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Alemanha

Steinmeier defende decisão que manteve inocente 4 anos preso

O caso Kurnaz ameaça se tornar o Waterloo do bem-sucedido ministro alemão do Exterior. Ele tem uma comissão e um processo civil a enfrentar. Há quem fale em renúncia.

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Ministro das Relações Exteriores Frank-Walter Steinmeier

Apesar de críticas de todos os lados e da ameaça de um processo, o ministro alemão do Exterior, Frank-Walter Steinmeier, permanece inabalável em sua posição no caso Kurnaz. "Eu não decidiria diferente, hoje em dia", garantiu à revista Spiegel.

Murat Kurnaz vor Untersuchungsausschuß

O teuto-turco Murat Kurnaz aguarda para depor a comissão de inquérito

O ministro defende sua decisão de, em 2002 – na qualidade de chefe da Casa Civil – impedir que o prisioneiro de Guantánamo Murat Kurnaz retornasse à Alemanha. "Imagine só o que aconteceria, se ocorresse um atentado e depois se constatasse: poderíamos tê-lo evitado."

Apesar de inocentado das acusações de terrorismo, o cidadão turco nascido em Bremen só foi libertado da prisão norte-americana em Cuba em agosto de 2006, após mais de quatro anos de encarceramento e de sofrer torturas.

Pressão da oposição

O presidente do Grêmio de Controle Parlamentar, Max Stadler, reagiu com impaciência. "Não entendo a teimosia com que Steinmeier mantém seu posicionamento." No caso Kurnaz, a única preocupação foi a segurança, entretanto "pelo menos a posteriori é preciso dizer que se poderia ter decidido de outra forma, na época", criticou o político do Partido Liberal Democrata (FDP).

Stadler aconselhou o ministro a depor em breve diante da comissão de inquérito do Serviço Federal de Informações (BND), uma vez que a opinião pública teria direito a um esclarecimento imediato.

O líder do FDP, Guido Westerwelle, também mostrou-se indignado, falando ao jornal Welt am Sonntag. "Um ministro alemão não pode apoiar o seqüestro e tortura de uma pessoa residente na Alemanha, ou ainda justificar posteriormente que se tolerem tais torturas."

Segundo Reinhard Bütikofer, presidente do Partido Verde, o ministro social-democrata estaria se encurralando com as próprias palavras.

Culpa de Fischer?

Jahresrückblick Juni 2006 Deutschland Joschka Fischer zieht sich zurück

Ex-ministro do Exterior Joschka Fischer

Em 2002, o ministro alemão do Exterior era o verde Joschka Fischer. Seus correligionários lhe atribuem agora pessoalmente a responsabilidade pela situação, e não ao Partido Verde.

Claudia Roth, que lidera os verdes juntamente com Bütikofer, exigiu, por um lado, esclarecimento completo "sem consideração a pessoas". Por outro, declarou ao Münchner Merkur: "Eu sei que Joschka Fischer discutiu o caso Kurnaz várias vezes em Washington, e que a embaixada alemã se empenhou por uma libertação".

A vice-presidente do Partido de Esquerda, Petra Pau, comentou assim o debate: "Neste meio tempo se insinua uma impressão fatal: Kurnaz estaria mofando hoje em Guantánamo, caso a coalizão dos social-democratas e verdes ainda estivesse no governo".

Apoio de cima e dos lados

O então ministro do Interior, Otto Schily, do Partido Social Democrata (SPD), se pronunciou pela primeira vez sobre o caso neste fim de semana. "Em nenhum momento o governo anterior tentou, nem de longe, impedir ou mesmo dificultar a libertação de Kurnaz."

Segundo dados de todas as autoridades que se ocuparam do assunto, havia sérias dúvidas, do ponto de vista da segurança, argumentou Schily em favor de Steinmeier. Este teria, a seu ver, "se conduzido de forma absolutamente correta" no caso Kurnaz.

Um outro colega de partido, o vice-chanceler federal Franz Müntefering, igualmente apoiou o ministro. Ele afastou sumariamente a hipótese de que Steinmeier renuncie, considerando-a "despropositada", e partindo do princípio que ele manterá a pasta das Relações Exteriores "pelo menos até 2009".

Thomas Oppermann, da comissão de inquérito do SPD, igualmente defendeu Steinmeier. "Angela Merkel tampouco haveria tentado, em 2002, trazer um preso de Guantánamo para a Alemanha."

Muitos capítulos pela frente

Para Steinmeier, a luz no fim do túnel do caso Kurnaz está tudo, menos à vista. Neste sábado, a Promotoria Pública de Berlim confirmou notícias segundo as quais um advogado de Hamburgo haveria apresentado queixa-crime contra Steinmeier, por privação de liberdade e lesões corporais.

Verdes e liberais exigem que o ministro das Relações Exteriores deponha o mais breve possível diante da comissão de inquérito do BND, possivelmente já em sua sessão extraordinária de fevereiro.

Na próxima quinta-feira depõem perante a comissão, a portas fechadas, dois funcionários do BND e um perito em defesa da Constituição. Os três interrogaram Kurnaz em Guantánamo, em setembro de 2002.

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