.

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Prisioneiros no campo de Guantánamo

O ministro alemão das Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier, disse que os países da União Europeia (UE) devem estar preparados para receber os detentos que estão no campo de Guantánamo. "Se nós falharmos e assim postergarmos o fechamento, isso terá consequências", avaliou em entrevista à DW-TV.

Para ele, os europeus devem tomar logo uma posição sobre o assunto. "Defendemos o fechamento de Guantánamo e, por isso, eu disse desde o princípio que devemos nos preparar para o fato de que os americanos venham até nós com um pedido."

Ele afirmou que a Alemanha não agirá de forma isolada. "Se houver uma consulta dos americanos, ela certamente será dirigida a todos os países europeus", ponderou. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou na semana passada que Guantánamo será fechado em um ano.

DW-TV : Senhor ministro, a primeira medida administrativa do presidente Barack Obama foi ordenar o fechamento do campo de prisioneiros de Guantánamo. Trata-se de uma mudança histórica?

25.01.2009 DW-TV Journal Interview Steinmeier

Ministro Steinmeier

Steinmeier : Uma mudança histórica e sobretudo a realização de um desejo e de uma exigência que nós, europeus, tínhamos nos últimos anos e que havíamos expostos com toda clareza para a administração anterior. Estou satisfeito por Obama ter tomado essa decisão logo no início de seu mandato.

O senhor é um dos que logo no início disseram que a Alemanha precisaria estar eventualmente preparada para receber alguns detentos inocentes, caso as condições fossem adequadas. Por quê? Essa não seria uma tarefa dos americanos?

Certamente essa é uma tarefa dos americanos, mas tenhamos presente a dimensão desse tema. Sem dúvida os Estados Unidos perderam credibilidade nos últimos anos perante o mundo. Essa credibilidade é principalmente a dos Estados Unidos, mas é também a credibilidade do Ocidente, a qual foi posto em perigo. Os conflitos e a evolução dos conflitos que tivemos principalmente com o mundo islâmico dão conta disso.

Sempre estivemos convencidos de que Guantánamo deveria ser fechado para recuperar uma parte dessa credibilidade. Essa decisão deve ser vista como um sinal para se chegar a um trato diferente com o mundo muçulmano. É um mundo que não está por princípio contra o mundo ocidental. Precisamos trazer aqueles que estão dispostos ao diálogo, os moderados, os que têm interesse em manter contato com o Ocidente para o nosso lado e fazê-los assumir responsabilidades.

Numa situação como essa, eu digo que é naturalmente uma tarefa dos americanos fechar Guantánamo e decidir sobre como proceder com os detentos. Em muitos casos, isso significará a acolhida deles em outras prisões nos Estados Unidos.

Não estamos disputando a acolhida de detentos de Guantánamo, mas defendemos o fechamento de Guantánamo e, por isso, eu disse desde o princípio que devemos nos preparar para o fato de que os americanos, mesmo caso eles acolham a maior parte dos prisioneiros, venham até nós, europeus, com um pedido, e aí temos de decidir como reagir. E há sinais de que eles farão isso.

Se nós falharmos e assim postergarmos o fechamento, isso terá consequências. Meu apelo é para que comecemos logo a pensar sobre como devemos nos comportar. Levando em consideração os nossos apelos e a nossa posição pública sobre o fechamento de Guantánamo, creio que não deveríamos nos fechar totalmente e a priori à vontade americana, mas estar dispostos a examinar.

A Alemanha agirá isoladamente?

Certamente não. Também não seremos os únicos a ser consultados. Se houver uma consulta dos americanos, ela certamente será dirigida a todos os países europeus.

O estilo smart power de Obama fortalecerá as relações transatlânticas?

Os primeiros comentários após o discurso de posse de Obama diziam que ele não citou a Europa. Temos que levar em conta que esse discurso foi direcionado aos americanos. Independentemente desse discurso, tivemos várias oportunidades para dialogar com Obama e com a nova secretária de Estado, Hillary Clinton. Tivemos muitos sinais de que a Europa está bem no topo da agenda externa dos americanos.

Aqui vale algo que eu disse há alguns meses na Alemanha: precisamos de algo como uma nova agenda nas relações transatlânticas. Não podemos permitir que o interesse mútuo diminua, precisamos um do outro mais do que nunca. E Obama também sabe disso.

Nenhum dos grandes conflitos do mundo, nenhum dos grandes desafios – do fornecimento de energia à proteção ambiental – será resolvido por um de nós. Apenas encontraremos soluções se Europa e Estados Unidos andarem juntos. E para isso as chances são muito boas.

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