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Cultura

Sobrevivente de Auschwitz recebe Nobel de Literatura

O escritor húngaro Imre Kertész, sobrevivente do campo de concentração de Auschwitz, é o contemplado com o Prêmio Nobel de Literatura deste ano.

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Imre Kertész, em Berlim após o anúncio do prêmio

Há semanas seu nome era citado com um dos maiores favoritos. Nesta quinta-feira (10), a Academia Sueca anunciou que o Prêmio Nobel de Literatura vai ser-lhe atribuído em reconhecimento a uma obra literária que mostra "a fragilidade do indivíduo perante a bárbara arbitrariedade da história". O judeu húngaro Imre Kertész, 72 anos, fez da experiência e do sofrimento no campo de concentração o fundamento de sua obra. "Mesmo quando falo de outra coisa, estou falando de Auschwitz", afirma um personagem do romance Fiasco que é o alter ego do autor.

Obra como reflexo da vida

Kertész, nascido a 9 de novembro de 1929 em Budapeste, numa família judaica, foi deportado para Auschwitz em 1944 e libertado no final da Guerra, em 1945, do campo de concentração de Buchenwald. Trabalhou em seguida, durante muitos anos, como redator, autor de peças de entretenimento para o teatro e tradutor, principalmente de Nietzsche e Wittgenstein. Não conseguia, porém, libertar-se das experiências do Holocausto.

De 1960 a 1973, dedicou-se a escrever aquela que é até hoje sua mais importante obra, o Romance de um Homem Sem Destino. O livro chegou a ser publicado na então comunista Hungria, mas do autor ninguém mais falou por um longo tempo. Kertész só obteve reconhecimento como literato em 1985, quando surgiu uma segunda edição do livro.

A tradução do romance para o alemão e seu lançamento pela conceituada editora Rowohlt, em 1996, contribuiu para projetar o autor internacionalmente. Os romances posteriores Kadish por uma Criança Não Nascida (lançado no Brasil pela Imago Editora) e Fiasco compõem com a primeira obra uma "trilogia sobre a falta de destino".

Mediador entre Hungria e Alemanha

Kertész recebeu a notícia da concessão do prêmio em Berlim, onde se encontra no momento e onde lhe fora entregue, na noite de quarta-feira (09), um outro importante prêmio literário, o "Hans Sahl", concedido desde 1995 a autores cuja obra seja símbolo da liberdade da palavra.

Na Feira do Livro de Frankfurt, o anúncio foi festejado tanto no estande da Hungria quanto no das editoras alemãs. Günter Berg, da Suhrkamp, para a qual Kertész mudou há dois anos, deixando a Rowohlt, acentuou a importância do autor como "mediador da cultura alemã para os húngaros e da cultura húngara para os alemães".