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Mundo

Sociedade civil na Ucrânia busca relação com a UE sem Yanukovytch

Manifestantes exigem saída do presidente e não acreditam que Viktor Yanukovytch irá aproximar a Ucrânia da Europa. Força e organização dos protestos surpreenderam tanto no Ocidente quanto no Leste Europeu.

Manifestantes que apoiam a aproximação da Ucrânia com a União Europeia (UE) mantiveram a pressão sobre o presidente Viktor Yanukovytch nesta segunda-feira (09/12), no âmbito dos protestos mais maciços no país desde a chamada Revolução Laranja de 2004. Os ativistas pedem a saída de Yanukovytch, que acusam de ter renunciado à assinatura de um acordo de associação com a UE em detrimento do fortalecimento de relações com a Rússia.

No domingo, a derrubada simbólica de uma estátua de Lênin, símbolo da dominação de Moscou sobre a Ucrânia na época da União Soviética, marcou um dia em que centenas de milhares de manifestantes saíram às ruas para demonstrar seu descontentamento com o governo.

Enquanto isso, Yanukovytch parece não se importar com a crise política no país. Na última terça-feira, por exemplo, ele partiu para uma viagem planejada à China.

Poder dos protestos foi subestimado

Políticos tanto do Ocidente quanto dos países do Leste Europeu se surpreenderam com a extensão dos protestos. No entanto, o presidente da Fundação para Cooperação Alemanha-Polônia, Cornelius Ochmann, afirmou à DW que não apenas os políticos foram pegos de surpresa. "Foi inesperado para todos, principalmente pata o presidente Yanukovytch", constatou.

Também Maria Davydchyk, do Conselho Alemão para Relações Internacionais (DGAP, na sigla em alemão), entende que todos os envolvidos – ou seja, Kiev, Moscou e Bruxelas – subestimaram a situação.

"O governo ucraniano via a parceria com a UE apenas como uma opção que poderia se encaixar dentro do desenvolvimento de sua política interna", explica. "Por outro lado, a UE havia enviado vários sinais à Ucrânia, mas não ofereceu estratégias concretas ou instrumentos para a resolução dos problemas reais que o país e sua população enfrentam."

O presidente da Fundação para Cooperação entre Alemanha e Polônia, Cornelius Ochmann

O presidente da Fundação para Cooperação entre Alemanha e Polônia, Cornelius Ochmann

A maioria dos políticos europeus considera que o que está na origem das manifestações é a decepção dos ucranianos com seu governo, ao recusar o tratado de associação e livre comércio com a UE. A Rússia teve um papel decisivo nessa decisão, ao colocar pressão sobre o governo da Ucrânia nos últimos meses.

As atitudes do presidente da Rússia, Vladimir Putin, foram fundamentais nos acontecimentos que levaram os ucranianos às ruas, explica Ochmann. "As aparições de Putin colocaram lenha na fogueira, já que ele tentou colocar a Ucrânia sob pressão ainda maior. Os ucranianos não querem mais aceitar isso", afirmou o presidente da Fundação para Cooperação Alemanha-Polônia à DW.

Oportunidades para a sociedade civil

A UE deve prestar mais atenção à Ucrânia, defende o especialista. Ele acrescenta que Polônia e Alemanha já fazem isso. Porém, nações como a Itália, Grécia ou a Espanha demonstram interesse apenas limitado no país do Leste Europeu.

Ochmann também acha que a recusa de Yanukovytch em firmar o acordo com a UE foi apenas o estopim dos protestos atuais. "A meu ver, a sociedade civil ucraniana é muito mais avançada do que se imagina", defende. "Eles estão fartos da perspectiva de governança do presidente, e agora aproveitam a oportunidade para expressar seu descontentamento."

Maria Davydchyk sustenta que, no futuro, a UE vai precisar se concentrar não apenas na elite ucraniana, mas também demonstrar que os problemas das pessoas comuns são levados a sério. Uma parceria com a União Europeia oferece oportunidades no longo prazo "e isso deve ser transmitido às pessoas", defende.

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