Solução da crise econômica passa pela simbiose entre EUA e China | Notícias e análises sobre a economia brasileira e mundial | DW | 27.07.2009
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Economia

Solução da crise econômica passa pela simbiose entre EUA e China

Com economias bastante interdependentes, Pequim e Washington encontram-se para mais uma rodada dos encontros bilaterais. Economista alemão afirma que China caiu na "armadilha do dólar".

default

Deputado chinês em Chicago: preocupação com aplicações chinesas no dólar

No início de abril, durante a reunião do G20 em Londres, os presidentes Hu Jintao e Barack Obama se encontraram para suas primeiras negociações bilaterais. O principal tema foi a crise econômica e financeira. Na ocasião logo começou-se a falar em um G2, que apontaria caminhos para sair da crise.

Nesta segunda e terça-feira (27 e 28/07), em Washington, acontece mais uma rodada do diálogo econômico entre a China e os EUA. O encontro se justifica não somente pela grande interdependência entre as economias chinesa e norte-americana, mas também pela importância das relações entre as duas potências para a ordem mundial.

Em março último, um estudo do Centro de Estudos Estratégicos Internacionais de Washington salientou que as relações entre a China e os EUA podem ter mais efeitos sobre questões internacionais do que qualquer outra relação.

O estudo apontou ainda que, sem a cooperação entre a China e os EUA, não é possível superar nenhum desafio internacional, principalmente a atual crise econômica e financeira.

Importância para ordem mundial

Clinton in China

Hillary Clinton e Hu Jintao, em Pequim

Ao visitar Pequim em junho último, o secretário norte-americano do Tesouro, Timothy Geithner, declarou que, para se chegar a uma economia mundial estável e equilibrada, são necessárias mudanças substanciais nas políticas econômicas e de regulação financeira dos países. Algumas das principais mudanças deverão ser feitas pelos EUA e pela China.

"Um êxito em Washington e Pequim será decisivo para a economia no resto do mundo. E a eficácia da política dos EUA dependerá – em parte – da chinesa; e a eficácia da [política] chinesa, da nossa", explicou Geithner.

A China fornece bens de consumo baratos ao mercado norte-americano. É, assim, também dependente desse mercado para manter seu crescimento econômico contínuo, o qual gera postos de trabalho e, ao final, estabilidade social.

Em 2008, o volume do comércio bilateral entre os dois países foi de cerca de 400 bilhões de dólares – com um saldo negativo de 266 bilhões de dólares para os EUA. Há anos que o crescente déficit comercial norte-americano com a China provoca irritação em Washington.

Mal havia assumido o cargo, em janeiro último, Geithner acusou a China de praticar "manipulação cambial" para baratear artificialmente suas exportações para os EUA. Para acalmar os ânimos em Pequim, Obama teve que telefonar para as lideranças chinesas.

Confiança nos EUA

No entanto, os superávits resultantes do comércio com os EUA – e também com a União Europeia – retornam da China para os Estados Unidos. Calcula-se que 70% das reservas internacionais chinesas estejam aplicadas em dólar.

No final de junho, as reservas alcançaram 2 trilhões de dólares. Cerca de 800 bilhões de dólares estão aplicados em títulos do Tesouro norte-americano. Ou seja, com os superávits do comércio com os EUA, a China financia o orçamento norte-americano.

Segundo dados do Tesouro dos Estados Unidos, a China detém quase um quarto dos títulos norte-americanos que estão em mãos estrangeiras. A China é, assim, o maior credor dos Estados Unidos.

Como os pacotes de ajuda à economia nos Estados Unidos elevaram a demanda por dinheiro, a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, promoveu a confiança em seu país durante visita a Pequim, em fevereiro último.

"Eu aprecio a confiança do governo chinês nos títulos do Tesouro norte-americano. Considero essa confiança justificada. Temos todas as razões para acreditar que os EUA e a China estão se recuperando e, juntos, conduzirão a recuperação mundial", disse Clinton.

"Armadilha do dólar"

A confiança dos chineses no dólar está, no entanto, abalada. O primeiro-ministro chinês Wen Jiabao declarou em março último estar preocupado com a segurança dos investimentos chineses em dólar.

Norbert Walter, diretor do Deutsche Bank Research, departamento de pesquisas econômicas do Deutsche Bank, considera plausíveis as preocupações de Pequim.

"É notório que os chineses fizeram algo muito, muito unidirecional com vista aos seus investimentos financeiros. De forma pouco inteligente, depositaram todas as suas fichas numa única praça. Isso é algo que normalmente não se faz. E é isso que fundamenta, agora, as grandes dores de cabeça dos chineses", afirmou Walter.

Apesar das dores de cabeça, possivelmente os chineses continuarão – para a alegria de Washington – a aplicar seus superávits em dólares. Nenhum outro mercado pode absorver tanto capital. E uma evasão maciça de aplicações em dólar poderia quebrar o mercado. Para Norbert Walter, a China se encontra numa espécie de "armadilha do dólar".

"Na discussão econômica, existe um interessante teorema sobre o assunto: o efeito locking-in . Esse teorema diz que alguém que se engajou tanto por uma coisa terá, naturalmente, um imenso interesse que esse investimento tenha sucesso e não irá ameaçá-lo através de seu afastamento", explicou o economista.

Autor: Matthias von Hein

Revisão: Alexandre Schossler

Leia mais