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Ciência e Saúde

Sonda espacial Rosetta acorda pronta para realizar pouso inédito em cometa

Após quase três anos de hibernação para economizar energia, sonda europeia despertou para tentar pouso em cometa, onde deverá recolher dados que podem ajudar a decifrar a origem do universo. Viagem já dura dez anos.

Durante mais de 31 meses, a sonda espacial da Agência Espacial Europeia (ESA) Rosetta ficou num estado de chamada hibernação. Todos seus sistemas de bordo foram desligados para economizar energia. Esse descanso de 957 dias foi necessário porque pois a órbita da sonda estava numa rota na qual ela não recebia mais luz solar suficiente para recarregar suas baterias.

Mas agora Rosetta alcançou novamente a região solar e também se aproximou suficientemente da Terra para enviar sinais. Assim, seu despertador interno tocou pontualmente às 8 horas da manhã, no horário de Brasília, desta segunda-feira (20/01).

O despertar de Rosetta foi lento. Primeiro seus computadores foram reiniciados, desencadeando uma série de processos para tirá-la do estado de hibernação. Em seguida, seus painéis solares foram abertos e ela se posicionou em direção ao sol para carregar suas baterias.

Rosetta Satellit Test

Para dar conta do gasto de energia, a Rosetta precisa de painéis solares gigantescos

O passo seguinte foi enviar um sinal para a Terra, informando que estava tudo bem. Porém, com uma distância de 807 milhões de quilômetros da Terra, a mensagem chegou ao destino no final da tarde, exatamente às 16h18 (de Brasília), como anunciou o Centro de Operações da ESA em Darmstadt, na região central da Alemanha.

Pesquisadores que há anos trabalham no projeto esperam ansiosos pelo despertar da sonda, que é um dos mais complexos e longos empreendimentos de pesquisa espacial existentes hoje em dia. Mais de 20 anos se passaram desde que a ESA decidiu construir a Rosetta.

Há quase 10 anos, no dia 2 março de 2004, o foguete Ariane 5G+ lançou a sonda no espaço. Em novembro deste ano a missão da Rosetta atinge seu ápice: após uma viagem de 7,1 bilhões de quilômetros, o engenho deve depositar sob o cometa 67P/Churymov-Gerasimenko – um corpo celeste composto principalmente por gelo e pedra que se move rapidamente – a sonda mini-laboratório Philae.

A origem do universo

A Philae foi desenvolvida sob a responsabilidade do Centro Aeroespacial Alemão (DLR). Dois arpões devem aproximá-la do cometa e, em seguida, a sonda pousará no chão com três pernas que possuem parafusos de gelo para perfurar o cometa. Os cientistas ainda não sabem se os arpões e os parafusos irão encontrar o apoio necessário para conseguirem se estabilizar em cima do cometa, descoberto em 1969.

Rosetta und Philae Satelliten

Quando chegar ao cometa, o mini-laboratório Philae entrará em ação

Essa é a primeira vez que uma sonda aterrissa em um cometa. A gravidade desse corpo celeste também não é suficiente para atrair a Philae, que pesa 100 kg. Com um diâmetro entre 3 e 5 quilômetros, o 67P/Churymov-Gerasimenko não possui quase nada de força gravitacional. Acredita-se que o cometa seja bem duro, mas não há certeza.

Se a aterrissagem for bem sucedida, a sonda deverá ajudar a desvendar o segredo da origem do universo. O 67P/Churymov-Gerasimenko vem do Cinturão de Kuiper, uma região do sistema solar que se estende a partir da órbita do planeta Netuno para além. Nesse local, flutuam principalmente blocos de gelo. Alguns deles se desvencilham da área, indo em direção ao sol, como esse cometa, cuja órbita atual foi deslocada para próximo de Júpiter.

Amostras enigmáticas

Os cientistas nunca conseguiram descobrir a composição exata desses cometas. A Philae deve, primeiramente, recolher amostras do solo do 67P/Churymov-Gerasimenko, analisando-as quimicamente. Os pesquisadores estão interessados em ligações orgânicas, como aminoácidos ou a composição atômica dos cometas.

Bildergalerie ESA Projekt 3013

O Philae irá recolher amostras do solo do cometa

Dessa maneira, eles esperam encontrar pistas sobre a origem da vida. Os cometas são considerados os freezers do universo. Pelo material primitivo colhido no corpo celeste, os cientistas pretendem descobrir um pouco mais sobre o surgimento do sistema solar, que aconteceu há 4,6 bilhões de anos.

Essa função está nas mãos de um robô com dez instrumentos de análise. Entre eles, um espectrômetro de raios X que analisa substâncias químicas, além de aparelhos de medição de ondas sonoras, luminosas e eletromagnéticas, que podem examinar também o núcleo do cometa.

Mesmo se a aterrissagem não der certo, a viagem de dez anos da Rosetta não foi em vão. Durante o tempo que passou no espaço, a sonda enviou dados e fotos das diferentes etapas do trajeto percorrido.

Em

fevereiro de 2007,

ela passou perto de Marte, e um ano e meio depois chegou próximo ao asteróide Šteins, que faz parte do chamado Cinturão de Asteroides do Sistema Solar, na área entre Marte e Júpiter. Em julho de 2010, a Rosetta sobrevoou o asteroide Lutetia. Além das fotos, a Rosetta enviou à Terra dados sobre a órbita de ambos os asteroides.

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