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Alemanha

SPD aposta no "socialismo democrático" e ataca Merkel

Partido Social Democrata alemão aprova programa com diretriz esquerdista e ataca a chanceler federal Angela Merkel. Congresso em Hamburgo mostra um partido em busca de novo perfil e preocupado com as eleições de 2009.

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Presidente do SPD, Kurt Beck, quer um Estado forte

Dezoito anos após a queda do Muro de Berlim, o Partido Social Democrata (SPD) alemão aprovou neste domingo (28/10), em Hamburgo, um novo programa partidário. No documento, o SPD se compromete a defender a liberdade, a justiça e a solidariedade, como valores fundamentais, mas a principal novidade é que define como meta lutar por um "socialismo democrático".

Essa expressão aparece várias vezes no texto de 38 páginas, que substitui o programa aprovado pouco antes da unificação alemã, em 1989. Ela é vista como principal sinal da guinada doSPD para a esquerda, numa tentativa de reconquistar eleitores que está perdendo para o novo partido A Esquerda.

Um outro sinal dessa guinada foram os ataques disparados pelos social-democratas contra a União Democrata Cristão (CDU), com a qual formam o governo de coalizão em Berlim. O presidente reeleito do SPD, Kurt Beck, acusou a CDU de usar uma "máscara social-democrata", mas que o cerne de sua política continua sendo o "radicalismo de mercado".

Críticas ao capitalismo

Em busca de um perfil mais social, as principais lideranças do SPD também não pouparam críticas ao capitalismo global, segundo eles, "caracterizado pela falta de justiça e democracia". O resultado dos debates foi a aprovação de "um programa contra o poder desenfreado do capital", como disse a deputada federal Andrea Nahles, da ala esquerdista do partido.

Algumas proposições aprovadas no congresso também apontam nessa direção. O SPD quer:

  • que, em caso de privatização da companhia ferroviária Deutsche Bahn, 25,1% das ações fiquem em poder de pessoas físicas ("ações do povo") para impedir um desmantelamento da empresa por grandes investidores;
  • que o tempo de pagamento do seguro-desemprego seja ampliado progressivamente de 12 para 24 meses para trabalhores com mais de 45 anos;
  • que seja introduzido um salário mínimo nacional de 7,50 euros por hora trabalhada para combater o dumping salarial.

De olho em eleitores verdes, os social-democratas também propõem que:

  • o consumo de energia seja diminuído em 11%, para que a Alemanha possa reduzir suas emissões de gases do efeito estufa em 40% até 2020; e
  • que seja estabelecido um limite de velocidade de 130 km/h nas auto-estradas, para reduzir em 2,5 milhões de toneladas por ano as emissões anuais de CO2.

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Algumas dessas propostas, como o limite da velocidade na auto-estradas, são consideradas utópicas e dificilmente se transformarão em lei no atual governo de coalizão. Isso é admitido até mesmo por ministros social-democratas.

Por isso, alguns deles, como o ministro das Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier, tentaram polarizar com a CDU num outro tema. "O SPD fomenta os direitos humanos não para produzir manchetes em casa [na mídia alemã] e, sim, para ajudar concretamente as pessoas", disse Steinmeier num ataque indireto à retórica da chanceler federal Angela Merkel.

O que mais irritou a chefe de governo, no entanto, foi a definição do "socialismo democrático" como meta do SPD. "Não precisamos de um retorno ao socialismo, como querem os social-democratas. Já tivemos socialismo que chega na Alemanha Oriental", disparou.

Volta às raízes

O chamado "Programa de Hamburgo", aprovado após a votação de 945 propostas da base, é o sexto programa da história do SPD. O primeiro foi aprovado em 1891, em Erfurt (Leste alemão). Seguiu-se o de 1921, em que os social-democratas manifestaram explicitamente seu apoio à República de Weimar, substituído em 1925 por um texto mais voltado à política internacional.

Em 1959, o partido aprovou o famoso "Programa de Godesberg", que tinha como principal objetivo transformar SPD – tradicional partido trabalhista – num partido popular. O texto aprovado neste domingo em Hamburgo, com apenas dois votos contra, substitui o "Manifesto de Berlim", de 1989, e apresenta as respostas do SPD aos desafios do mundo globalizado.

Mas sua frase mais polêmica lembra os tempos da Alemanha dividida: "O socialismo democrático permanece para nós a visão de uma sociedade livre, justa e solidária, cuja realização é uma tarefa permanente para nós". Na opinião de analistas políticos, essa meta pode até amenizar a crise do SPD, mas complicará ainda mais o funcionamento do governo de coalizão em Berlim. (gh)

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