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Ciência e Saúde

Software ajuda a diagnosticar a cegueira por diabetes

Novo programa ajuda médicos a diagnosticar lesão na retina causada por complicações decorrentes da doença. Cerca de 366 milhões de pessoas no mundo têm diabetes, 12 milhões só no Brasil.

Pesquisadores do Instituto de Computação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) criaram um programa de computador que descobre se um paciente tem tendência a desenvolver uma retinopatia diabética – lesão na retina causada por complicações decorrentes da diabetes. Segundo o Ministério da Saúde, a doença é hoje a principal causa de cegueira irreversível no Brasil.

A nova tecnologia chega ao diagnóstico por meio de uma foto do fundo de olho de alta precisão. Ela une a análise simultânea de seis diferentes indícios de retinopatia diabética e transforma os pixels em informações, que serão interpretadas de acordo com os diferentes tipos de lesões. De acordo com os criadores do programa, essa é a primeira pesquisa feita no Brasil a englobar tantas funções ao mesmo tempo.

O software promete 90% de precisão. De cada 100 pacientes que tiveram uma imagem de fundo de olho analisada e receberam a recomendação para procurar um especialista, 90 precisavam realmente de atendimento especializado.

O novo sistema deve reduzir o custo dos atuais retinógrafos, usados para analisar a retina e o nervo óptico. A técnica vai facilitar o aumento do número de postos de triagem e deve melhorar o acompanhamento dos pacientes que sofrem com a doença.

"No futuro, teremos um retinógrafo equipado com técnicas de aprendizado de máquina, de inteligência artificial, capaz de, automaticamente, analisar a qualidade de uma imagem. O mais importante é que o médico ainda dará o diagnóstico", Anderson Rocha, coordenador do projeto.

Problema de diagnóstico

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50% do total de diabéticos no mundo ainda não foram diagnosticados

Os cientistas já trabalham no projeto desde 2009. Em segundos, o software faz imagens digitais da retina, analisa a qualidade, verifica a existência de lesões e, a partir disso, indica se a pessoa precisa de uma consulta com especialista, além de detectar a gravidade do problema.

Para Fadlo Fraige Filho, diretor da Federação Nacional de Associações e Entidades de Diabetes (Fenad), a preocupação dos profissionais em descobrir novos caminhos de diagnosticar a doença mais cedo é indispensável para a redução dos casos de cegueira.

"A doença é considerada a mais devastadora depois do câncer, pois vem acompanhada de outras enfermidades graves. Quase 50% do total de diabéticos no mundo ainda não foram diagnosticados. Por isso, a necessidade de novas tecnologias. Para que as alterações na retina em função do diabetes sejam descobertas antes de a pessoa perder totalmente a visão", enfatiza o médico. Só no Brasil, cerca de 7,5 milhões desconhecem que estão doentes.

Futuro reserva surpresas

Estima-se que 366 milhões de pessoas no o mundo tenham diabetes – 12 milhões delas estão no Brasil. Esse número deve chegar a 552 milhões até 2030.

Para Fraige Filho, apesar de a tecnologia auxiliar no diagnóstico, a demora no tratamento ainda é um problema. Ele afirma que, mesmo com a ajuda do software, os casos de diabetes e cegueira devido à doença aumentem de 70% a 80% em 20 anos.

O médico alerta para a necessidade de conscientização das autoridades de saúde e da população de luta com a doença, além do treinamento dos profissionais que trabalham com estes casos. Ações com estas podem ajudar a reverter o quadro de expectativas para 2030.

Diabetes é uma doença do metabolismo da glicose causada pela falta ou má absorção de insulina. Esse hormônio é produzido pelo pâncreas e quebra as moléculas de glicose. As principais causas para o aparecimento da diabetes são alimentação inadequada e envelhecimento da população.