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Mundo

Solana: "Divergências com EUA estão superadas"

Em entrevista exclusiva à DW-TV, o encarregado da Política Externa e de Segurança da UE, Javier Solana, fala sobre as perspectivas da viagem de George W. Bush à Europa.

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George W. e Laura Bush ao chegarem em Bruxelas no domingo à noite

Deutsche Welle: Quais são as perspectivas da visita de George W. Bush à Europa? Como os europeus receberão o chefe de governo norte-americano?

Javier Solana: Quanto aos possíveis resultados, considero boas as perspectivas dessa visita. Creio que o clima atualmente é bem melhor do que era há alguns meses ou anos. Em 2003 e 2004, houve algumas discordâncias, especialmente na questão do Iraque, mas isso foi superado. Por isso, considero a visita de Bush à Europa e a vinda anterior da secretária de Estado norte-americana como um gesto positivo.

Atualmente se discute o papel que a Otan deve desempenhar futuramente nas relações entre a Europa e os Estados Unidos. Há uma série de sugestões para melhorar as perspectivas de trabalho conjunto. Como o senhor vê essa discussão?

Condoleezza Rice in Luxemburg Javier Solana

Solana (e) vê "gesto positivo" nas visitas de Bush e Rice

Creio que tudo aquilo que tem por meta aumentar a efetividade das relações transatlânticas é bom. Todo debate nessa direção é positivo. Creio que todos estão convencidos de que as relações transatlânticas não ocorrem apenas no âmbito da Otan e, sim, também nas instituições da UE. Isso ficou evidente por ocasião da visita de Condoleezza Rice. Agora vem Bush para se informar sobre os problemas ainda existentes entre a UE e a Otan. Isso é bom, porque expressa o significado da União Européia nas relações transatlânticas e o desejo mútuo de uma cooperação entre europeus e americanos.

Apesar de todos os conflitos ainda existentes no mundo, também há progressos significativos, como por exemplo no Oriente Médio. A esperança de paz entre israelenses e palestinos é realista?

Estou envolvido no processo de paz do Oriente Médio há muitos anos e só agora estou muito esperançoso e vejo grandes possibilidades. Há um caminho que precisa ser percorrido conjuntamente por israelenses e palestinos, acompanhados por seus amigos europeus e americanos. Creio que é um caminho viável para realizar o sonho de muita gente, de ter dois Estados vivendo em paz, lado a lado. Não será um caminho fácil, mas o importante é que seja seguido com persistência e boa vontade. Creio que o presidente palestino Abbas faz um bom trabalho, desde sua eleição até hoje. Também o primeiro-ministro israelense Ariel Sharon toma decisões que melhoram a vida dos palestinos, como a redução do controle e a retirada da Faixa de Gaza prevista para setembro e que significará o fim a ocupação iniciada em 1975. Por isso, tenho esperança, apesar estar consciente dos riscos deste caminho.

O que a União Européia pode fazer para ajudar Abbas a pôr fim ao terrorismo e à violência e viabilizar uma solução pacífica do conflito?

O melhor que podemos fazer é ajudá-lo a treinar e fortalecer sua polícia. Já existe uma equipe européia cooperando com as forças de segurança palestinas, para que funcionem melhor. Isso ajuda, mas o mais importante é a vontade política de acabar com atividades terroristas. O presidente Abbas tem uma posição clara quanto a isso e já atua nessa direção, o que deve ser reconhecido também pela comunidade internacional e por Israel.

Pode-se esperar que as negociações da União Européia com o Irã, para impedir que este país construa bombas atômicas, também cheguem a um bom final?

Nós avançamos bastante nos últimos meses. O Irã assinou um protocolo adicional que permite à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) enviar inspetores a qualquer parte do país sem aviso prévio. Quer dizer, atualmente há um certo controle da AIEA no Irã. As negociações ocorrem em três níveis: no das armas nucleares, no da política de segurança para o Irã e em nível de relações comerciais e econômicas entre o Irã e a UE. Esperamos continuar avançando.

Esse assunto é tratado apenas de forma bilaterial entre a UE e o governo do Irã, ou os EUA também têm acesso às negociações?

Creio que os Estados Unidos, no momento, não têm interesse em participar das negociações, mas podem apoiá-las de fora. Os EUA não mantêm relações diplomáticas com o Irã, o que dificulta a situação para eles. Em todo caso, o resultado desse processo, se correr bem, se tornará visível em Viena, onde a direção da AIEA, formada por representantes dos países filiados à ONU, precisa ratificar o que foi elaborado e assinado pelas duas partes.

Há nesse e em outros assuntos, como na questão do Iraque, um intercâmbio de informações entre a Europa e os Estados Unidos? Há acordos para a implementação de estratégias políticas comuns?

Creio que sim, como demonstram as conversações que mantivemos nos últimos meses. Espero que isso fique claro também nos encontros do presidente Bush com lideranças políticas da União Européia.

Existe também a esperança de chegar a um acordo com os EUA para suspender o embargo de armas à China?

Todos os temas de que estamos tratando no momento são delicados. Mesmo assim, creio que é possível chegarmos a um acordo. Quanto à China, quero salientar que não se trata de vender mais armas àquele país e, sim, de suspender sanções aplicadas pela UE por ocasião da crise da Praça da Paz Celestial. Desde aquela época, a China mudou muito. Hoje é comandada por uma nova geração, com a qual queremos iniciar novas relações, sem que estas sejam ofuscadas por sanções. Por esse motivo, a suspensão do embargo é uma questão mais política do que militar.

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  • Data 20.02.2005
  • Autoria Gonzalo Cáceres / gh
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  • Data 20.02.2005
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