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Alemanha

Steinmeier defende política externa ativa para a Alemanha

Diante de sua importância, país deve interferir de forma ativa na resolução de conflitos globais, afirma ministro do Exterior. Alemanha é grande demais para "apenas comentar".

O ministro do Exterior da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, defendeu nesta quarta-feira (29/01) que o país adote uma postura ativa na resolução de conflitos globais, diante da sua importância no cenário internacional. A posição foi externada em discurso diante do Bundestag (câmara baixa do Parlamento) e também em entrevista ao jornal Süddeutsche Zeitung.

"É esperado de nós, e com razão, que interferamos", declarou ao diário de Munique. Segundo ele, a Alemanha é grande demais para apenas "comentar" o que acontece no mundo e deve adotar uma postura ativa na política externa.

Para fundamentar sua posição, Steinmeier argumentou aos deputados que, nos últimos anos, "o mundo mudou de forma drástica". Segundo ele, muitas crises no exterior se aproximaram da Alemanha, e o país sempre sofrerá as consequências de sua ação ou passividade na política externa.

Ele ainda acrescentou que a Europa "se concentrou completamente em si mesma", uma tendência que considerou "certamente necessária durante a luta contra a crise [econômica]". Porém, segundo Steinmeier, os europeus acabaram negligenciando o que se passa do lado de fora do continente.

Angela Merkel Regierungserklärung 29.01.2014

Merkel defendeu presença alemã no Mali e na República Centro-Africana

Conflitos atuais

Steinmeier, que já havia sido ministro do Exterior entre 2005 e 2009, durante o primeiro mandato de Merkel, disse que "desenvolvimentos dramáticos" foram subestimados no Oriente Médio e no mundo árabe. Na Ucrânia, o político opinou que houve a volta de "uma forma de instabilidade" que ele pensava não ser mais possível em países europeus.

Já o Afeganistão não pode voltar ao mesmo estado de 2001, e é preciso ficar atento ao que acontece no leste da Ásia. Segundo Steinmeier, as tensões entre China e Japão sobre as ilhas Senkaku-Diaoyu, no Mar da China Oriental, representam um perigo que não deveria ser negligenciado e que necessita de uma abordagem histórica mais profunda.

O vice-chanceler também citou a importância da Alemanha dentro da União Europeia (UE) para embasar suas posições. Ele lembrou que a Alemanha é o país mais populoso e com o maior poder econômico do bloco. "Quando um país como o nosso se abstém, os conflitos não são resolvidos porque não há sugestões de peso", disse.

Por isso, Steinmeier disse considerar correta a participação da Alemanha na eliminação de armas químicas da Síria. Para ele, uma ação militar teria sido a escolha errada, um "desvio das soluções políticas". A Síria, de acordo com o ministro, é um bom exemplo de uma política de retração militar que não pode ser confundida com uma "cultura da não interferência".

Coalizão unida

A chanceler federal Angela Merkel, que discursara antes do ministro, apresentou ideias alinhadas às que Steinmeier. Ela afirmou que um dos quatro pilares de sua política é "a Alemanha assumir responsabilidades na Europa e no mundo". Do contrário, "prejudicaremos os nossos parceiros e a nós mesmos – na política, na economia e no âmbito dos nossos valores", declarou.

A chanceler federal destacou ainda que a Alemanha aposta no uso conjunto de meios civis e militares, tanto na política externa quanto na de segurança. De concreto, Merkel anunciou o que a ministra da Defesa, Ursula von der Leyen, já vinha exigindo há dias em entrevistas à imprensa do país: um empenho maior de tropas alemãs em dois conflitos africanos. Assim, a Alemanha deve aumentar a sua missão no Mali e também apoiar as tropas francesas na República Centro-Africana.

Críticas da oposição

O porta-voz de política externa de A Esquerda, Wolfgang Gehrke, disse que seu partido continua repudiando missões militares alemãs no exterior. "A Bundeswehr não é um instrumento da política externa", disse, pedindo que todas as missões fora do país sejam canceladas.

Frithjof Schmidt, do Partido Verde, criticou vários pontos da nova política externa alemã, definida pelos partidos governistas CDU (União Democrata Cristã), CSU (União Social Cristã) e SPD (Partido Social-Democrata) no contrato de coalizão. A questão envolvendo exportações de armamentos pela Alemanha, por exemplo, segue "regras não obrigatórias", criticou o deputado.

Schmidt acrescentou que o governo alemão quer empenhar-se por um mundo sem armas nucleares, mas também se declara a favor de uma modernização das armas nucleares da Otan – uma postura que o deputado criticou como contraditória. Segundo ele, também há muita "neblina política" em torno da discussão sobre aviões não-tripulados.

RK/dw/dpa

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