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Mundo

Soldado detona bomba durante ensaio de parada militar no Iêmen

Ataque suicida deixa mais de 90 mortos e centenas de feridos. Explosão acontece em meio a ofensivas militares em áreas ocupadas pela Al Qaeda, no sul do país.

Um homem-bomba usando uniforme militar detonou explosivos que trazia junto ao corpo durante o ensaio de um desfile militar em Sanaa, capital do Iêmen, nesta segunda-feira (21/05). Pelo menos 90 pessoas morreram e mais de 100 ficaram feridas com a explosão. O ministro da Defesa Mohammed Nasser Ahmed e o chefe do Estado-Maior estavam presentes ao evento, mas não ficaram feridos.

A polícia interditou a rua em que ocorreu a explosão, nas proximidades do palácio presidencial. Segundo fontes militares, o autor dos atentados seria um soldado e tinha um cinto com explosivos sob o uniforme. A parada estava marcada para esta terça-feira, em comemoração ao Dia Nacional do Iêmen, feriado nacional que celebra a unificação do norte com o sul do país, e contaria com a presença do presidente Adb Rabbu Mansur Hadi.

Presença do Al-Qaeda

O ataque suicida coincide com uma ofensiva iemenita, apoiada pelos Estados Unidos, contra militantes ligados ao grupo radical-islâmico Al Qaeda no sul do país, em regiões controladas pelos extremistas. No domingo, soldados avançaram sobre uma das bases ocupadas pelo grupo e houve violentos embates.

Os militantes têm explorado a instabilidade política no Iêmen para conquistar espaço num país praticamente paralisado por uma série de manifestações contrárias ao governo, e que resultaram na saída do presidente Ali Abdullah Saleh.

O Iêmen é considerado a casa da Al Qaeda na Península Arábica, sendo visto pelos Estados Unidos como uma grande ameaça à segurança não apenas regional, mas também para os próprios dos norte-americanos.

O país vem assistindo a uma onda de atentados violentos, desde que Mansur Hadi assumiu o lugar de Saleh, em fevereiro deste ano, sob promessas de eliminar as rebeliões islamitas. O atentado desta segunda-feira é considerado o mais violento desde o início das investidas militares contra os extremistas da Al Qaeda.

As ofensivas até agora concentraram-se apenas no sul do país. No início do mês, os militares realizaram ataques no sul da província de Abian para retomar o controle de dezenas de territórios e cidades ocupadas por militantes que se autointitulam Ansar Al Charia (partidários da lei Islâmica).

Segundo agências de notícias, desde que a ofensiva começou, 234 pessoas foram mortas, entre as quais 158 militantes da Al Qaeda.

Nesta segunda-feira, militantes do grupo radical islâmico reivindicaram a autoria de um ataque em Hudaida contra um comboio que trazia quatro conselheiros militares dos EUA, porém as autoridades norte-americanos afirmaram não ter pessoal na cidade portuária. Os extremistas dizem que um homem armado teria aberto fogo no domingo sobre dois veículos que traziam os militares, que vinham de um treinamento com a guarda costeira do Iêmen, numa cidade próxima ao Mar Vermelho.

Cenário de horror

A maioria dos soldados que participavam do ensaio fazia parte de uma unidade paramilitar comandada por Yahya Saleh, filho do ex-presidente.

Algumas pessoas que ajudaram no socorro às vítimas relataram cenas de horror: soldados sangrando, corpos destroçados. "Foi um verdadeiro massacre", disse o soldado Ahmed Sobhi, que testemunhou o atentado.

"Estávamos na parada e de repente ouvimos uma explosão. Dezenas de nossos homens foram mortos. Tentamos ajudá-los", afirmou um homem no local do atentado, com as mãos cobertas de sangue, que se identificou como coronel Amin al Alghabati.

"Os iemenitas precisam se unir frente a esta fatal ameaça terrorista", defendeu o brigadeiro Karim Nahil. "Vamos celebrar nossa unidade amanhã com o sangue de nossos mártires em nossas mãos e rostos."

MSB/rtr/dapd/afp
Revisão: Augusto Valente

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