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Ciência e Saúde

Software livre é opção mais segura e barata, afirmam especialistas

Uso de programas com código-fonte aberto é tema de congresso em Brasília. Especialistas apontam vantagens econômicas e de segurança como fatores para optar por esse tipo de software.

Mais seguro e mais barato. Esses são os dois principais argumentos repetidos pelos defensores do software livre, nome usado nos meios da informática para designar programas de distribuição gratuita e que, por terem seu código-fonte aberto (open source, em inglês), podem ser livremente modificados por qualquer programador.

Para especialistas, os softwares livres são uma saída para aumentar a proteção de sistemas de informática e diminuir os gastos de governos. A segurança desses programas é um dos temas da sexta edição do Congresso Internacional Software Livre e Governo Eletrônico (Consegi), que segue até quinta-feira (15/08), em Brasília.

Durante os três dias do congresso, organizado pelo Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), será debatido também como tecnologias podem ampliar o acesso à informação, incentivar a participação popular e agilizar a prestação de serviços públicos.

"O Consegi é um momento muito importante para o governo, porque, além de ser momento de reflexão para avaliarmos o que adotamos e para buscarmos atualizações, são discutidas estratégias de adoção de novas tecnologias", diz Deivi Kuhn, secretário-executivo do Comitê Técnico de Implementação de Software Livre do governo federal e também responsável pela programação do Consegi.

Opção aos softwares corporativos

Elektronikmesse CES in Las Vegas

Softwares de proprietário não são a opção mais barata

Os softwares livres são programas com códigos-fonte aberto, ou seja, que podem ser livremente modificados e aperfeiçoados por programadores. Geralmente esses programas são desenvolvidos num espírito de comunidade e cooperação, no qual programadores – muitas vezes espalhados por vários países – trocam informações e dividem seu conhecimento.

A licença vinculada a esses softwares autoriza o uso, a distribuição e também alterações por terceiros. Entre os exemplos mais conhecidos estão o Android, sistema operacional para smartphones de propriedade da Google, o Linux, sistema operacional para computadores pessoais, e o Open Office, um pacote de programas de escritório.

Pelas suas características, os softwares livres são frequentemente vistos como uma alternativa aos programas "fechados" (cujo código-fonte não é aberto ao público), desenvolvidos por grandes corporações, como a Microsoft.

Mas eles também não estão livres de críticas. Para os defensores de programas clássicos, os softwares livres acabam com os direitos intelectuais dos criadores e, por serem na maioria das vezes adquiridos de forma gratuita, incentivam a pirataria dos sistemas pagos. Além disso, costumam não ser compatíveis com os programas aplicativos desenvolvidos para sistemas operacionais tradicionais, como o Windows.

Consultadas pela DW Brasil, as representações brasileiras da Apple e da Microsoft preferiram não se pronunciar sobre as vantagens e desvantagens do software livre. A Microsoft limitou-se a comentar que contribui com diversas comunidades de código aberto para "promover a interoperabilidade de ambientes mistos".

Apesar das divergências, o software livre vem ganhando cada vez mais espaço. "O próprio setor de segurança do governo norte-americano adota essa opção. A União Europeia já criou vários projetos de fomento nesse sentido", afirma Paulo Meirelles, professor de engenharia de software da Universidade de Brasília (UnB).

O Brasil estimula seu uso em plataformas do governo desde 2003. "O levantamento que fizemos em 2009 mostrou que todos os órgãos, alguns mais, outros menos, já estavam usando softwares livres", diz Kuhn.

Economia e segurança

Logo Open Office

Open Office é um dos softwares livres mais conhecidos

Por possuirem código-fonte aberto, várias empresas podem prestar suporte a esses produtos, o que estimula a concorrência e diminui gastos de usuários, empresas e governos.

"A economia do software livre não se dá a curto prazo. No momento inicial, em alguns caso eles são mais baratos, mas a questão principal é a independência do fornecedor ao longo do tempo", reforça Kuhn.

Para o Meirelles, a adoção desses programas alternativos pelo governo também estimula a economia local, pois promove a abertura de empresas que prestam serviços na área de tecnologia da informação.

Em meio ao escândalo de espionagem da Agência de Segurança Nacional (NSA) dos EUA, especialistas também apontam outro ponto positivo desse tipo de programa. "Não há como garantir que o software proprietário faça somente aquilo que ele se propõe a fazer. Os softwares livres permitem uma auditagem plena, todo mundo está vendo exatamente o que ele faz, e isso é uma diferença muito grande em termo de privacidade e segurança", afirma Kuhn.

Livre não significa gratuito

Geralmente, os softwares livres podem ser baixados de graça na internet. Mas apesar de, em muitos casos, estarem disponíveis sem custos para o usuário final, isso não o transforma em um produto gratuito.

"Empresas e governos contratam alguém para instalar e configurar esse software de acordo com as necessidades e, geralmente, acabam contratando o criador para prestar esse serviço", afirma Meirelles.

A prestação de serviços é um dos meios utilizados para financiar esses softwares. Além disso, eles podem ser desenvolvidos através de pesquisas fomentadas por governos, instituições e empresas privadas.

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